O drama político policial de muitos pais e mães

Em manifestação política, 23-1-20, acabei colocando alguns GCMs em posição complicada. Era preciso afrontar as esferas de poder e infelizmente muitos políticos covardes usam  a Segurança Pública de escudo. Eu jamais me sentaria no meio de uma sessão da Câmara se eles tivessem pagando o aluguel devidamente e/ou se fosse para votar melhorias públicas reais. Caberia ação judicial sobre os servidores públicos que forçaram saída de meu próprio patrimônio imobiliário. Mas não o farei e já pedi perdão diretamente as pessoas envolvidas pela situação criada por mim. Entendo que o responsável pela situação seja o presidente com sua incapacidade política, e o desrespeito de 5 dos outros 9 vereadores com a coisa pública. No mesmo dia e local, acabei por gritar também fortes críticas às formas da Segurança Pública em geral. Quero aproveitar o momento para explicar minhas posições frente a essa esfera do Serviço Público.
A chave está no dia-a-dia das pessoas e da cidade. E fato é que nenhum agente de segurança é odiado pelo seu ofício. Pelo contrário, gostamos de autoridades, ainda mais as fardadas (eu gostaria de ser Coronel do Exército). Os poucos odiados sãos os poucos que tem ligações obscuras com setores criminosos da cidade, e/ou que abusa da posição social que ocupam. Todos, mesmo os grandes traficantes, ao se dirigir a qualquer agente da Segurança Pública, abaixa a cabeça e o trata como “Senhor” em qualquer situação.  Mas sempre tem aquele colega que dá um chute sem necessidade, um pata só mostrar quem manda. Piadinhas infames e abordagens ostensivas e desrespeitosas aos direitos humanos em locais públicos movimentados não reflete apenas a falta de profissionalismo como também compõem fator que leva populares a temer mais que respeitar a farda. Esses tipos de agentes, a minoria (insisto), quando colocados na linha de frente contra o crime são os primeiros a ser abatidos. Mas não é sobre esse tipo que estamos falando. Nosso trabalho é para livrar todas as corporações dessas manchas por caminhos institucionais, sem barbárie. Pessoas que evitam violência são chamadas de “Civilizadas”.
O tipo mais comum de agente de segurança pública, é o pai, ou mãe  de família civilizada, que busca formas de proporcionar melhor condição de vida para sua família. Durante o expediente atendem os chamados com vigor e disposição. Quando solicitei apoio contra ameaças de bolsonaristas em 2018, a GCM me atendeu de pronto. Mesmo durante minha manifestação no Circolo, não tenho do que reclamar da postura dos profissionais, mantiveram a calma e me respeitaram, mesmo comigo fazendo um carnaval exagerado. Esses são nossos agente de Segurança, pessoas dedicadas e esforçadas, capacitadas e preparadas. No entanto, mal remuneradas e com condições precárias para o trabalho.
O salário de soldado da Polícia Militar de São Paulo não chega a R$ 3.000,00. GCMs costumam ter inícios de carreiras muito menores. Se denunciar abuso do seu chefe, pode ser acusado de “motim” e ser demitido a “bem do serviço”. O DIEESE apresentou em janeiro de 2019 cálculos sobre o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas,  R$ 3.928,73. A base no cálculo consta custo com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e Previdência Social. O salário mínimo de 2020 está oficializado em R$ 1.045,00. Lembrando que 8h de trabalho diário equivale à ⅓ da vida dos adultos economicamente ativos.
Um familiar próximo atuou como soldado temporário da PMSP. Foi orientado a não divulgar essa informação, assim como não deixar farda e uniformes secarem em local de fácil visão e acesso de transeuntes e vizinhos. Sabemos que sempre existe um querendo ser o mais espertão de todos, e esse sempre acaba atrapalhando todo mundo, não importa o lado da corda. Mas esses cuidados adicionais não entram em nenhuma conta sobre salários mínimos. Não demora muito ao pai, ou mãe de família, agente da Segurança Pública, se ver na necessidade de ir contra as normas, valores e moral, para iniciar bicos como segurança particular.
Que mal há de acontecer em ficar 2 ou 3 horas na frente de uma loja, supermercado ou empresa? Ou 15 minutos com as sangrias dos caixas debaixo do braço? Quem ousaria assaltar um agente de segurança pública? Sempre há um espertão, sempre. E se foi mais um pai de família. Não foi o primeiro, tão pouco será o último. E o governo segue subestimando o poder da influência do mercado e permite que seus agentes sejam marionetes nessa dança de poucos passos e muitos riscos. No discurso o inimigo é sempre  outro.
Na outra ponta do sistema os “empregadores” sempre podem contratam empresas de segurança privativa especializada. No entanto, especulações sobre o destino de assassinos de policiais cria a falsa ideia que um agente de segurança pública pode lhe proporcionar uma prevenção ao roubo mais efetiva. Assim os valores ofertados para agentes públicos são diferenciados e tornam ainda mais difícil ao pai ou mãe de família recusar o bico. A vinculação trabalhista não pode ser caracterizada, uma vez que a prática é ilegal e pode levar a exoneração do servidor público, dando mais uma vantagem unilateral ao “empregador” e mesmo assim ainda se gasta menos com o bico. A Segurança Pública que mais mata é a que mais morre, e boa parte morre na defesa de bens privados, fora das funções públicas.
Acredito na potencialidade de cada qual sem a necessidade de submissão ao superior hierárquico. No trabalho efetivo precisamos de compreensão e entendimento para concluir a empreitada, não de continências, filas e uniformes impecáveis. Precisamos entender que a Ordem Unida só é bonita e ritmada quando não é uma obrigação. A desmilitarização da Segurança Pública eleva o nível de ação das forças públicas, sem necessariamente comprometer as escalas de comando e ninguém fala em desuniformização. Queremos que os profissionais sejam livres para denunciarem colegas e superiores cujo comportamento  não condiz e não estimula o moral da tropa. Queremos profissionais que não precisem trabalhar quando deveriam estar educando seus filhos, cuidando de familiares impossibilitados, e/ou se divertindo com amigos e familiares. Queremos profissionais vivos e atuantes, agindo com inteligência, com equipamentos condizentes com a realidade que nos cerca e bem relacionados com toda a comunidade, num grande sistema de informação e monitoramento. Com o menor risco possível a integridade física e vida dos profissionais da Segurança Pública.

JM 31-1-20 – T.I. 2-2-20

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