Celtas: Europeus esquecidos contra César

Li em algum lugar, algo sobre a escolha para palavra “Celta” para batizar um modelo de carro popular, montado em Gravataí, no Rio Grande do Sul, foi fabricado de 2000 a 2014; A pesquisa de opinião pública teria apontado que tal palavra é uma das mais “agradáveis” (não recordo o termo exato). De fato, é um termo que traz consigo a impressão de conhecer, para além do automóvel… Mas de onde mesmo?!
Chamamos de “Celta” o estilo de vida indo-europeu comum aos povos: Bretões, Gauleses, Belgas, Escotos, Batavos, Eburões, Gálatas, Trinovantes e Caledônios, entre outros povos menos conhecidos e talvez outros perdidos no tempo. Tal cultura predominou por cerca de 2000 anos solares até a rendição do líder tribal Vercingetórix ao general romano Júlio César, em 3 de outubro de 52 a.C. Podemos dizer com mais certeza que Celta é o que ainda resiste da cultura indo-europeia, assim como termo “Tupi” expressa a resistência das culturas indígenas no Brasil. E muita coisa ainda resiste e há de resistir. Mesmo com as muitas brigas e rixas entre famílias, clãs e tribos, os povos indo-europeus mantinham relações sociais entre si, incluindo o comércio. Foi assim que desenvolveram, e muito, a tecnologia na fabricação de produtos utilitários e artísticos a partir de metais; inaugurando o que chamamos hoje de Idade do Ferro. Marcando o fim da era que se convencionou denominar Pré-História. De lá pra cá tivemos ainda a Idade Antiga, até meados de 500 d.C., Idade Média até meados de 1500, Idade Moderna até 1800, e hoje compomos o que já se convencionou chamar de Idade Contemporânea. Há quem defenda que já estamos em uma nova era: Idade Tecnológica; inaugurada com as invenções das redes sem fio e nanotecnologia posterior aos anos de 1980.
Como qualquer sociedade desenvolvida, não tardaram a iniciar um processo de expansão territorial, em especial dos Gauleses sobre os, hoje chamados, Italianos. Rixas familiares e tribais internas dos Celtas os fragilizam nestas disputas entre tribos fronteiriças. Sendo comum a prática do saque, uma forma de diminuir o poderio do inimigo, impedindo ou prorrogando as guerras. Os Úmbrios, assim como  os Celtas, eram sociedades tribais, não haviam soldados. Guerreiros são camponeses, caçadores, artesãos, ferreiros, bardos, escravos, ou qualquer que, além de suas funções sociais ordinárias, se interesse por assuntos de guerra.
Não muito longe da Úmbria, em Roma, um exército estava se desenvolvendo e aceitaram lutar para expulsar os Sênones do território dos Úmbrios. Uma aliança provoca outra e em 18 de Julho de 390 a.C. Roma é saqueada por guerreiros Celtas.
O aço Celta era mais resistentes e afiado, demorava mais a perder o corte, além de mais leve (Seria verdade que Celtas aprenderam as artes da têmperas do aço com Elfos e Anões?). A qualidade da têmpera do aço Celta possibilitou desenvolver utensílios, ferramentas e ornamentos mais delicadas e resistentes, uma revolução de ferramentas a moda.
A organização centralizada e constante reposição de soldados, frente às sazonalidades e inconstâncias dos guerreiros Celtas levaram o estabelecimento do controle de Roma sobre a Úmbria em 283 a.C., a partir de então se inicia a invasão romana sobre os territórios Celtas. A investida do general Júlio César já durava quase 8 anos, quando sitiou Alésia; era agosto de 52 a.C.  O exército Celta era composto por mais de 80 mil guerreiros liderados por Vercingetórix. Contando o apoio ao exército e os habitantes de Alésia, Júlio César sitiou quase 200 mil celtas.
Com menos de 4 semanas Alesia já estava conhecendo a sede e a fome. Os líderes tribais Celtas se reuniram e decidiram pelo fim definitivo da guerra contra Roma. Ciente de seu destino, sozinho, com armadura e armas, aos 20 anos de idade, Vercingetórix entra no acampamento Romano. Chegando até a tenda de Julio Cesar, desmonta e se desarma. O gesto é claro, os povos Celtas se rendem ao Império de Roma. Desde então nomes são alterados e o passado passa a ser visto apenas como histórias fantasiosas sobre um povo humilde, pacífico e mágico.
A conquista dos territórios celtas mudou o Mundo, pois mudou Júlio César. Em um grande Triunfo o general entra em Roma como um semi-deus, herói, por ter derrotado e aprisionado o mais bárbaro de todos bárbaros, o maior inimigo da paz romana, o líder Gaulês. A popularidade do general cresce tanto que abala as bases Republicanas Romanas, cujo final todos sabemos: – Até tu, Brutus, meu filho! – 70 anos mais tarde Roma crucifica outro líder tribal que começou a unir as pessoas, mas agora na Galileia.
Me desculpem os crentes, mas no meu entender, o homem loiro de olhos azuis, é Vercingetórix. Uma lembrança de um ancestral europeu que se sacrificou para salvar o seu povo e dar fim a uma guerra herdada. Uma resistência artística dentro da obrigação religiosa cristã medieval, imposta sobre os descendentes dos Celtas que hoje se autodenominam nações. Sendo elas a Inglaterra, Escócia, Irlanda, País de Gales, Espanha, França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Áustria, República Tcheca e Eslováquia. Alguns estudos apontam para que o Belgas são os que melhor mantém vivos aspectos culturais Celtas.
Alesia nunca mais foi ocupada. Hoje é sítio arqueológico, terra sagrada para os franceses. Um museu parque de 7.000 hectares, como réplicas das fortificações e benfeitorias, servindo puramente para a perpetuação da cultura Gaulesa e lembranças sobre fatos que são considerados marcos para a formação da identidade do povo Francês. É preciso compreender que Desde 53 a.C. as menções aos povos Celtas foram ficando cada vez mais raros, somente a partir do Século XIX com o avanço do pensamento acadêmico científico e estruturação de disciplinas como a História e a Arqueologia, assim como a Antropologia e Ciências Sociais, é que a humanidade pode voltar a lembrar e falar livremente sobre os Celtas e outros tantos povos que tentaram resistir à romanização. Pois de 400 d.C. até o século XIX toda resistência cultural Céltica era dada como demoníaca e profana, e deveriam ser purificadas com fogo para a glória de Deus. Assim, em especial, as Druidesas foram queimadas vivas em praças públicas, junto de milhares de livros. A tentativa, sem sucesso, sempre foi para apagar da História qualquer sociedade livre da tirania, onde o interesse coletivo seja superior as vontade de um ser humano sozinho e em guerra contra o Mundo.

JM 29-11-19 – T.I. 8-12-19

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