Renuncia a presidência do PSOL de Itapira

A coletividade do PSOL é muito maior que minha individualidade. Há tempos que não reconheço frutos positivas quando reflito sobre atos e palavras, isso tem me consumido ao longo desses últimos anos.
As questões são muito mais internas e pessoais. Sei que a vida não é fácil para ninguém, e reconheço meus privilégios. Branco de olhos verdes, cresci numa das famílias mais respeitadas de Itapira, os Marquezini. De engraxates nas periferias de Roma, buscamos no Brasil um recomeço. Somos cacheiros viajantes, lavradores, pequenos comerciantes, pedreiros, garçons, advogados, cozinheiros e toda gama de serviço que tiver para ser executado, trabalhamos muito e damos nosso melhor. Foi nossa família quem forjou alguns dos melhores Prefeitos que Itapira já teve, no entanto nunca aceitamos os louros. A maior preocupação de meu avô, durante os últimos 3 anos de sua vida foi para eu entender o que é Justiça, e respeita-la. Apenas fazemos nossa parte e recebemos a parte de direito, recusamos as correntes de ouro que prendem tanto quanto algemas, ou as modernas presilhas de plastico. É comum na nossa Sociedade brasileira se confundir Liberdade com Arrogância.
De limites a vida me impôs a cegueira das letras. Embora tenha me dado livros e contos de sabedoria de berço. O que na realidade acabou por agravar os limites, pois é muito difícil entender certas coisas e não conseguir expressa-las. O sentimento se espalha pelo corpo todo, apenas uma frase vai Mudar o mundo, mas qual mesmo?! Ela está lá, você já viu, sabe resolver, é simples, é fácil, te ensinaram e tomaram sua lição de casa… mas nada acontece. Então só fica a frustração.
A maior mentira da humanidade é “ninguém apanha de graça”. Mulheres, negras, pobres e a maior parte da população apanha diariamente, é executada a sangue frio e é sequestrada a todo minuto. Não isso não pode ser normalizado. Poucas vezes um homem branco, mas sempre preferi ser vitima a agressor, mesmo com força física e psica superior. Nunca busquei reforçar liderança individual, mas sim motivar reconhecer, incorporar e compartilhar a liderança. Isso é necessário para uma política mais saudável, uma forma de trazer mais justiça a todos. Sarrar as feridas da Humanidade.
Eu sou novo, vamos aprendendo pelo caminhos. Aprendi muito na vivencia com os camaradas do PSOL 50. É um trabalho muito serio, bonito e que ainda não atingiu seu apogeu, é meu mais profundo desejo ver a manutenção da caminhada de todos nós, Socialistas Libertos. Espero que meu ultimo ato, um Fechamento, provoque a Abertura de caminhos que o PSOL de Itapira precisa para assumir sua posição de direito na Sociedade Itapirense.
Não sou um líder, sou um alucinado pela vida e pela política. Sou um louco alucinado que está disposto a muita coisa para construir uma Itapira de Irmãos. Que as diferenças de pensamentos sejam entendidas como experiencias e conhecimento. Que a violência sejam fitas de cetim vermelhas de uma trupe que se apresenta na praça, na hora de pico… e que a pessoas parem para ver e aplaudir. E nenhum grito “vagabundo” seja proferido, não é a farda que muda o respeito pelo oficio.
Sou um trabalhador, e meu trabalho coletivo se dá aqui, por hora, neste espaço de reflexão e devaneios ilimitados. Sem representar conjunto de ideias regidas e fixas, como as teorias explicadas pelas academias… de braços dados com as contradições da vida… Gótica-Tupi… Xé rekóaé arekó

JM 15-3-20

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