Divindade eletrônica musical

Para muitos povos a música não tem significado verbal, mas sim emocional. Em antigas culturas paleoameríndias, que também possuíam uma relação diplomática continental, as mais velhas expressavam os sentimentos e aflições coletivas das mães. A sábia, a mãe pela qual toda as mulheres buscavam em momentos de aflição e angústia íntima, inicia no raiar do dia o clima que a aldeia iria seguir ao longo do dia. Se os tempos eram de festas a música era alegre e cativante. Se são dias de escassez, doenças e pragas, elas lamentam o choro do clamor e apelo à intervenção pela piedade divina de nossas pobres almas. Os homens assumem os trabalhos de lavoura, caça e coleta sob este mesmo ritmo. Mas cuidado, moças que tentam fugir dos lamentas da mãe, o boto, galante e bailante, está sempre à espreita.
A música é íntima. É coletiva. É atraente. É repulsiva. É a constância e a Ruptura. Nenhuma forma de música, jamais pode e deve ser proibida.
O Trance psicodélico é uma forma de expressão musical eletrônica, parte fundamental de um processo de construção intercultural musical milenar humano, produto oriundo da interação com outros universos, que vem se beneficiando dos processos de evolução tecnológico. Hoje produzimos facilmente uma hora de música ininterrupta, muitas vezes de sons e arranjos originais. Antes havia a impossibilidade tecnológica para armazenar tanta informação. O MP3 suportava poucas centenas de músicas. Hoje qualquer celular armazena milhares delas. Logo, poder fazer festas com mais de 12 horas de duração ininterruptas de música de qualidade é a maior demonstração do avanço tecnológico humano. E tudo o que há de mais avançado na tecnologia musical. Também queremos e usamos outros avanços tecnológicos como tecido impermeável de verdade, pra gente parar de ser enganado com barracas que molham mais dentro que fora. Mais produtos de beleza que possam proteger a pele dos raios muito forte do Sol, e o Sol nasceu pra todos. Também queremos avanços tecnológicos para reaproveitar ou diminuir nossos resíduos. Sem desligar o som, por favor.
Queremos ainda dar uma trilha sonora até para quem ficou de fora dessa. E isso tudo é proibido em Itapira. E está tudo bem para muita gente. Para alguns, menor número ainda, é até melhor assim. Desconsideram o número de empregos que são gerados, além da total e completa demonstração de desprezo pelo complexo trabalho de administrar uma festa com mais de 36 horas, para 5000 pessoas. Festas menores, mas com público muito superior, tem o agravante de contar um com parte do público que parece ter desejo pela contravenção. No entanto quanto maior, mais proibida ela é. Depois não adianta reclamar que deu ruim na festa, o Trance psicodélico precisa de tempo para agir.
Era sobre isso que eu refletia enquanto fazia esse trabalho de desenho com lápis de cor. Quase todos meus trabalhos são fruto de uma reflexão. É minha forma de organizar informações sobre questões complexas, como um set bem produzido de FullOn Morning.

JM 8-7-19

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