A vigilância contra a febre aftosa no Brasil é modelo mundial

Foto feita em 9‎ de ‎maio de ‎2013, durante vacinação assistida na Fazenda Baronesa, Itapira-SP

A febre aftosa é a doença vesicular animal viral aguda, altamente transmissível. Ataca especialmente animais de casco fendido, cujo o controle e tentativa de erradicação se dá pela vacinação de bovinos e bubalinos. Se trata de uma zoonose, transmissível ao homem. Porém os principais prejuízos são de ordem do bem estar animal e especialmente econômico.
Mercados como a união europeia, desejam a erradicação da Febre Aftosa. Como consequência direta da falta de compromisso com a saúde pública de uma parcela mínima dos produtores, que não aplicam corretamente a vacina, prejudicam toda a nação.
Em São Paulo, o último foco foi em 1996, e desde 1998, o órgão responsável pelo controle e erradicação da febre aftosa é a Coordenadoria de Defesa Agropecuária.

Vede escuro: Livre SEM vacina; Verde claro: Livre COM vacina; Vermelho: Zona susceptível; e Cinza: Risco desconhecido.

Prejuízos históricos com a febre aftosa

Em casos de emergências epidemiológicas, a velocidade e segurança das informações são fatores determinantes para o sucesso do trabalho para minimizar prejuízos econômicos, riscos para saúde de outros animais e evitar contágio aos humanos.
A doença foi relatada oficialmente no Brasil em 1895. Se alastrou ferozmente pelo país, sendo endêmica durante toda a primeira metade do século XX.
Somente em 1950 que começamos a pensar, discutir e aplicar práticas de vigilância agropecuária. No mesmo ano aconteceu a 1ª Conferência Nacional da Febre Aftosa.
As práticas de vigilância epidemiológica, com coleta de informações, iniciou na década de 60, quando foram registradas 2.748 focos.
Com o aprimoramento da inteligência e o início de programas de conscientização, além da efetiva contratação de mão-de-obra especializada para o serviço de saúde pública animal, conseguimos registrar quase todos os focos da doença na década de 70, somando  66.114 focos. Neste período a mortalidade variou de 40% a 60% do rebanho, em decorrência da alta febre e das muitas aftas que ela provoca.
Entre os anos 60 e 70, maior epidemia no Brasil, a mortalidade chegou há 88% em alguns focos. Porém ao final da década de 70, com práticas sanitárias sendo aplicadas pelos serviços públicos de vigilância e com a colaboração dos produtores rurais, a mortalidade foi reduzida para 34,43%.
Nas décadas seguintes os casos foram diminuindo consideravelmente: 25.248 focos nos anos 90; e 7.550 focos na década de 90.
Em 2000, no RS, um foco chegou a 3.439 km², envolvendo aproximadamente 130.000 animais. Além de sacrifício sanitário de 8.185 bovinos, 772 ovinos, 4 caprinos e 2.106 suínos, os prejuízos chegaram a US$ 1.150 milhões. Sem contabilizar os encargos trabalhistas dos vigilantes, do brasil todo, que tiveram de atuar emergencialmente para conter e limitar a proliferação do vírus novamente.
Finalmente em 2002 o Brasil viveu seu primeiro ano livre de febre aftosa desde 1895.
De acordo com o portal FMD, da Organização Mundial da Saúde Animal – OIE, o Brasil, Equador, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguaia, são zonas livres da Febre Aftosa com vacinação. O estado de Santa Catarina, o Suriname, as Guianas francesas,  Peru e Chile são zonas livre de Febre Aftosa sem vacinação. Na Guiana a classificação de risco é desconhecida pela OIE e a Colômbia é dada como zona suscetível a Febre Aftosa.
Estima-se que a doença circule em 77% da população mundial de animais, na África, no Oriente Médio e na Ásia. Os países atualmente livres da febre aftosa permanecem sob constante ameaça de incursão.

Serviço público de vigilância agropecuária no Brasil

Para ilustrar a questão podemos apontar diversos problemas e falhas na tentativa de unificação dos serviços públicos no Brasil. Sempre atribuímos isso a nossa proporção territorial continental. Assim programas como o SUS ainda penam para se fazer de fato um serviço único com a qualidade que nós, brasileiros, merecemos.
No entanto as medidas adotadas no Brasil contra a Febre Aftosa, em especial entre as décadas de 60 e 70,  criaram um modelo de trabalho integrado entre as municipalidades, os estados e a federação, com grande colaboração dos produtores, pequenos e grandes, e de entidades e iniciativas privadas.
O sucesso se deu pelo empenho dos servidores públicos no levantamento de informações e realização de ações diretas no campo, juntos dos produtores, assim como a constante melhoria da qualidade das vacinas e na identificação de áreas de risco. Ainda foi desenvolvido um grande estudo sobre o trânsito de animais vivos no Brasil em comparativo a ocorrência da doença. Nossa principal arma contra a Febre Aftosa, e de outras doenças e pragas, se dá pelo controle do trânsito dos animais e produtos da agropecuária.
Todo esse trabalho, que já conta com mais de 70 dedicados anos à saúde animal e a qualidade dos alimentos, fizeram entidades como a Organização Mundial de Saúde Animal – OIE, reconhecer o Brasil como país modelo em boas práticas de vigilância agropecuária.

Serviço de vigilância agropecuária em São Paulo

Em 2019 podemos, orgulhosamente, dizer que a vigilância agropecuária no Estado de São Paulo é totalmente integrado e em tempo real desde meados de 2007, graças a inovação representada pelo  Sistema de Informação de Defesa Agropecuária de São Paulo – SIDASP web (desenvolvido por servidores técnicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento – SAA).
Com o sucesso operacional do SIDASP web e considerando novas tecnologias, nos anos 2000 foi encomendado a ferramenta de Gestão de Defesa Agropecuária Animal e Vegetal – GEDAVE. Iniciado em 2013, já com possibilidade de acesso direto pelo produtores rurais e demais profissionais do setor agropecuário, o GEDAVE recebe atualizações e melhorias constantes, integrando cada vez mais os muitos serviços de vigilância agropecuária que, são reflexo também do conhecimento gerado no combate a Febre Aftosa no Brasil. Atualmente existe um empenho maior para a total implementação de módulos de vigilância sobre a utilização de agrotóxicos.
Segundo dados oficiais o rebanho paulista de bovinos supera os 10 milhões de cabeças. Destes 33.862 bovídeos estão em Itapira. Registramos eficiência de vacinação na casa de 98%.
A não vacinação e a não comunicação da vacinação são passível de penalização, medida preventiva contra descontrole sanitário pela falta de informações.
O Estado de São Paulo é classificado, pelo MAPA e OIE como: livre de Febre Aftosa COM vacina. Rumo a certificação internacional de território livre sem vacina, a dose da vacina contra febre aftosa foi reduzida esse ano, de 5 ml para 2 ml por bovídeo.
Mais do que nunca é preciso que todos os produtores tomem consciência sobre esse processo e ajustem seu manejo dentro das boas práticas produtivas. Já estamos passando por inúmeros retrocessos, a Febre Aftosa não pode ser mais um deles. Não temos condições sociais e econômicas para uma crise na cadeia produtiva de carnes. Ainda mais, em tempos que se deseja livre exportação de animais vivos.

Serviço de vigilância agropecuária em Itapira

A partir de novembro de 2018 a Casa da Agricultura de Itapira voltou a contar com técnico em agropecuária com exclusividade no serviço público de vigilância agropecuária.
João Marquezini, Ingressou na Defesa Agropecuária de São Paulo em 2008. Atua nas áreas de comunicação, identidade visual, gestão de documentos e processos da administração pública direta, além das atribuições de vigilância ativa.
Em Itapira espera implementar formas de ação que possibilitem não somente a manutenção da eficiência contra a Febre Aftosa, como também se espera contribuir para um avanço mínimo de comportamento dos produtores locais em relação às questões sanitários e epidemiológicos.
É fundamental que todos os envolvidos entendam que o Serviço de Vigilância Agropecuária é parte fundamental para a manutenção da saúde animal e humana, além de garantir melhor alimentação de todos. Além de manter rodas de comércio abertas.

(14-7-8 – 11 anos SP) JM 26-6-19 – T.I. 14-7-19

Principal referência bibliográfica
LYRA, T. M. P.; SILVA, J. A. A febre aftosa no Brasil: 1960-2002. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.56, n.5, p.565-576, 2004.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s