Itapira de todos e do tempo

A noção do tempo histórico é fator essencial para o entendimento destes ensaios sobre a História de Itapira. Assim proponho o exercício reflexivo a partir de alguns parâmetros gerais sobre a humanidade no planeta Terra, sendo 1 (um) ano  o tempo que a Terra gasta para dar uma volta em torno do Sol.
Itapira está completando 199 anos (ano que vem, 2 séculos). Os portugueses chegaram ao Brasil há 519 anos (5 séculos atrás). No intervalo entre 1500 e 1820 a descoberta e saqueio do ouro e da prata paleoameríndias foi um dos principais motores do acúmulo de capital europeu, responsável pela desigualdade social vivida ainda hoje no mundo. A cristandade se iniciou há 2.019 anos (21 séculos). Povos como os Ava Guarani (umas das maiores nações que já existiu e ainda existe nas américas) tem mais de 4.000 ano (40 séculos) de História.
Estima-se que os paleoameríndios já construíam seus complexos em pedra, nas cordilheiras dos Andes há 3.800 anos (38 séculos). Esses povos, incluindo os viventes nas matas Amazônica e Atlântica, já dominavam a agricultura e plantavam abóbora, batata, milho e mandioca, entre muitos outros alimentos, há 7.000 anos (70 séculos). Luzia, o nome que demos para o crânio de uma mulher que encontramos em Minas Gerais, falecida com pouco mais de 20 anos de idade, viveu há 12.000 anos (120 séculos).
O espécime humano mais antigo já encontrado viveu há aproximadamente 3,2 milhões de anos na Etiópia.
Sabemos quase sobre o que aconteceu no mundo até o marco 0 do calendário gregoriano. Dos 3,2 milhões de anos em que o homem vaga pelo Mundo, temos registros seguros apenas dos últimos 2000 anos. Precisamos aceitar que, apesar dos avanços tecnológicos ocorridos especialmente nos últimos 30 anos, sabemos muito pouco. A sede de poder de alguns indivíduos acabam com Nações inteiras. É sobre isso que estamos falando a todos momento. Os povos europeus, sendo eu um descente direto, se acha demais. Se coloca numa posição de superioridade inexistente. Faz disso sua verdade e não se possibilita entender os demais movimentos, e declara guerra por qualquer coisa. Nós matamos pela glória de poucos, contribuindo com o desespero de muitos.
É preciso buscar entender e incorporar aspectos culturais de todas as esferas, quando estes se mostrar ser mais eficientes para uma melhor qualidade de vida de toda a sociedade.
Nossa falha está em desconsiderar a identidade histórica dos povos Tupi como parte de nossa personalidade individual, mesmo que longe da relação consanguínea. Assumir a cultura Tupi como parte da Brasilidade seria incorporar de formas mais efetivas e explícitas, padrões comportamentais que pode trazer mais conforto emocional e harmonia social a todos. Precisamos acertar nossa relação territorial.
Indícios arqueológicos sugerem que grande parte da mata Amazônica foram cultivadas pelos Tupi. Havendo intensa domesticação e seleção de vegetais e animais. Chamamos essas matas criadas pelo homem de mata antropogênicas. Estudiosos mais ousados dizem o mesmo sobre a mata Atlântica (não havendo mais mata nativa suficiente para garantir evidências confiáveis sobre essa relação). Ou seja, precisamos aceitar que de fato somos invasores nestas terras. E há espaço para todos, é só organizar.
Todo o estudo sobre esse povos passam por muita observação e comparação. A diversidade cultural dos povos Tupi é gigante, variando o uso de adornos, formas de produzi-los e suas formas e cores, assim como o jeito de dançar e musicalizar. Porém a organização social e interação com a mata é muito semelhante numa parcela significativa, o que me da base para usar o termo Tupi para generalizar os nativos em suas diversas e distintas formas. Assim como gaúchos apresentam diferenças culturais dos baianos, não impedindo nenhum deles de se chamar brasileiro.
Resumindo e contextualizando:
Os povos europeus primitivos viviam em disputas tribais por territórios. Parte dos europeus encontram no mar um saída, assim nascem os mitos sobre Terra Brasilis, a terra sem males. Sem guerra, onde alimento verte como água do chão. O Paraíso na Terra. Quando encontram e descobre que além de alimentos no chão brota ouro e prata, toda a europa quis sua parte por direito divino ao paraíso.
Assim, cerca de 500 anos os povos nativos sofrem com o genocídio (direto e indireto), o que acarreta o fim de civilizações de mais 4.000 anos de História oral. As matas, para indígenas, representam sua alimentação, seu remédio, seu lazer, sua casa. As matas para europeus, representa especulação imobiliária. O progresso para os indígenas é conviver bem, se alimentar bem, honrar os espíritos das matas com festas, visitar familiares e amigos, se enfeitar, cantar, dançar e tomar banho de rio. O progresso para os europeus é saque, fogo, frio, fome, isolamento e exaustão.
Embora os primeiros contatos e conflitos entre Tupi e Europeus tenham ocorrido no Nordeste do Brasil, o primeiro povoado fundado pelos portugueses foi São Vicente, no Sudeste, em 1532, fundamental para a entrada no continente e especialmente como ponto de apoio aos navegantes que faziam a rota de Portugal às Índias por mar.
O porto de Santos passa a ser controlado pelo Portugueses em 1536. O povoado que se tornaria a capital São Paulo, encruzilhada de 5 grande estradas para todo o continente Sulamericano, entra no domínio português em 1554. Somente em 1820 europeus iniciam a construção da capela em honra a Nossa Senhora da Penha nas terras que chamamos Itapira.
Pensando em facilitar a relação com a cronologia nesta visão mais ampla da História de Itapira, ultrapassando os domínios europeus, entrando em domínios nativos, dividi a História de Itapira em 3 grandes eras:

1. 1500 anos atrás, o tempo dos nossos ancestrais: Tema que será apresentado de forma mais superficial, pela falta de registros históricos e evidências arqueológicas. Em geral o material utilizado para entender esse período é por meio dos registros dos padres jesuítas, assim como diários de viagens de mercadores e marinheiros. Também busco-se integrar as narrativas nativas, porém encontramos muito pouco conteúdo disponível.

2. de 1500 a 1800, o tempo dos nossos avós: Meu principal foco de estudos neste momento. Base para a série de ensaios do projeto histórico: Itapira 200. A base de pesquisa são documentos oficiais das cortes europeias, considerando a narrativa popular nativa e popular europeia. Para entender o interior, nossa região especialmente, a principal fonte de pesquisa são diários de viagens de estudantes, pesquisadores e exploradores que passaram em turismo por nossas terras no começo do Século XIX. Documentos oficiais do Império do Brasil são essenciais, assim como toda carga de referência bibliográfica básica para o período;

3. de 1800 a 1930, o tempo dos nossos pais: Entendo como a consolidação da identidade caipira e início da era moderna brasileira. Esse intervalo de tempo venho estudando desde sempre, é meu favorito. Porém nesta série de ensaios ela ficará em segundo plano. Pois já tempos em 1800 uma efetivação da hegemonia europeia no nosso continente. Marcando o fim dos modos de vida Tupi no Estado de São Paulo;

4. A partir de 1930, é futuro, o nosso tempo. O único momento que algo pode acontecer para enfim nos tornamos um povo forte e unido. O único momento em que podemos garantir um mundo melhor. A janela de possibilidades está se fechando, não podemos perder o bonde da História mais uma vez.

JM 9-8-19 T.I. 11-8-19

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