Itapira200Ofc

Já é bicentenário itapirense na Austrália!

Estive presente no lotado lançamento oficial das comemorações dos mais de 200 anos de Itapira, ocorrido em 8-1-20. O ponto alto da sessão cívica foi a apresentação da marca comemorativa. O conceito elaborado pelos profissionais da Secretaria de Cultura ganhou forma com cuidados artísticos de Tiago. No quesito arte, fica meus comprimentos ao Tiago pelo toque pop na tradição e nas cores de Itapira. Destaque para o vermelho e azul, em tons elegante, mais adequado aos gostos do século XXI. É uma boa marca, captura a gente, provocando a religação que se pretende.
Apesar da forte ressalva por 2 ou 3 nomes, devo confessar que é muito bom ver alguma busca por melhor representar nossos irmãos conterrâneos, é um cordão umbilical que não se corta. O local de nascimento é sempre a primeira informação individual, depois vem nascimento e se já fez a passagem, só então a filiação, formação e profissão, fechando o primeiro parágrafo biográfico de qualquer ser humano.
Não foram divulgados os critérios seletivos para os cidadãos lembrados com a marca, no entanto devemos louvar e bendizer a decisão da equipe de trabalho pela busca por nomes alternativos. Especialmente entre os descendentes africanos, trazendo um pouco mais de luz sobre as partes ainda muito sombrias do nosso passado recente.
Entre os presentes na cerimônia se destacou a presença de um dos lembrados neste momento comemorativo, o eterno professor Barreto. Exemplo de dedicação aos esportes e de um vigor físico invejável, se destaca entre atletas de alto rendimento desde sua juventude ao apogeu de seus atuais 84 anos completos. Boa parte dos itapirenses adultos passaram pelas mãos do professor Barreto, muitos outros participaram dos inúmeros jogos que ele já auxiliou e/ou organizou. Eu o escuto quando cedinho volto para casa, ele começando suas caminhada e catação de latinhas de alumínio para ajudar em projetos sociais. Barreto ainda é autor da obra literária: A força e a beleza dos Ideais. Além de vigor físico, amor ao esporte e a vida, Barreto e esposa são só sorrisos e risadas.
A marca também relembra a vida de:

Fia Preta e Preto Nabor com seus imensos valores sociais para a continuidade das tradições e saberes africanos. Representam mais de 60% da nossa população brasileira que descendem de africanos, que foram fortemente violentados ao longo de mais de 300 anos. Trazidos contra vontade, aos ferros e na ponta do chicote para servir aos caprichos de latifundiários. Muitas vezes recebendo um tratamento pior e ainda mais violento que os animais de trabalho dos nobres grileiros de terras Tupi. Fia e Nabor são lembrados pelo seu povo, seus familiares e ancestrais, pela bela capacidade em transformar toda essa dor e sofrimento em festa. A nossa festa do 13, a festa de Maio, guardando nas congadas as grandezas, belezas e segredos de suas tradições resistentes. Que Fia e Nabor nós lembrem que a Cultura é viva  e presente, e que a Congada precisa de atenção o ano inteiro.

Joaquim Firmino o delegado que quase transformamos em mártir da abolição, após mais de 200 invadiram a casa e executaram Joaquim, na madrugada de 11 de fevereiro de 1888, poucas horas depois de ser destituído do cargo de Delegado da vila da Penha do Rio do Peixe. O processo criminal foi arquivado por falta de provas. Especula-se que Dr. Boi, um confederado derrotado, tenha orquestrado a campanha que culminou no assassinato de um servidor público que recusava gastar recursos públicos para captura de escravos fugitivos. Além da violência em que se deu o episódio, os carrascos de Joaquim não pouparam esposa e filhas dos fatos. A garantia da Liberdade para negros se deu em 13 de maio de 1888, provocando a volta da denominação local às origens Tupi com o termo “Ytapirá” em 8 de fevereiro de 1890. A mudança de nome se deu oficialmente para tentar esquecer erros do passado.

Américo Firmino Machado. Médium, se dedicou aos trabalho no campo doutrinário espírita e assistencial. Esteve engajado em campanhas de assistência a idosos, mendigos, órfãos e obsediados, que resultou na construção do maior Hospital Psiquiátrico do Brasil, fundado em 1914. Instituição que tomou o nome “Américo Bairral” em homenagem póstuma. “Bairral” é por nascimento, por problemas com a família ele passou a usar o sobrenome “Firmino Machado”. Espero estudar mais profundamente esse itapirense, penso que pode ser uma chave importante da História de Itapira.

Henricão, respeitado sambista atuou até no cinema. Foram 12 filmes e 14 discos. Falecido no Rio de Janeiro em 1984, deixou um importante legado para as marchinhas de carnaval do Brasil com… Ai ai ai ai, tá chegando a hora / O dia já vem raiando, meu bem / Eu tenho que ir s’imbora… Lançada em 1942 pela cantora Carmen Costa.

Irmã Angélica foi consagrada católica Calvariana, retornando a casa do grande Pai no ano passado. Muito lembrada pelo mais de 50 anos de Santa Casa de Misericordia de Itapira, foi ainda uma das fundadoras do Lar São José, para acolher e educar crianças e enfermos. Que irmã Angélica nos lembre que Deus não está no sucesso econômico, mas na dedicação aos mais necessitados.

Paulo Menotti Del Picchia, um poeta errante. Chegou em Itapira aos 5 anos, em 1897, falecido em 1988. Seu escritório pessoal está preservado e disponível para visitação no Parque Municipal Juca Mulato (entrar em contato com a Cultura de Itapira). Juca Mulato é o nome de um dos poemas mais conhecidos de Menotti, um belo lamento apaixonado de um itapirense.

Hideraldo Bellini, o primeiro a erguer sobre a cabeça a taça Jules Rimet. E mais, capitão da seleção brasileira de 1958, a sexta participação do Brasil em uma copa do Mundo, sendo a segunda vez que chegou numa final. Mas desta vez, contra Suécia, tivemos nosso primeiro título Mundial, dos 4 acumulados hoje.

Regina Vieira, Miss São Paulo e segunda colocada no Miss Brasil de 1956.

Virgolino de Oliveira, fundou a Usina de Cana-de-açúcar Nossa Senhora Aparecida. Falecido em 1962 em acidente aéreo.

João Estevanato (in memoriam) e Ogari Pacheco, executivos fundadores dos Laboratórios Cristália.

Outra iniciativa bacana para o bicentenário de Itapira é a pasta pública disponível em <https://drive.google.com/drive/folders/1vSE4FT6DaB8wRt6yrzJrfz3vgfphOzfp&gt;, onde já contem informações mais completas e oficiais da biografia de cada lembrado, assim como os detalhes do conceito da marca. Creio que durante as comemorações mais informações e materiais serão acrescentados.

JM 10-1-20 – T.I. 12-1-20

Mapa dos lembrados na marca oficial de 200 anos de Itapira

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