Nhaderuvuçu

Pai Nosso

A fórmula tradicional de Jesus de Nazaré de invocação divina em livre tradução para o Tupi Antigo:


Nhaderuvuçu

I mombe’uporangymbyra
O retama erur
Mopor a’e oremimotara ybype, îabé i ybakype
Îandé miapé ‘araîabi’õndûara, aîme’eng’i kori
Asé nhyrõ erekomemûã resé, îabé oré nhyrõukar
Sa’anga moîepe’a
Aíba mopysyrõ


Objetivo

A proposta aqui é explorar as bases de umas das fórmulas mais aplicadas pela humanidade nos últimos séculos para se comunicar com os desconhecido. Apresentando uma versão que se diz mais eficiente em Tupi Antigo.


Teogonia

A falha das fórmulas pagã (cf. I Reis 18:27) ou judaica (cf. Isaías 18:27 e Eclesiástica 7:14) consistiria em por meio da sua extensão pressionar a divindade. A nova fórmula tem como principais características:

  1. Simplicidade e liberdade na invocação. A ordem das petições é característica dos ensinamentos de Yeshua;
  2. Inicia com uma prece tríplice, um apelo à intervenção divina para o advento de seus reino;
  3. Petições que exprimem as necessidades essenciais dos discípulos;
  4. Caráter comunitário;
  5. Mateus a apresenta com 7 petições e Lucas com 5;
  6. Uma tradução muito literal pode dificultar o entendimento da fórmula;
  7. Seguramente está ligada as Dezoito Bençãos judaicas.

Contexto histórico

A tradição registrada inicia com famílias da tribo nômade de Canaã buscando asilo aos faraós do Egito. A seca era muito grave na ocasião. Cada agrupamento hebreu, em todo o Egito, possuía sua própria deidade, a diferenciação dos deuses egípcios se dava pela forma “verdadeiro” não “único”. Era aceitável a existência de outras deidades, mesmo que considerados pelos hebreus inferiores às suas.
Esse movimento de inferiorização das deidades alheias, implica na prática da exclusão social. Ou seja os hebreu, refugiados no Egito se negaram a viver o modo de vida egípcio. A alimentação era diferenciada, a hora de prestação de culto, os dias de festa e dias de vigília. Os sacrifícios eram comuns para ambas culturas, porém com fórmulas muito diferentes. O resultado só haveria de um.
Marginalizados, os hebreus decidem regressar para as terras de origens. Canaã se torna a Terra Prometida. Assumiram o messianismo para realizar uma saída coordenada de um grande número de hebreu dos territórios egípcios. Que constitui uma manobra social em larga escala, de regresso ao modo de vida nômade nos desertos do oriente médio.
Os primeiros problemas foram os diversos cultos às divindades antigas hebraicas, afinal cada casa tribal hebraica possuía seu próprio “Deus Verdadeiro”. Então temos a regulamentação e centralização da fé monoteísta. Junto da Torá, livro sagrados dos povos hebreus (cinco primeiro livros do antigo testamento de todas as bíblias cristãs) nascem as dezoito bênçãos e todos as deidades hebraicas antigas passam a incorporar uma única, YHWH, o Senhor dos Exércitos. O Deus Único e Trino (dos Cristão, dos Judeus e dos Muçulmanos). Ao que consta, foram mais de 40 anos no deserto trabalhando a fé unificada na cabeça dos primeiros judeus.
Cerca de 2000 anos atrás, dissidências políticas entre o povo hebreu, novamente aldeados, encontraram na figura de Jesus o messias que os salvaria de todos os problemas sociais. Obviamente que não resolveu. aproximadamente 500 anos mais tarde, mais uma grande divergência entre os povos hebreus. Próximo a Meca povoados inteiros passam a aceitar que Maomé é de fato o último grande profeta do Deus Verdadeiros dos desertos. Para eles, Abraão, Moisés, João e Jesus são profetas com o mesmo grau de importância, entre outros profetas do deserto, porém suas profecias seriam incompletas ou má compreendidas, impossibilitando a correta aplicação das vontade de Alá, infinito e eterno. Neste modo de vida é considerado que Maomé obteve as revelações diretamente do anjo Gabriel. Essas revelações, corrente em sua vida, foram compiladas em 114 suratas , formando assim o livro sagrado dos sarracenos, o Alcorão.
Os seguidores do messias crucificado, o carpinteiro de Nazaré, para sobreviver entre Judeus e Sarracenos, e sendo minoria social, mantêm a discrição para sobreviver.
Com a mesma descrição formula Pai Nosso é ensinada oralmente. Os horários de reza pública, que ainda em uso entre os muçulmanos, passam a deixar de ser obrigatório aos fiéis. A Igreja Católica Apostólica Romana ainda mantém como prática ministerial da fé a liturgia das horas. O Pai Nosso, chamada também de Oração Dominical, passa a ser a principal profissão de fé dos Cristão. Além de uma discreta ferramenta na organização social fraternal cristã, que chamamos Igreja primitiva.
Cristãos em contato com os nativos Tupi iniciando mais um trabalho de evangelização em larga escala, ainda em ação. O que resultou também em registros sobre o modo de vida nativo. Esses registros foram utilizados como base teórica para o desenvolvimento deste trabalho de tradução e miscigenação cultural de forma racional, pacífica e construtivista.
A primeira fórmula do Pai Nosso em Tupi tem um caráter evangelizador, não de profissão de fé ou invocação divina pragmática na vulgata. A utilização como ferramenta de comunicação divina dos Cristãos Romanos ainda se dá oficialmente por meio do Latim. Quando fora do estado do Vaticano é aceitável a utilização da vulgata (a língua oficial ensinada e falada em cada região do mundo). Raros movimentos religiosos tem uma racionalização sobre a fé de forma tão profunda e organizada, como os Católicos. A crítica fica mais por conta do modus operandi, não necessariamente pelo conteúdo.


Tradução da Bíblia de Jerusalém

Desde a juventude, nas reuniões, encontros e palestras, sempre escutei que a tradução da Bíblia de Jerusalém é a tradução mais fidedigna para análises teológicas e ritualísticas. É a versão mais utilizada também pelos teóricos da fé cristã romana. Justificando o uso desta tradução em especial na presente analise.
Também são utilizadas as traduções do Peregrino e Ecumênico, para efeito comparativo.


Preparação individual para aplicação da fórmula

Bíblia de Jerusalém:

  1. Humildade;
  2. Coração;
  3. Confiança;
  4. Persistência;
  5. Fé;
  6. Pedir coisas boas;
  7. Sempre por nós, não pra mim: 7.1. Espírito Santo; 7.2. Perdão; 7.3. o bem até para perseguidores; 7.4. Vinda do Reino e força frente às provações;

Bíblia do Peregrino: subjetivo por propor algo mais individual, fugindo a qualquer fórmula;
Bíblia Ecumênica: Em horas fixas; quando orardes não multipliqueis as palavras combate ao estado de transe (suspiros mágicos; palavras vãs; fórmulas abracadábricas), a busca pela deidade está desvinculada de sentimentos extrasensoriais e/ou multissensoriais; a sua imagem e semelhança, especialmente no livre arbítrio de humanos e deidades;


Nhaderuvuçu

Latim: Pater noster, quis es in caelis
Bíblia de Jerusalém: Pai nosso, que estais no céu
Bíblia do Peregrino: Pai nosso do céu
Bíblia Ecumênica: Pai nosso, aquele nos céus
Variação e entendimento: Meu Pai; Meu Pai, o celeste; Vosso Pai, o celeste
Não se trata de uma simples petição. Mas sim de endereçamento cosmológico;

I mombe’uporangymbyra

O que deve ser honrado
Latim: Sanctificétur nomen tuum
Bíblia de Jerusalém: Santificado seja o Vosso Nome
Bíblia do Peregrino: Seja respeita a santidade do teu nome
Bíblia Ecumênica: Dá a conhecer a todos quem tu és
Variação e entendimento: ligação com o ser; identidade individual; pode ainda ser a própria ação divina.

O retama erur

Faz vir consigo seu próprio reino
Latim: Advéniat regnum tuum
Bíblia de Jerusalém: Venha a nós o Vosso Reino
Bíblia do Peregrino: Venha o teu reinado
Bíblia Ecumênica: Faze com que venha o teu Reinado
Variação e entendimento: o exercício de seu poder; para evitar o uso do nome da deidade; faze vir o teu espírito sobre nós, e que ele nos purifique.

Mopor a’e oremimotara ybype, îabé i ybakype

Realize na terra seu reino, assim como é no céu
Latim: Fiat voluntas tua, sicut in caelo, et in terra
Bíblia de Jerusalém: Seja feita a Vossa vontade assim na terra como no céu
Bíblia do Peregrino: cumpra-se o teu desígnio na terra como no céu
Bíblia Ecumênica: faze como que se realize a tua vontade, na terra, à imagem do céu
Variação e entendimento: Literal que tua vontade se realize como no céu assim na terra, referencia á Mt 26:42 e Lc 22:42; que se realize na terra uma situação que já existe no céu; céu como utopia

Îandé miapé ‘araîabi’õndûara, eîme’eng’i kori

Pão nosso de cada dia, daí o de hoje
Latim: Panem nostrum quotidiánum da nobis hódie
Bíblia de Jerusalém: O pão nosso de cada dia nos daí hoje
Bíblia do Peregrino: dá-nos hoje o pão de amanhã
Bíblia Ecumênica: dá-nos hoje o pão que precisamos
Variação e entendimento: o pão que nos é necessário para cada dia, com muitas teorias diferentes e controversas para fugir da questão social que envolva a fome. Puxando o entendimento para um sentimento de paz de espírito que a fé traz ao indivíduo mesmo em dificuldades terrenas.

Asé nhyrõ erekomemûã resé, îabé oré nhyrõukar

Perdoe nossas ofensas, assim como nós devemos perdoar
Latim: Et dimitte nobis débita nostra, sicut et nos dimittimus debitóribus nostris.
Bíblia de Jerusalém: E perdoa-nos as nossas dívidas como também nós perdoamos aos nossos devedores
Bíblia do Peregrino: perdoa nossas ofensas como também nós perdoamos aos que ofendem
Bíblia Ecumênica: perdoa-nos as nossas faltas contra ti, como nós mesmos temos perdoado aos que tinham faltas contra nós
Variação e entendimento: Busca distanciar o entendimento material e financeiro. Alinhando o entendimento com o conceito de pecado.

Sa’anga moîepe’a

Faz afastar-se a tentação
Latim: Et ne nos inducas in tentatióne
Bíblia de Jerusalém: E não vos submetas á tentação
Bíblia do Peregrino: não nos deixe sucumbir à prova
Bíblia Ecumênica: e não nos introduza na tentação
Variação e entendimento: faze que não entremos na tentação; a deidade não tenta e sua soberania é tão poderosa que pode interferir até nas intenções do tentador.

Aíba mopysyrõ

Fazer libertar-se do mal
Latim: Sed líbera nos a malo
Bíblia de Jerusalém: Mas livra-nos do maligno
Bíblia do Peregrino: livra-nos do maligno
Bíblia Ecumênica: mas livra-nos do tentador
Variação e entendimento: literal mas livra-nos do mal; tendência a materialização e personificação do mal, embora existam argumentos para todas as formas de mal, por força da sentença anterior estar ligado ao ser tentador.


Acréscimos

É aceito, sem explicações, pois teus são o reino, o poder e a glória para sempre;
PS. Slm 115;

Perdoe!


Curiosidades:

Tupã, em sua origem atlântica. A força da criação. Se mantém no cosmos como energia materializante, como o trovão, que trouxe o fogo ao domínio humano. Logo é mensageiro do criador.

Nhaderuvuçu, é totalmente desconhecido. Só se sabe que é a origem de tudo e todos, mas não se sabe, nem existem vias de confirmar suas determinações e real influência, ou mesmo ciência da nossa existência.

Aíba é a fórmula para o mal genérico. Uma preocupação ou dor passageira. Nas culturas Tupis é incomum uma deidade de caráter unicamente maldoso. O entendimento sobre similaridades do criador e criaturas é literal.

A fórmula amém é uma fórmula de origem direta dos hebreus da tribo nômade Canaã, do oriente médio. Um povo que existiu há mais de 5000 anos.Todas as culturas têm suas belezas. Cada qual representa uma face do Deus Desconhecido. No meu entendimento, pecado seria colaborar para que umas delas se perca no tempo.
Saravá, amém, salaam aleikum, axé, shalom, benção, salve, ave, que assim se faça, emonã

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s