Marã: Mal, doença, dúvida, trabalho e aflição

Evidências arqueológicas revelam que os povos que formavam o Império Ashkāniān, atual Irã e partes do Iraque, Síria, Turquia, Afeganistão e Paquistão, entre 247 a.C. a 224 d.C., dominavam técnicas para eletrogalvanização de Ouro em peças de Prata. Os 3 jarros de terracota com partes em cobre, ferro e betume, foram encontrados em 1934 e apelidados de “bateria de Bagdá”. Especula-se que usavam suco de limão, de uva, vinho ou vinagre como solução eletrólito. O processo de eletrogalvanização só voltou a ser interesse dos europeus em 1742 e com sucesso a partir de 1837.
As grandes investidas para a expansão do Império Romano é o principal motivo da perda de todo conhecimento acumulado por esses e outros povos pré-Cristãos. Após 300 d.C. os Cristão passaram a subjugar toda cultura diferente como feitiçaria. Bibliotecas internas foram queimadas, civilizações extintas; por isso chamamos a Idade Média também de Idade das Trevas.
Somente a partir de 1660 é que voltamos a estudar aspectos da energia elétrica. Em 1730 descobrirmos suas cargas positivas e negativas, depois confirmamos que os Raios são fenômenos elétricos. Em 1780 confirmamos que os músculos são estimulados por carga elétricas e em 1875 inventamos o telefone (que substituiu a tecnologia do telégrafo, criada em 1830). No entanto o uso de sistemas de comunicação a longa distância somente foi amplamente utilizada recentemente, a partir de 1980. Junto desse crescimento da rede de comunicação nasceu a Internet. Hoje 2020, é possível conhecer todo o mundo, falar com milhares de pessoas sem o menor contato físico, mesmo que indireto. E isso mudou muito coisa.
Lembrando que em 2001 um cientista-militar norte-americano, empenhado em ampliar os conflitos contra Árabes e Muçulmanos, envia para a Casa branca cartas contaminadas com Carbúnculo, também conhecido por Antraz. Matando ao menos 3 trabalhadores dos correios. Antes dos correios o próprio mensageiro compunha o principal fator de risco para a transmissão de doenças entre as aglomerações humanas.
Notem, em 1500 não havia qualquer outra forma de comunicação que não presencial e pessoal, ou por meio de cartas. Sendo que a escrita era uma forma muito limitada, pois mesmo uma minoria dos Senhores sabiam ler e escrever, em geral as cortes contavam com servos mensageiros. Não adiantava interceptar uma carta, era preciso entender os significados do código escrito e até hoje cada nação possui sua própria forma de escrever e falar.
A reflexão para este ensaio se deu sobre o período de tempo entre o desembarque de Pedro Álvares de Cabral em 1500, encontrando toda a costa habitada, aos viajantes posterior a 1800, encontrando um continente quase paradisíaco. Arqueólogos Amazonenses estão espalhados por grandes universidades pelo mundo debatendo os reflexos de suas descobertas que comprovam a presença de muito mais pessoas e por muito mais tempo que os antropólogos especularam. Os pesquisadores brasileiros estipulam que eram no mínimo 15 milhões de habitantes nas Américas do Sul e Central, com ampla e complexa rede de aldeias, em 1500. Apesar da diferença cultural, eles se relacionam socialmente e pelo comércio entre as nações e povoados vizinhos. Da mesma forma se dava a rede comunicação. Tais rotas e caminhos são o que chamamos hoje de Rodovias. Observe que as 2 primeiras viagens do Imperador Dom Pedro II a província de São Paulo, o caminho de Santos a vila, hoje capital, era de quase uma semana de jumento. A subida da serra tinha que ser percorrida a pé, 2 dias de caminhadas. As linhas férreas iniciaram atividade somente em 1860.
Sabemos que houveram genocídios. As Bandeiras faziam escravos, mas antes exterminaram qualquer resistência ao seu avanço pelo sertão do Brasil. Mesmo assim a matemática social não fecha a conta sobre a drástica redução de milhares de pessoas e culturas em 300 anos.

“Costuma dizer-se que a civilização e a sifilização andam juntas. O Brasil, entretanto, parece ter-se sifilizado antes de se haver civilizado”

Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala. 1933

Sabemos que de mal, não foi só o sistema capitalista que os europeus trouxeram aos Tupi. Além de sífilis outras doenças foram introduzidas. O problema maior era a baixa ou ausência de resistência imunológica dos Tupi a mazelas europeias. Nem conhecimentos para elaborar medidas de prevenção e medicação.
Sim, os Tupi quase foram extintos por pandemias de doenças europeias. Além dos genocídios e escravismo.
É preciso refletir o quanto nossa sociedade mudou nestes tempos, como temos capacidade de ação e conhecimento para evitar ou reduzir a escala de tais acontecimento da vida. Pois nós mesmo não paramos de passar por mutações e não podemos, nem temos meios, de impedir que outros vírus e bactérias passem pelo mesmo processo. Ficando mais resistência e se adaptando aos meios disponíveis. A Lei da Selva sempre foi “manter e fortalecer a espécie”.
A palavra para doença no Tupi Antigo é Marã. Pode forçar no som de “~”, com a boca aberta e com o fundo da língua. Em geral as línguas primitivas não representam somente um estado de coisa, mas sim um conceito, uma ideia geral sobre a vida. A comunicação são essencialmente oral, então temos muitos significados para uma mesma vocalização. Assim temos como significação e uso de marã também para:

Por que? De que Maneira? Como assim? Que dizes? Que acontece? Como fica? Que faz? Que vai? Qual? Quê? Que coisa? Que queres? Que busca? E quanto a? E no que toca a?
Alguma coisa; Qualquer coisa; Algo;
Mal; Malefício; Doença; Aflição;
Labuta; Ocupação; Trabalho; Esforço; Afã; Sacrifício;
Força;

A reflexão sobre Marã provoca a perceber que doença e dúvida caminham juntas, elas nos colocam em estado de aflição e o trabalho representa ainda mais um sacrifício. Mas somos fortes, só precisamos usar tudo o que está na nossa disposição a nosso favor, sem pânico e de forma colaborativa, pois ninguém está seguro e imune.

JM 13-3-20 – T.I. 22-3-20

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