E o gado? Tá vacinado contra Febre Aftosa?

Caminhamos para 4 décadas de Campanhas de Vacinação contra Febre Aftosa bem sucedidas no Brasil, mas com especial eficiência no Estado de São Paulo. Doença que pode ser umas das causas, não consideradas pela História, para explicar o grande êxodo rural brasileiro. Não existem dados seguros, mas sabemos que na década de 1980 (os primeiros dados mais próximos da realidade) tivemos perdas de até 88% em determinadas regiões do Estado.
Somos um Estado que cresceu como o café, mas que era puxado por bois. Nossa especialidade: o transporte da boiada. Por aqui passavam as comitivas cuiabanas, rumo litoral e ao sul. Gaúchos raramente vinham, nossas comitivas levavam bezerros paulistas e do norte e nordeste, voltavam com gado gordo, cavalos, ervas, queijos e cereais. Muito dos animais criados aqui ainda viajavam para recria no norte e nordeste. Se tínhamos os barões do café, também havia “Doutor Boi”. Em Ytapirá, na época chamada Penha do Rio do Peixe, em 11 de fevereiro de 1888, um criador de gado, confederado norte americano, sulista (derrotados na guerra civil americana em 1865, efetivamente a abolição da escravatura lá), foi indicado como mandante do “crime da penha”: o frio e cruel assassinato de Joaquim Firmino, na frente da mulher e das filhas; Fora acusado de ser abolicionista. A Lei Áurea foi assinada em 13 de maio do mesmo ano de 1888.
Nas nossas belas paisagens, prados verdes as montanhas azuis, não faltam pastagens. O gado permeia a História de São Paulo tão ou mais que o café, mais carioca. Pois o Paulista, trazendo na testa o pó da viagem, amarra em cada pé de café um boi da invernada, garantindo que ainda reste, no pasto, uma boiada; Segundo registrado por Tião Carreiro (*1934 +1993), “O Rei do Gado” (composição de Teddy Vieira, 1961), tem sua corte em Andradina – SP, rota para o Pantanal e ponto de parada para quem vem pelo Rio Paraná. Foi com os pantaneiros que os Paulistas aprenderam a levar gado por água. Hoje setores da política conservadora lutam para facilitar ainda mais o transporte de animais vivos pelo Atlântico, saindo de Santos. Acredito que o corte fino, especialmente preparado pras churrasqueiras gringas sejam um retorno melhor que enviar nossa matéria prima e genética para o estrangeiro. Para além das questões econômicas, é desumano submeter nossos bovinos há esse tipo de trânsito. Não há mais nada a comentar sobre.
Nunca havia percebido como estamos ligados ao gado? Somente os paulistas metropolitanos, da nossa capital, consomem cerca de 11% de toda produção nacional de carne bovina. E 80% de toda nossa produção é para o consumo interno. Salvo as grandes marcas, toda a carne encontrada no mercado do bairro é produzida na própria cidade ou em cidades circunvizinhas.

“Vale lembrar, contudo, que o pico de importação de carne bovina pelo Brasil aconteceu no ano de 2013, quando as compras alcançaram o equivalente a US$ 388,69 milhões.”

Ivan Formigoni [matéria completa], 2019

Há quem diga que havia crise durante o Governo PT. Não vamos falar de política. Estamos falando da capacidade produtiva e consumo no Estado de São Paulo. Que, segundo o próprio governo, tanto produção, quanto o consumo, da carne bovina vem reduzindo nos últimos anos; dados disponíveis pelo Instituto de Economia Agrícola – IEA /SAA/SP. Cabe nos questionarmos, sobre a redução: Por força de crise econômica? Ou pela readequação alimentar das pessoas?
O avanço do motor de combustão interna, aliada a epidemia da Febre Aftosa, ao meu ver, compõem as principais causas do rápido fim da cultura caipira de São Paulo. Pois ao ponto que as comitivas iam sendo substituídas por caminhões, seus antigos padrões estavam queimando e enterrando o gado doente, limitando cada vez a oferta de trabalho para carreiros e boiadeiros. Momento histórico também registrado na voz de Tião Carreiro, na música “Nelore Valente” (Sulino e Antonio Carlos, 1886). Hoje temos além de registro histórico da cultura caipira de São Paulo, temos o melhor método do Mundo para se aprender a tocar instrumentos de cordas: o Método Tião Carreiro, do ponteio de viola. Insuperável e com forte influência das rodas de jongo africanos.
Tudo isso para tentar expressar a importância quanto a erradicação da Febre Aftosa em nosso Estado. Superamos a crise produtiva e hoje temos o 2º maior rebanho bovino do Mundo. Sendo interesse público desde a instituição da Campanha de Combate a Febre Aftosa pela Lei nº 49, de 25 de abril de 1969.
Já escrevi um pouco sobre a superação da crise epidemiológica por intervenção pública nas propriedades nas décadas seguintes [ensaio citado]. Hoje já não há mais a intervenção, porém há obrigatoriedade legal de comunicação de informações sobre o rebanho e sobre as vacinações ao Governo do Estado de São Paulo.
No entanto alguns produtores, em geral pessoas que nem dependem do gado, se alimentam com carne importada, pensam estar acima das obrigações civis e colocam toda nossa comunidade em risco. Pois além do controle e erradicação da Febre Aftosa, as CEFA’s possibilitam uma série de ações coordenadas e coletar informações seguras para ação rápida e práticas em mais de uma dezenas de programas sanitários e epidemiológicos do Brasil. Os profissionais que que colocam a vida em risco em cavernas para observar a população de morcegos hematófagos, principal causa de Raiva (vírus mortal) que, não raro, infecta humanos, colhem informações dentro da estrutura criada no combate da Febre Aftosa. A vigilância sobre Itapira para o combate a Raiva é importante para o todos animais e humanos, pois locais pedregosos existe maior incidência de morcegos que se alimentam de sangue. Por isso a tolerância é zero para qualquer produtor que “esquecer” de vacinar, e a multa é pesada.
O calendário de vacinação é um entendimento técnico, considerando diversos órgãos independentes de vigilância sanitária, oficiais ou não, assim como conselhos de classe e sempre com base em pesquisas sobre as prevalências. Nesta análise entram: o período que não temos ocorrência da doença; condições gerais das propriedades; eficiência das campanhas passadas; a qualidade da vacina fabricada e aplicada; a eficiência dos agentes imunológicos naturais e biotecnológicos; o calendários de vacinação nas territorialidades vizinhas; focos em territórios vizinhos; observação sobre sintomas em campo; o tempo de respostas dos órgãos em caso de emergências sanitárias; e entre outras coisas, também temos de prever até mesmo a parcela que imagina que tudo isso é conspiração governamental, e a parcela que se acha superior até mesmo sobre conspirações governamentais.
Esse ano a dosagem no Estado de São Paulo, buscando a certificação internacional de Livre de Febre Aftosa Sem Vacina, foi reduzida de 5 para 2 ml por cabeça. Seguindo o calendário:

Etapa de Maio:
01 a 31 de maio

– obrigatório vacinar o rebanho todo, de mamando a caducando –

Etapa de Novembro:
01 a 30 de novembro

– obrigatório vacinar os animais de até 24 meses, 2 anos, de idade –

Até 7 de dezembro para declarar o rebanho (mesmo os não vacinados) e para registrar a vacinação via GEDAVE:

https://gedave.defesaagropecuaria.sp.gov.br/

Ou presencialmente na unidade de atendimento da Defesa Agropecuária mais próxima da propriedade rural. Para consultar os endereços e formas de contato acesse:

https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/enderecos/

Obs.: Brucelose
Os lotes de fêmeas que se encontram neste semestre entre 3 a 8 meses devem ser vacinadas contra Brucelose até 30 de novembro também.

JM 5-11-19 – T.I. 17-11-19

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