Nem esquerda, nem direita: Socialismo e Liberdade

Não precisa ficar histérico e gritar #BolsoDoria. Teve deputado que conheceu Fidel Castro (*1926 +2016) e não mudou nada, logo não será um ensaio simples e limitado que vai mudar. Desejo apenas fazer algumas pontuações que julgo serem importantes para colocar luz sobre alguns pontos das ideologias políticas que, em geral, as pessoas tendem a confundir.
Um segundo ponto importante é compreender que, apesar de estar ousando escrever sobre teorias marxistas, não me considero representante desta linha de pensamento. Marxistas tendem a não se alinhar com os pensamentos culturalistas, e meu esforço e preferência se encaixam melhor no pensamento Culturalista, apresentado pela revista científica francesa: Annales d’Histoire Économique et Sociale (Anais de História Econômica e Social); editado por Lucien Febvre (*1878 +1956) e Marc Bloch (*1886 +1944) em 1929. Penso que Eric Hobsbawm (*1817 +2012) seja um bom representante da mediação e renovação dos métodos para análise histórico-social considerando aspectos Materialistas e Culturalistas (ainda pouco estudado por este que vos escreve).
Gosto muito de Bloch especialmente por ter cunhado explicações simples sobre a História e o Historiador, em sua obra póstuma: Apologie de l´histoire (Apologia da História); organizado por Febvre e publicado em 1949:

“a História é o estudo do Homem no Tempo.”

“O historiador é como o ogro da lenda. Onde fareja carne humana sabe que ali está a sua caça.”

Marc Bloch, 1944

Até o Século XIX a História não era do Homem, mas apenas de uma pequena parte dos homens, geralmente do sexo masculino, cútis branca e possuidor de muito ouro. Eram narrativas das elites, nobrezas e da grande burguesia. O ofício de historiador era limitado a exaltar (exagerando e muito, muitas vezes omitindo ou mesmo mentindo) as ações e importância de seus contratantes. Não considerava o cotidiano dos trabalhadores como parte da História. Ainda hoje dizemos que foi JK quem construiu Brasília (Patrimônio Cultural da Humanidade, pelo conjunto arquitetônico moderno, idealização do comunista arquiteto Oscar Niemeyer (*1907 +2012) e pelo engenheiro estrutural Joaquim Cardozo (*1897 +1978)). Pouco ou nada  se fala e se escreve sobre a vida dos que assentam os tijolos, ou dos que limpam e lustram os grandes e fabulosos palácios e mansões, ou mesmo dos que costuram as bandeiras das grandes nações mundiais. Pessoas que não se limitam a obedecer ordens, mas criam e desenvolvem formas de trabalho, inventam equipamentos e ferramentas, além de contribuir com a identidade nacional. A exemplo, temos a já clássica bandeira no carpete azul do Senado do Brasil, desenhada voluntariamente desde 1998 pelo faxineiro Clodoaldo Silva (*1970) que, em 2015 deixou de escrever “ordem e progresso” como forma de protesto político.
Karl Marx (*1818 +1883) rompe com a barreira elitista da História e inicia sua democratização. Busca explicar a trajetória humana pela real força motriz do desenvolvimento das sociedades humanas: os Trabalhadores. Daí a alcunha atual Materialismo Histórico, rompendo com mais uma personificação e provando que o movimento macro histórico materialista não nega críticas, aplica autocrítica e não deixa se levar pelo fervor emocional caloroso e nostálgica ancestral, além do ardor revolucionário. Marx teve sua vida dedicada ao trabalho de compilar e explicar a lógica do mercado desde o florescer da civilização egípcia antiga, sua principal obra um conjunto livros: Das Kapital; cujo autor só viveu para ver publicado o 1º volume em 1867; o 2º volume foi publicado em 1885 e o 3º em 1894. Temeroso pelo futuro opressor que vislumbrou em suas análises, apelou já em 1848: Trabalhadores do mundo, uni-vos!
Os trabalhadores ainda têm dificuldade em se enxergarem nas teorias marxistas, dadas como radicais pelos radicais capitalistas, e é possível que o trabalhador brasileiro nem tenha tomado ciência sobre o culturalismo. A realidade social humana, vista de longe, pode parecer distorcida, sombria e irracional. Assim não houve união das classes trabalhadoras e como previsto na teoria dialética, surge o fascismo e seu aprimoramento, o nazismo como oposição ao Comunismo de Marx.  O Exército Vermelho, teve que se mobilizar, junto ao grande capital (materializados especialmente nos impérios Britânico e Norte Americano), formando a Aliança para libertar Berlim. A ofensiva militar das Repúblicas Socialistas Soviéticas aconteceram do dia 16 de abril a 2 de maio de 1945. Mesmo assim não ocorre união dos trabalhadores e é mantida a divisão. Ninguém tem orgulho das coisas que circulam essa parte da História.
Impossível estudar tudo, menos possível ainda é explicar tudo. Sempre ficam lacunas, e pontos cegos. Muitos dos inspirados por Marx buscaram estudar e analisar as breves histórias dos “vencidos”, na intenção de complementar e colocar a prova o método de pesquisa humanista, e assim nasce o Culturalismo Histórico, que ganhou o Mundo pela Escola dos Annales. Tal movimento deu voz e eternizou centenas de povos, representando incontáveis seres humanos que já passaram pela experiência de viver neste planeta.
Marc Bloch  (*1886 +1944) foi bolsista, efetuou doutorado sobre o fim da escravidão. Era professor de economia em Sorbonne e a partir de 1919 já era considerado um dos grandes especialista em Idade Média francesa. Condecorado militarmente por ferimento em batalha na 1ª Guerra Mundial, voltou a lutar na resistência francesa durante a 2ª Guerra Mundial, junto aos franco-atiradores. Foi preso e torturado pelos Nazistas na França, sendo fuzilado em Lyon, no dia 16 de junho de 1944. O filho mais velho, Étienne Bloch (*1921 +2009), foi pra linha de frente junto da 2ª. Divisão Blindada do General Leclerc, libertando Paris do Nazismo 2 meses depois da execução de seu pai. Depois, Étienne, se dedicou a política em defesa das vítimas sobreviventes do Nazismo, e nos últimos anos de sua vida foi guardião da memória libertária e revolucionária do pai, lançando textos inéditos.
Só a título de curiosidade: Não temos uma grande evolução do pensamento capitalista (cada um por si, contra todos) desde Adam Smith (*1723 +1790). Por isso liberais tendem a se aliar a conversadores, e raramente se posicionam ao lado de progressistas.
O termo Comunismo remonta aos primórdios da humanidade. Quando sem grande tecnologias toda a produção era manual, poucas coisas eram possíveis de ser realizadas individualmente. Camponeses, mesmo que com demarcação de terras, trabalhavam todos juntos, em todas as propriedades, como comunidade. Os líderes políticos e religiosos auxiliavam na regulagem sobre o que, como e quanto se produziria de determinados produtos, assim como efetivam o comércio do excedente e buscavam inovações e melhorias. Jamais se falou em repartir as coisas sem trabalho. Pelo contrário, o Comunismo é a exaltação máxima do trabalho e arte humana. Sua propaganda sempre priorizou em mostrar belezas naturais e os trabalhadores em comunhão. O desenvolvimento econômico é mais lento, porém mais igualitário. A prioridade é exterminar a miséria e possibilitar mais oportunidades.
O termo Capitalismo está ligado a cabeça, principal, mandante, dominante. A prioridade: O lucro. O problema é que sem a compreensão do coletivo não há motivação individual para uma adequada execução do trabalho. E para muitos seres humanos, como eu, a motivação financeira não é suficiente. Lembrando que na nossa realidade Brasileira, a motivação financeira raramente é tentadora pelo seu mísero montante. Com as atuais reformas do Direito Trabalhista e Previdenciário, até mesmo o salário mínimo está comprometido. As oportunidades estão cada vez mais raras. Lembrando que sempre tem um profissional disposto a executar o mesmo serviço por um valor menor que o praticado no mercado. A qualidade é relativa ao que se pretende com o serviço. Como falta motivação comum, a economia é na base  da porcaria.
O Socialismo e Liberdade, como movimento político, está ligado ao grande bloco político central do espectro Político Histórico. Em muitos lugares pelo Mundo é conhecido como Social Democracia, que por aqui ficou marcado pelas secretas e obscuras correntes conservadoras, individualistas e plutocráticas do PSDB. Por isso a necessidade de reafirmar a Livre Sociedade dos Trabalhadores do Brasil.

JM 31-10-19 – T.I. 3-11-19

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