Quem puxará o castramóvel?

A real diferença entre populismo e políticas públicas se vê com o que vem ocorrendo no Brasil com a questão animal.
Se por um lado tal luta vem trazido grandes avanços sobre o trato com animais, e tenho muita competência para afirmar tal mudança pois a vivi, sendo um dos primeiros em Itapira a estudar e aplicar conceitos e práticas da chamada Doma Racional de equinos. Uma profunda e completa mudança comportamental e de mentalidade humana sobre esses importantes seres que sempre foram judiados demais pelo progresso humano. Em minha memória é fresca lembrança das pessoas deixando de chamar a carrocinha para esconder os cachorros de rua em casa, quando a carrocinha passava, para não virar sabão.
No entanto sou um humanista. Não creio na Vida na Terra pós-Homem e atribuo a manutenção vegetal a ação humana, especialmente, graças às seleções de alimentos e bancos de sementes de povos perdidos no tempo que resistiram às profundas mudanças climáticas. Penso que os primeiros homens lutaram muito para conhecer o funcionamento desta Terra e para equilibrar aspectos que possibilitam uma menor variação de temperatura do globo. Contribuindo assim para um despertar revolucionário da vida. Darwin vai chamar esse movimento de seleção natural das espécies. Os cristão espalham o Conto da Arca de Noé. Os pagãos têm milhares de centenas de fórmulas para explicar tais mudanças, sendo a mítica luta dos Homens contra Titãs e Deuses furiosos. Assim nenhum cachorro ou gato, periquito ou papagaio, nem mesmo moscas ou onças, existiriam se não fosse o surgimento ou chegada do Homem neste planeta.
Não à toa os gatos se adaptam a nossa vida rapidamente, se aproveitando de cada luxo humano. Assim como os camundongos. Os cães se entregam às personalidades humanas como nenhum outro, estudos seguiram até sugerir que alguns cães podem sofre um transtorno de não se sentir um cão, se reconhecendo mais como humano. Cavalos são seres muito nobres para se misturar de verdade com os Homens, é preciso falar a línguas deles para conquistar a confiança ou quebrar ele na pancada (como foi comum há menos de 30 anos). No entanto todos eles não sobrevivem mais naturalmente e com a melhoria das condições da vida humana tiveram suas próprias condições de vida melhoradas. Obviamente que não podemos voltar, e deve evoluir.
Quero dizer que a responsabilidade dos Homens sobre os animais é algo muito sério.
No entanto estamos nos esquecendo as diferenças básicas entre humanos e animais. Falamos tantos que também somos animais, com mais de 90% dos genomas idênticos que, acabamos esquecendo que 2% muda tudo. A começar pelo polegar e movimento de pinça. Como agravante a grande maioria dos políticos, desesperados por votos, acabam aderindo certos discursos infundamentados de pessoas que, (com todo o respeito aos sentimentos alheios) “amam os animais”, em tempos que só o amor não resolve mais quase nada. É preciso estudo, aprofundamento, dedicação e profissionalismo. Colocar pessoas que somente “amam” algo a frente dos interesses públicos é um risco para o futuro da humanidade, em decorrência limita o futuro da vida na Terra também. É uma irresponsabilidade.
Com discursos fáceis o populismo político rola solto. Mas nenhuma ação real é tomada. O próprio castramóvel é uma aberração, é jogar dinheiro público no lixo. Seria mais barato e eficiente o poder público gastar o mesmo valor com contratos com clínicas particulares já existem, com equipamentos e pessoas treinado já trabalhando. Agora compraram um equipamento que nem poderá ser utilizado, pois o CRMV não regulamenta esse tipo de clínica móvel que tende ao açougues de antigamente. Na prefeitura nem existe médico veterinário qualificado para tal tarefa.
No Conselho Regional de Medicina Veterinária – CRMV do Brasil existem 124.253 profissionais inscritos e atuantes, a maior parte deles trabalham no Estado de São Paulo, sendo 33,6 mil veterinários paulistas (20 mil são mulheres) https://www.crmv-pr.org.br/noticiasView/5399_Parabens-aos-medicos-veterinarios-brasileiros.html. E o mercado vem se estabelecendo de todas as formas. Em Itapira temos 2 médicos veterinários públicos em funções que envolvem saúde animal, um mais preocupados com as zoonoses mais urbanas (especialmente transmitida por roedores, morcegos, moscas, alimentos mal produzidos ou armazenados, além dos problemas com envenenamento por cobras e aranhas), e outro voltado para a produção, preocupado com animais de grande porte como cavalos, gado, búfalos, cabras e ovelhas. O Estado de São Paulo colabora com mais 2 técnicos em agropecuária, para auxiliar o município na agropecuária, um com atribuição quase que exclusiva para saúde dos animais de produção, sou eu (marquezini.com/funcional). A União colabora com as campanhas de vacinação anti-rábica, uma confluência de diversos segmentos públicos municipais, estaduais e federais, integrando ainda a Saúde com a Agricultura. Na setor privado temos desde profissionais liberais, passando por aluguel de salas ou horas de laboratórios (necessário regulamentação), clínicas pequenas independentes e grandes clínicas que já funcionam quase como um Hospital Veterinário. Gosto da cultura de Hospitais, penso que a troca de informação e cuidados são maiores, uma vez que temos Veterinários pensando a administração, outros pensando nos clientes humanos, outros pensando nas acomodações para os animais, outro pensando em receber e coletar informações, todos pensando em como tratar melhor e mais rápido os problemas. O sistema de plantões ajudam a manter o serviço sem judiar do profissional e mantém os locais limpos e adequados as boa práticas clínicas que podem salvar o animal de estimação ou matá-lo. O castramóvel vai na contramão de tudo isso, e o CRMV está correto em dificultar esse tipo de tratamento que eu jamais submeteria o Ragnar a ser vítima. Até mesmo pelo motivo de que a castração é um procedimento barato, não sendo muito mais caro que os vermífugos semestrais para cães grandes.
É preciso informar as pessoas sobre as responsabilidades com animais de estimação, que vão muito além da castração. Estou falando tanto de doenças como de comportamento. Pois sabemos que animais têm certos comportamentos naturais da espécie, assim como o homem insiste no individualismo egoísta, como a questão da proteção territorial. Já tivemos casos de óbitos em Itapira, onde profissionais avaliaram o ataque do cão a sua dona motivado pelo desentendimento territorial do cão com a humana. Uma questão que poderia ser evitada com mais informação sobre como deve ocorrer a comunicação cão-homem. Sou um conhecedor das comunicação equino-homem. Cada animal tem uma própria forma de se expressar e entender os humanos.
Outra questão seria criar formas para auxiliar recém-formados na sua entrada no mercado de trabalho. Uma vez que de 2001 a 2016 passamos de 100 para mais de 340 cursos superiores para formação de Médicos Veterinários no Brasil. Todos com salas cheias.
Investir em linhas de pesquisas que possibilitem desenvolver técnicas menos invasivas de castração ajudaria mais. Mas o primordial, ao meu ver, é estender a rede pública Sanitária com regulamentação democrática e profissionalizada, e maior fiscalização dos estabelecimentos, tanto para animais de produção quanto para estimação. Para garantir que os casos de maus tratos dentro de ONGs ou clínicas sejam cada vez mais raras.
Castramóvel, além inútil, é populismo e assistencialismo. Se não for compra de votos.

JM 27-12-19 – T.I. 29-12-19

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