Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus

15 mil mulheres tomaram as ruas de New York, EUA, em 26 de fevereiro de 1909, por melhorias das condições de trabalho. Além da redução na diferença salarial de homens para mulheres, ainda presente no mercado de trabalho brasileiro, elas pediam redução da jornada de trabalho que chegava, a 16 horas diárias de trabalho, com folga apenas aos domingos. Desde então as manifestações políticas chamadas de Dias das Mulheres se multiplicaram pelo Mundo.
Essa não foi a primeira manifestação políticas das mulheres unidas. No Século XVIII, especialmente na Europa, ocorreram diversas passeatas e atos pelo direito das mulheres votarem. Citamos o caso norte americano, por ser mais próximo da realidade brasileira, tanto historicamente quanto socialmente.
Em 1975 a Organização das Nações Unidas – ONU, oficializou o 8 de Março como Dia das Mulheres e assim o Mundo passa a dedicar tal data para reforçar a História das Mulheres e lembrar dos direitos humanos esquecidos pelas sociedades. Servindo também como grande tribuna para dar voz e angariar apoio para ações realizadas durante todo o ano. Um dia de comemoração a todos os outros de luta e trabalho.
Neste 8 de Março de 2020, O Chopinho, um estabelecimento que conhece bem as dificuldades das trabalhadoras de Itapira homenageia todas as mulheres do Brasil divulgando um pouco do trabalho de uma das maiores e mais esquecidas escritoras brasileiras, Carolina Maria de Jesus.
Nascida em Sacramento, Minas Gerais, em 14 de Março de 1914, com o passado escravagista ainda fresco, toda família da escritora dependia dos duros trabalhos no campo a troco de menos que o mínimo necessário para sobreviver. Indícios mostram que era a única alfabetizada da família, graças aos trabalhos de caridade de Espíritas, por meio do Colegio Escola Allan Kardec.
Após a morte de sua mãe, em 1937, grávida se muda para a favela do Canindé, na capital Paulista e começa coletar recicláveis. Com a catação de recicláveis ela construiu sua própria casa, as faxinas ajudaram a criar seus 3 filhos. Era na catação de papel que ela encontrava os livros e começa a ler com mais intensidade, logo passa a usar os cadernos encontrados para registrar o que via e o que vivia por meio de poesias e crônicas.
Quarto de Desejo é nome de sua primeira obra publicada, no ano de 1960. Os 10.000 exemplares se esgotaram na primeira semana de vendas e foi traduzido para pelo menos 14 línguas, ao final do primeiro ano o livro já havia sido lançado em cerca de 40 países e vendido 100.000 cópias. Um sucesso. No entanto, Carolina não recebeu toda sua parte por direito das vendas. Mesmo assim conseguiu mudar para um casa melhor, num pequeno sítio às margens da Capital Paulista. Depois foram publicados: Casa de Alvenaria: Diário de uma ex-Favelada (1961); Pedaços de Fome (1963); e Provérbios (1963).
Vitimada pela asna, de nascença, desencarnou aos 13 de fevereiro de 1977. Suas obras ainda são publicadas: Diário de Bitita (1977); Um Brasil para Brasileiros (1982); Meu Estranho Diário (1996); Antologia Pessoal (1996); Onde Estaes Felicidade (2014); e Meu sonho é escrever – Contos inéditos e outros escritos (2018).
A homenagem do Chopinho conta com ilustração de João Marquezini e trás um trecho da página 167 do “Meu estranho Diário”:

“O livro… me fascina. Eu fui criada no mundo. Sem orientação materna. Mas os livros guiou os meus pensamentos. Evitando os abismos que encontramos na vida. Bendita as horas que passei lendo. Cheguei a conclusão que é o pobre quem deve ler.
Porque o livro, é a bussola que ha de orientar o homem no porvir (…)”

Carolina Maria de Jesus

JM 3-3-20 – T.I. 8-3-20

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