Aos Deuses Democráticos

Primeiro precisamos entender que nós, seres humanos, dotados das mesmas capacidades cognitivas e força física, caminhamos pela Terra há mais de 30.000 anos. De acordo com evidências históricas, as que resistiram e que foram estudadas, a descrença nos Deuses tem alguma ligação com Egito, quando Moisés decidiu que os hebreus de Canaã deveriam voltar ao estilo de vida nômade nos desertos. As terras de Canaã foram o que chamamos hoje  de Israel, Líbano e parte da região junto ao Mar Mediterrâneo. É preciso considerar que o próprio Moisés teria entendido o conceito de monoteísmo com as novas políticas para o culto a Aton, instituída pelo Faraó Aquenáton, 1.300 anos antes do nascimento de Jesus.
Antes de avançarmos é preciso entender alguns conceitos básicos:

a. Teísmo: Crença na existência de ao menos uma entidade divina;
b. Ateísmo: Crença na NÃO existência de qualquer entidade.

1. Politeísmo: Sistema de crenças em que se aceita e respeita outros Deuses além da devoção particular;
2. Henoteísmo: A forma religiosa em que a crença particular é colocada como superior à todas as outras;
3. Monoteísmo: Doutrina religiosa que defende a existência de uma única divindade.

Egípcios, assim como hebreus e outros muitos povos espalhados pela Terra ao longo dos séculos, pregavam o politeísmo base religiosa. Rá, o Sol-do-Meio-Dia, ganha relevância no período que chamamos de Império Antigo, mais de 4.600 anos antes desse ano. De mais um Deus local e doméstico, Rá é elevado para espírito criador: No esforço da construção do Mundo, do suor e das lágrimas de Rá, surgem os Homens.
Para o mito ganhar força templos de diversos outros Deuses (alguns muito mais adorados que Rá) são atacados e incorporados na fé henoteísta: com vitória sobre os sacerdotes de Horus nasce Rá-Horaqueti; os sacerdotes de Amom também são subjugados e sua doutrina é revertida ao recém-criado Amom-Rá; muitos outros sacerdotes “livremente” se converteram neste cenário, legitimando a Doutrina para Rá e garantindo a soberania dos Faraós sobre todos os homens e seus Deuses.
Há cerca de 3.300 anos solares, antes de 2019 do ano de Cristo, uma outra linhagem de Faraós assume o trono, educados segundo outro Deus Sol Egípcio. Rá passa a ser identificado como Aton. Moisés foi criado neste contexto. Outras mudanças governamentais posteriores levaram a volta da doutrina de Rá, estabelecendo sua fama de Deus mais poderoso do Antigo Egito.
No Egito além das tramas políticas, a vida era colorida, movimentada e farta. O trabalho livre e assalariado era praticado, e com maquiagem para todos. Os hebreus tiveram dificuldade de adaptação cultural, devido a vida simples e nômade dos desertos. Uma forte seca motivou parte dos hebreus buscarem asilo nos povoados egípcios. Os hebreus foram aceitos, mas marginalizados.
Refugiados e famintos só tem seus Deuses. O politeísmo se torna henoteísta a medida que o indivíduo atribui sua vida totalmente a vontade divina. Quando a vida já perdeu completamente seu sabor, porém ainda se respira, sem consciência da motivação existencial. Se o “Meu Deus” é capaz de tamanho feito: governar a Vida de um homem contra sua vontade: Ele só pode ser o maior de todos. Em volta, só miséria, desespero e morte. Neste ponto a “minha crença” passa a ser a “verdadeira crença”, o “meu Deus” passa a subjugar os outros Deuses, mesmo no próprio clã. Os que se recusam a nova ordem são banidos ou “purificados”. A democracia é subjugada e a tirania, anunciada.
O messianismo é um mecanismo social importante para culturas nômades e seminômades, observamos isso entre os povo Tupi também. O movimento e equivalência entre os Deuses auxiliam no debate e organização do grupo frente à necessária e eterna busca da Terra Sem Males. No egito aparece o profeta que “libertou” o povo Hebreu do Egito. Penso mais em um saída estratégica e em massa, com a finalidade de reconstruir o modo de vida dos desertos.
Os hebreus haviam mudado após sua vivência entre os egípcios lutando pelo monoteísmo. A relação entre os Deuses Hebreus não eram mais tão politeístas. Cada família tenta elevar seu próprio Deus sobre os outros, tentando subjugar as crenças alheias a sua própria vontade. Moisés, crescido sob influência da nova doutrina para o culto a Aton, acaba por apresentar um novo conjunto de Leis, uma doutrina religiosa rigorosa, buscava ter controle as rixas entre as famílias. HYWY, O Senhor dos Exércitos é colocado como única entidade divina, criador e governante de tudo o que vemos e o que não vemos. Onipresente, onipotente e onisciente, o Deus da Guerra dos Hebreus saiu vencendo e incorporando seus inimigos, ficando ainda mais forte e mais grandioso. Um único Deus, não precisa mais de que um representante. Essa é a lógica da primazia política dos dos faraós, passando ao papado católico e terminando no Edir Macedo.
A influência católica é forte em nossa sociedade, a começar pelo sistema de contagem de tempo. O atual calendário se trata de um sistema adaptado do Romano, cujo o marco zero é o ano em que teria nascido Jesus de Nazaré. Tal modelo entrou em vigor por meio de Decreto do Papa Gregório XIII, entrando em vigor na sexta-feira, 15 de Outubro de 1582. Espanha, Itália, Portugal e Polónia, aceitam de imediato o Decreto Catolico, a França em Dezembro do mesmo ano. O Calendário Gregoriano também compensou uma diferença acumulada ao longo de séculos entre o calendário juliano e as efemérides astronômicas. Poucos são os que preferem estar em desacordo com o Sol a estar de acordo com o Papa. Assim a Turquia foi o último país há efetuar uma mudança formal, do calendário muçulmano para o gregoriano em 1 de fevereiro de 1927. A Fé determina diversos aspectos de nossa vida, independente da nossa própria vontade.
A Fé muda qualquer um, em qualquer lugar, em qualquer situação, por meio de qualquer Deus. Cristo, sendo um homem nascido de uma mulher, como todos nós, assume sua incapacidade de mudar as pessoas, e demonstra sua face divina: o reconhecimento dos próprios limites; Por isso o maior ensinamento Cristão é: (…) vai: a TUA Fé te salvou (Lucas, 17:19).
Conheci melhor Jesus de Nazaré no rastro de Gandhi que pela bíblia. Antes de ler a biografia do Mahatma eu não entendia a diferença entre Cristo e cristianismo, levei muitas leituras para entender os motivos para se manter no hinduísmo, tendo preferência ao pensamento expresso no Novo Testamento. Na dúvida fiz igual, me mantive na tradição religiosa familiar e local, até 2016.
Jamais conseguiremos provar a existência ou não de entidades divinas, mas sabemos que humano nenhum possui sangue que não da cor vermelha. Todos estamos aprendendo a sobreviver nessa Terra. Sem saber como chegamos e nem como partiremos. Decisões sábias são tomadas pela Razão, mesmo quando se trata da Fé. A Fé quando desconexa da Razão é perigosa, a soberania do indivíduo sem razão, mas com Fé, é ainda mais perigosa. Em Reykjavik, capital da Islândia, Norte da Europa, está na fase final a construção de um Templo dedicado a Odin. Fazia mais de 1.000 anos que os europeus não erguiam templo politeísta e nas últimas décadas foi comum templos cristãos serem transformados em bibliotecas e livrarias. Junto o neopaganismo cresceu mais de 10% dos últimos 10 anos, e no Brasil as estimativas são para mais de 30.000 indivíduos assumidamente neopagão.
Registra-se a súplica deste jovem sacerdote aos Deuses da Democracia: Iluminem nossos caminhos, corações e pensamentos, rumo a uma sociedade inclusiva.

JM 19-9-19 – T.I. 22-9-19

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