Anotação para o Dia de Vacinação do rebanho contra Febre Aftosa

Formulei uma sugestão de anotação para que o produtor rural acompanhe a vacinação contra febre Aftosa, de forma que possa ter um controle eficiente e simples. Tal anotação tem como principal objetivo auxiliar os produtores que terão que recorrer ao atendimento a distancia da SAA-SP, frente a pandemia provocada pelo COVID-19.
Tal não tem valor oficial, é uma iniciativa pessoal de João Marquezini.

A versão 2 vias é para revendas e escritórios que possuem vários clientes. Estão sendo disponibilizadas 10 folhas impressas [20 anotações] para cada uma das revendas de vacinas devidamente cadastradas na Defesa Agropecuária de Itapira a partir do dia 16/05/2020.

Santa Renda: O Capitalismo é de Esquerda!

Kapital gewonnen!
O Capitalismo venceu… Os gritos pela reabertura dos comercio em meio há pandemia do COVID-19 (24.000 mortos até 27/3) reforça a consolidação dos sistemas Capitalistas. Há tempos venho pensando sobre essa relação dos seres humanos com um pedaço de papel, o dinheiro. Erramos ao tomar o capital financeiro como política conservadora, alinhada à direita do espectro político?
Percebam, se por um lado o capital manteve as mesmas famílias donas do poder por séculos, por outro ele possibilita alguma igualdade. Como para entrar em clubes, teatros, museus, iniciar seu próprio negócio e usar roupas de qualidade. Com alguma economia qualquer um pode ser VIP, mesmo que por uma noite na vida. Mesmo a casa mais modesta possui mais conforto que um Castelo medieval. O capital gerou o trabalho assalariado que findou sistemas escravagistas. É pelo capital que os preconceitos caem, pois que mal tem se pagar bem?! Pouco importa se o dinheiro é do homem ou da mulher, se branca, parda, negra, forasteiro ou nativo.
Todos entendemos que o dinheiro é amaldiçoado, que ele corrompe e trapaceia. Mas gostamos demasiadamente da liberdade e conforto que ele proporciona. No início o Capitalismo representava a mudança da vida livre, rural, para o roteiro cronometrado da vida urbana em industrialização, hoje significa independência e liberdade de escolha. Nunca os seres humanos experimentaram tamanha liberdade. Por isso todos suportamos as mazelas que as antigas elites nos impõe, a pesar dos miseráveis salários.
No ensaio Nem esquerda, nem direita: Socialismo e Liberdade https://marquezini.com/2019/11/04/nem-esquerda-nem-direita-socialismo-e-liberdade/, defendi a ideia de que o Socialismo é o grande centrão político que tanto se gosta de afirmar, mas pouco se conceitua. Hoje as ideias Socialistas e Libertárias imploram pela Renda Básica Universal. O elo perdido do Bem-Estar Humano, intermediário do radial Capitalismo e o radical Comunismo. Sendo aprimoramento dos sistemas Capitalista com forte apelo Comunitário. Rumo às liberdades individuais, fortalecendo as instâncias coletivas e catalisando a extinção das elites.
Não lembro qual professor doutor da PUC Campinas disse, durante minha graduação em História, mas lembro bem da frase: A escravidão caiu quando os senhores entenderam que um trabalhador assalariado é mais barato que o escravo.
O escravo não é consumidor, sem consumidor não há mercado. Depois os custos das fazendas escravistas eram maiores pois havia a necessidade de mão-de-obra especializada e cara (Capitães do Mato e sua família) para vigia, punição e captura de fugitivos (dia e noite), enfermarias e curandeiros (escravo doente não rende no trabalho e nem tem valor de mercado) e é trabalhoso demais obrigar as pessoas a trabalharem contra vontade. O assalariado custava algumas moedas, e ainda subtraia o que consumia dos armazéns dos senhores. Se ficar doente, dispensa. Se negar o trabalho, dispensa. Se reclamar, dispensa. Sempre tem outro na fila dos desempregados.
O que não falta é patrão gritando que há sempre alguém disposto a assumir as trincheiras na guerra cambial e econômica. Ridículos. Esse é o mal do radicalismo do Capital, provoca escravidão velada. O chamado trabalho análogo à escravidão. Onde empregadores se acham donos dos trabalhadores por lhes pagarem um misero salario.
A Renda Básica Universal destrona os últimos Pseudo-Reis, pois ninguém mais precisaria se prostituir por valores ridículos que mal custeiam a alimentação familiar, nem se humilhar em decorrência das poucas condições de trabalho. Pois a garantia de renda, mesmo que mínima, garante a sobrevivência na sociedade do consumo e provoca a sonhada liberdade dos trabalhadores para trabalharem na área que prefere e não mais no que resta.
Com certeza, muito leitores já estão possessos, no sentido de estarem sob posse do Demônio do Capitalismo, exclamando revoltados sem razão: Isso vai acabar com o Mercado!
Primeiro que rentista nem é gente. Meu foco é o Trabalhador, pois sou um trabalhador. Assim quero mais é que o mercado se exploda. No entanto a Renda Básica Universal não destruirá o mercado, infelizmente; por um simples motivo: Muitos trabalhadores desejam também ser rentista. Quem não quer mais e mais dinheiro caindo na conta sem fazer nada?! Tenho certeza que com mais dinheiro no mês, mais o trabalhador irá investir, seja em si próprio colaborando com o comércio local, de pequenos salão de belezas a grandes Shopings Centeres, até mesmo comprando ações de multinacionais e investindo nos amigos e conhecidos com potencial de expansão dos negócios.
Nem vou comentar sobre a frase: ninguém vai querer trabalhar mais. Pois a Renda Básica Universal é BÁSICA. O bicho homem gosta de luxo. Quando mais luxo, mais caro, quanto mais caro mais longe da realidade de quem depende unicamente da Renda Básica Universal. Quem quiser luxo vai precisar trabalhar, e quando mais luxo quiser mais trabalho terá de realizar. Nenhum empregador se sentirá envergonhado por ofertar um salário baixo, quando pequeno e não poder pagar como as grandes, pois não estamos falando da renda total do trabalhador, mas sim de um complemento.
Novas formas de trabalhos e novos mercados aparecerão com o novo sistema que está em plena discussão por todo o globo terrestre. Ninguém aguenta ficar parado, veja o que está ocorrendo com o isolamento forçado pelo COVD-19. Na sociedade do consumo, ir a bares e ao cinema é contribuir com a economia, ajuda a manter e criar empregos aos que desejam trabalhar. O que acaba é a desculpa sobre trabalho porco e de má vontade. Se for para atrapalhar, fica em casa.
Quando aos custo de manutenção da Renda Básica Universal é mais complexo, pois depende da mudança sobre o entendimento de muitas coisas. Particularmente entendo que a máquina administrativa para manter sistemas de previdências e para selecionar e fiscalizar quem “merece” ou não determinadas bolsas, auxílios e benefícios, custam muito mais. Uai… se todos já ganham a Renda Básica Universal não há necessidade de Aposentadoria, ou de Auxílio Desemprego, ou de Bolsa Família e isso se estende para a Auxílio Paletó e Auxílio Moradia. Supersalários devem ser reduzidos e todo brasileiro pode se tornar automaticamente um associado rentista da Petrobras, por exemplo, como forma de incorporar essa conta e destruir verdadeiramente a renda do Brasil.
E ainda temos a possibilidade de taxar grande fortunas e heranças, afinal herança não é mérito.

JM 26-3-20 – T.I. 29-3-20

Defesa Agropecuária inicia Trabalho a distância

Decreto Estadual Nº 64.879, de 20 de março de 2020
Diário Oficial do Estado de São Paulo de 21/03/20

Resolução SAA 18, de 23 de março de 2020
Diário Oficial do Estado de São Paulo de 24/03/20

Considerando que os Serviços de Defesa Agropecuária são essenciais para manutenção de toda a cadeia de produção de alimentos e reconhecendo o estado de calamidade pública, decorrente da pandemia do COVID-19, que atinge o Estado de São Paulo, foi decretado pelo Governador e resolvido pelos Secretários esquemas de trabalho a distância. O que exige um esforço maior de servidores e cidadãos, pois muitos os produtores rurais ainda não estão totalmente integrados com as novas formas de comunicação do Século XXI.
Para tanto foi criado canal de comunicação direta com da a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em duas plataformas:

E-mail:                 faleconoscoagricultura@sp.gov.br

Telefone:             11 5067 0060


Dentre os serviços realizados o de maior demanda em Itapira é a emissão de Guia de Trânsito Animal – GTA. Para execução do serviço é necessário enviar para o endereço eletrônico faleconoscoagricultura@sp.gov.br, com fotos (legíveis) ou arquivo em PDF dos seguintes documentos:

Nota Fiscal de produtor rural, corretamente preenchida;

Se de Equídeos:

1. Exames negativos para Mormo e AIE;
2. Atestado de vacinação contra Influenza;
3. Atestado negativo para sintomas e presença de doenças infectocontagiosas dos últimos 30 dias;

Se de Bovinos, para exposição, leilão e/ou para outra Unidade Federativa:

1. Exames negativos para Brucelose e Tuberculose (se ainda não disponível no GEDAVE);


Dúvidas e informações devem ser verificadas junto ao telefone da SAA 11 5067 0060.


João Marquezini, Técnico de Apoio Agropecuário da UDA de Itapira está disponível pelo endereço eletrônico:

marquezini@cda.sp.gov.br

e extra-oficialmente, para orientar e atender duvidas gerais e rotineiras pelo:

WhatsApp
19 99621 538

Marã: Mal, doença, dúvida, trabalho e aflição

Evidências arqueológicas revelam que os povos que formavam o Império Ashkāniān, atual Irã e partes do Iraque, Síria, Turquia, Afeganistão e Paquistão, entre 247 a.C. a 224 d.C., dominavam técnicas para eletrogalvanização de Ouro em peças de Prata. Os 3 jarros de terracota com partes em cobre, ferro e betume, foram encontrados em 1934 e apelidados de “bateria de Bagdá”. Especula-se que usavam suco de limão, de uva, vinho ou vinagre como solução eletrólito. O processo de eletrogalvanização só voltou a ser interesse dos europeus em 1742 e com sucesso a partir de 1837.
As grandes investidas para a expansão do Império Romano é o principal motivo da perda de todo conhecimento acumulado por esses e outros povos pré-Cristãos. Após 300 d.C. os Cristão passaram a subjugar toda cultura diferente como feitiçaria. Bibliotecas internas foram queimadas, civilizações extintas; por isso chamamos a Idade Média também de Idade das Trevas.
Somente a partir de 1660 é que voltamos a estudar aspectos da energia elétrica. Em 1730 descobrirmos suas cargas positivas e negativas, depois confirmamos que os Raios são fenômenos elétricos. Em 1780 confirmamos que os músculos são estimulados por carga elétricas e em 1875 inventamos o telefone (que substituiu a tecnologia do telégrafo, criada em 1830). No entanto o uso de sistemas de comunicação a longa distância somente foi amplamente utilizada recentemente, a partir de 1980. Junto desse crescimento da rede de comunicação nasceu a Internet. Hoje 2020, é possível conhecer todo o mundo, falar com milhares de pessoas sem o menor contato físico, mesmo que indireto. E isso mudou muito coisa.
Lembrando que em 2001 um cientista-militar norte-americano, empenhado em ampliar os conflitos contra Árabes e Muçulmanos, envia para a Casa branca cartas contaminadas com Carbúnculo, também conhecido por Antraz. Matando ao menos 3 trabalhadores dos correios. Antes dos correios o próprio mensageiro compunha o principal fator de risco para a transmissão de doenças entre as aglomerações humanas.
Notem, em 1500 não havia qualquer outra forma de comunicação que não presencial e pessoal, ou por meio de cartas. Sendo que a escrita era uma forma muito limitada, pois mesmo uma minoria dos Senhores sabiam ler e escrever, em geral as cortes contavam com servos mensageiros. Não adiantava interceptar uma carta, era preciso entender os significados do código escrito e até hoje cada nação possui sua própria forma de escrever e falar.
A reflexão para este ensaio se deu sobre o período de tempo entre o desembarque de Pedro Álvares de Cabral em 1500, encontrando toda a costa habitada, aos viajantes posterior a 1800, encontrando um continente quase paradisíaco. Arqueólogos Amazonenses estão espalhados por grandes universidades pelo mundo debatendo os reflexos de suas descobertas que comprovam a presença de muito mais pessoas e por muito mais tempo que os antropólogos especularam. Os pesquisadores brasileiros estipulam que eram no mínimo 15 milhões de habitantes nas Américas do Sul e Central, com ampla e complexa rede de aldeias, em 1500. Apesar da diferença cultural, eles se relacionam socialmente e pelo comércio entre as nações e povoados vizinhos. Da mesma forma se dava a rede comunicação. Tais rotas e caminhos são o que chamamos hoje de Rodovias. Observe que as 2 primeiras viagens do Imperador Dom Pedro II a província de São Paulo, o caminho de Santos a vila, hoje capital, era de quase uma semana de jumento. A subida da serra tinha que ser percorrida a pé, 2 dias de caminhadas. As linhas férreas iniciaram atividade somente em 1860.
Sabemos que houveram genocídios. As Bandeiras faziam escravos, mas antes exterminaram qualquer resistência ao seu avanço pelo sertão do Brasil. Mesmo assim a matemática social não fecha a conta sobre a drástica redução de milhares de pessoas e culturas em 300 anos.

“Costuma dizer-se que a civilização e a sifilização andam juntas. O Brasil, entretanto, parece ter-se sifilizado antes de se haver civilizado”

Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala. 1933

Sabemos que de mal, não foi só o sistema capitalista que os europeus trouxeram aos Tupi. Além de sífilis outras doenças foram introduzidas. O problema maior era a baixa ou ausência de resistência imunológica dos Tupi a mazelas europeias. Nem conhecimentos para elaborar medidas de prevenção e medicação.
Sim, os Tupi quase foram extintos por pandemias de doenças europeias. Além dos genocídios e escravismo.
É preciso refletir o quanto nossa sociedade mudou nestes tempos, como temos capacidade de ação e conhecimento para evitar ou reduzir a escala de tais acontecimento da vida. Pois nós mesmo não paramos de passar por mutações e não podemos, nem temos meios, de impedir que outros vírus e bactérias passem pelo mesmo processo. Ficando mais resistência e se adaptando aos meios disponíveis. A Lei da Selva sempre foi “manter e fortalecer a espécie”.
A palavra para doença no Tupi Antigo é Marã. Pode forçar no som de “~”, com a boca aberta e com o fundo da língua. Em geral as línguas primitivas não representam somente um estado de coisa, mas sim um conceito, uma ideia geral sobre a vida. A comunicação são essencialmente oral, então temos muitos significados para uma mesma vocalização. Assim temos como significação e uso de marã também para:

Por que? De que Maneira? Como assim? Que dizes? Que acontece? Como fica? Que faz? Que vai? Qual? Quê? Que coisa? Que queres? Que busca? E quanto a? E no que toca a?
Alguma coisa; Qualquer coisa; Algo;
Mal; Malefício; Doença; Aflição;
Labuta; Ocupação; Trabalho; Esforço; Afã; Sacrifício;
Força;

A reflexão sobre Marã provoca a perceber que doença e dúvida caminham juntas, elas nos colocam em estado de aflição e o trabalho representa ainda mais um sacrifício. Mas somos fortes, só precisamos usar tudo o que está na nossa disposição a nosso favor, sem pânico e de forma colaborativa, pois ninguém está seguro e imune.

JM 13-3-20 – T.I. 22-3-20

Informação local extra oficial, considerando as ações de contenção do Covid-19 pelo Governo de São Paulo

Considerando as medidas adotadas pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio do Decreto Estadual 64.864, de 17 de Março de 2020 https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/decreto/2020/decreto-64864-16.03.2020.html, e considerando que o controle de trânsito dos animais é um Serviço Essencial, informo que o endereço eletrônico de contato oficial com a Unidade de Defesa Agropecuária de Itapira é:

marquezini@cda.sp.gov.br


Para emissão da GTA é necessário enviar, fotos (legível) ou arquivo em PDF:


Nota Fiscal de produtor rural, corretamente preenchida;

Equídeos:
Exames negativos para Mormo e AIE;
Atestado de vacinação contra Influenza;
Atestado negativo para sintomas e presença de doenças infectocontagiosas dos últimos 30 dias;

Bovinos, para exposição, leilão e/ou para outra Unidade Federativa:
Exames negativos para Brucelose e Tuberculose (se ainda não disponível no GEDAVE);

Resido com pessoa em grupo de risco para o Covid-19 (mais de 60 anos, que recuperou de pneumonia recentemente e com pressão alta). Assim todo contato com o público em geral deve ser evitado. Neste sentido estou disponibilizando meu whatsapp para tirar dúvidas e realizar atendimento, dentro do horário de trabalhos, para que o atendimento presencial seja evitado.

WhatsApp

19 99621 5387

das 8h às 12h e das 13h às 17h


Tais medidas passam pela segurança da minha própria família, mas também influenciam na segurança das famílias dos produtores rurais de Itapira. Uma vez que meu trabalho é essencial para manutenção do agronegócio local, e a Casa da Agricultura de Itapira é ponto de encontro de produtores e cidadãos de todos os cantos da cidade.
A prevenção é sempre o melhor remédio.

Em breve receberemos informações oficiais sobre as posições do Escritório de Defesa Agropecuária de Mogi Mirim no enfrentamento desse momento delicado para todo a espécie humana.

JM 19-3-20

A construção de um sistema de Defesa sanitária e epidemiológica em São Paulo

Na Constituição do Estado de São Paulo, publicada em 5 de Outubro de 1989, o Capítulo III é dedicado a Políticas Públicas dos setores Agrícolas, Agrárias e Fundiárias. O Artigo 184 prevê ao Estado, em cooperação dos Municípios, no Item V – Manter um sistema de defesa sanitária animal e vegetal; VI – Criar sistema de inspeção e fiscalização de insumos agropecuários; VII – Criar sistema de inspeção, fiscalização, normatização, padronização e classificação de produtos de origem animal e vegetal;
Mas esse não é o começo dessa História. Se tivéssemos melhor registrado os contos Tupi antigos com mais atenção poderíamos entender, hoje, como se dava o controle sanitário para animais e plantas antes da chegada dos europeus. No entanto os interesses eram outros, logo se categorizou toda a população Tupi como selvagens e sua cultura foi rotulada como “folclore” e ainda se usa o termo “superstição” para se referir às práticas culturais e saberes milenares dos Nativos. Isso implicou grandes dificuldades para criar e aplicar um sistema de controle do ecossistema mais favorável a produção integrada com as Florestas Atlânticas e Amazônicas, no controle das populações de pragas e vetores de doenças.
Os Europeus nunca tiveram grandes interesses, nem mesmo conhecimento sobre assuntos Sanitários. A Cidade Luz, Paris, centro do Mundo durante grande parte da Idade Média e início da Moderna, despejavam todos os resíduos, de restos de comidas a urina e fezes de todos os tipos, pelas ruas. Os doentes eram largados às margens, mantidos trancados longe até mesmo da luz do Sol. O resultado foi a Peste Negra, que matou mais de 200 milhões de pessoas pela Eurásia, sendo o auge entre 1343 a 1353. Château de Versailles, com reformas iniciadas em 1660 e cerca de 700 hectares, não possui nenhum banheiro, e sabemos que era costume nobre usar os cantos das salas, ou jardins.
A vigilância sanitária está presente, mesmo que não centralizada e sistematizada. Somente após 1890 é que temos documentos públicos e preservados sobre o “impedimento para propagação de moléstias” no Brasil. É possível que muita coisa tenha sido destruída e eliminada com o advento da República, sabemos que houveram grandes esforços para apagar o passado em nome do Progresso que se pretendia. O mesmo erro de sempre.
A Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, responsável também pela supervisão dos serviços de transporte e comunicação, foi criada em 1892, incorporando a Superintendência de Obras Públicas; a Hospedaria de Imigrantes; a Estação Agronômica de Campinas; e a Comissão Geográfica e Geológica do Estado. Foi através dessa grande Secretaria, em conjunto com a Secretaria da Fazenda, que o governo estadual implementou sua política econômica nas primeiras décadas da República. Somente em 1927 é que se define as pastas mais específicas, sendo uma a Secretaria da Viação e Obras Públicas e outra a Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio. Nesta altura já estavam consolidadas e em pleno funcionamento o Instituto de Veterinária e a Comissão de Debelação da Praga do Café, órgãos que estudavam e disseminavam informações sobre as boas práticas sanitárias na produção animal e vegetal pelo Estado de São Paulo. Em 1947 a Indústria e Comércio ganha uma pasta específica, o que resultou na efetivação e especialização da Secretaria de Agricultura de São Paulo no setor primário, cujo carro chefe foi a mecanização agrícola e a intensificação da produção de algodão.
O Serviço de Extensão Rural, que compreende os trabalhos de pesquisa e assistência técnica rural são centralizadas em Coordenadorias em 1978, num contexto de profissionalização, com o crescimento da disponibilidade de profissionais qualificados, um efeito da ampliação da rede de ensino público nacional.
Somente em 1981, com o Decreto Estadual de número 17.913, publicado em 30 de Outubro, é que temos a primeira sistematização e centralização da vigilância sanitária animal e vegetal com a criação do Departamento de Defesa Agropecuária – DDA, dentro da estrutura da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral – CATI. O DDA contava com a seguinte organização: I – Diretoria, com Seção de Apoio Administrativo; II – Corpo Técnico; III – Centro de Defesa Sanitária Animal; IV – Centro de Defesa Sanitária Vegetal; V – Centro de Classificação de Produtos Agropecuários; VI – Centro de Fiscalização de Insumos Agropecuários.
É comum que ocorra resistência a independência de órgãos de fiscalização e controle. É humana a busca pela total liberdade e é difícil estabelecer o que de fato é o tal do “bem comum”, ou “interesse público”. O Trabalho da Defesa Agropecuária transita na esfera social entre a Liberdade Individual e o Interesse Público. Algumas ações tem por objetivo o melhoramento produtivo, como no caso do Serviço de Inspeção de São Paulo – SISP, que estabelece normas mínimas para a produção de alimentos humanos de origem animal no Estado de São Paulo. Outros trabalhos tem objetivo manter mercados internacionais abertos para todos os produtores rurais do Brasil, como no caso da Erradicação da Febre Aftosa. Ainda há trabalhos com objetivo de garantir Saúde Pública, como o programa de controle da Tuberculose Bovina, uma zoonose mortal para animais e humanos. Temos Trabalhos para a conservação do Solo, o que além de garantir terras férteis evita deslizamentos e enchentes até mesmos nas áreas urbanas. Embora o foco esteja quase sempre na política, agrotóxico é de responsabilidade da Defesa Agropecuária (é comum o conflito entre a vontade política com a competência técnica). A independência da Defesa Agropecuária garante profissionalismo na agricultura do Estado de São Paulo, evitando sistemas políticos clientelistas sobre o que de fato é de Interesse Público.
Assim na segunda metade da década de 1990 os profissionais da Defesa Agropecuária de São Paulo iniciaram movimento para libertar-se da estrutura da CATI. Entende-se que é necessário todo Trabalho de Assistência Técnica, é um Interesse Público importante, mas da mesma forma e com a mesma independência era preciso um sistema para garantir que boas práticas sanitárias sejam executadas durante todo o processo produtivo de alimentos humanos e por todo o território de São Paulo. Somente com muita pressão dos profissionais, destaque para o Diretor do DDA, o Medico Veterinário Armando Salvador, é que o Governo cedeu e publicou o Decreto nº 43.512, de 2 de outubro de 1998, que na prática criou a atual Coordenadoria de Defesa Agropecuária – CDA. Cuja finalidade é: I – preservar e assegurar a qualidade sanitária dos rebanhos e das culturas vegetais, de interesse econômico; II – controlar e monitorar a qualidade e utilização dos insumos agropecuários; III – controlar e fiscalizar a produção tecnológica e a qualidade dos produtos e subprodutos de origem animal e vegetal; IV – certificar o padrão de qualidade sanitária das espécies animais e vegetais, utilizadas nas cadeias produtivas; V – controlar e monitorar a preservação, o uso e a conservação do solo agrícola; Organizada por Centros especializados e 40 escritórios regionais no Estado de São Paulo, cada um com seu próprio Corpo Administrativo e Corpo Técnico.
Se o leitor não conhece o Serviço de Defesa Agropecuária é sinal que estamos dedicados ao nosso propósito.

JM 9-3-20 – T.I. 15-3-20

Renuncia a presidência do PSOL de Itapira

A coletividade do PSOL é muito maior que minha individualidade. Há tempos que não reconheço frutos positivas quando reflito sobre atos e palavras, isso tem me consumido ao longo desses últimos anos.
As questões são muito mais internas e pessoais. Sei que a vida não é fácil para ninguém, e reconheço meus privilégios. Branco de olhos verdes, cresci numa das famílias mais respeitadas de Itapira, os Marquezini. De engraxates nas periferias de Roma, buscamos no Brasil um recomeço. Somos cacheiros viajantes, lavradores, pequenos comerciantes, pedreiros, garçons, advogados, cozinheiros e toda gama de serviço que tiver para ser executado, trabalhamos muito e damos nosso melhor. Foi nossa família quem forjou alguns dos melhores Prefeitos que Itapira já teve, no entanto nunca aceitamos os louros. A maior preocupação de meu avô, durante os últimos 3 anos de sua vida foi para eu entender o que é Justiça, e respeita-la. Apenas fazemos nossa parte e recebemos a parte de direito, recusamos as correntes de ouro que prendem tanto quanto algemas, ou as modernas presilhas de plastico. É comum na nossa Sociedade brasileira se confundir Liberdade com Arrogância.
De limites a vida me impôs a cegueira das letras. Embora tenha me dado livros e contos de sabedoria de berço. O que na realidade acabou por agravar os limites, pois é muito difícil entender certas coisas e não conseguir expressa-las. O sentimento se espalha pelo corpo todo, apenas uma frase vai Mudar o mundo, mas qual mesmo?! Ela está lá, você já viu, sabe resolver, é simples, é fácil, te ensinaram e tomaram sua lição de casa… mas nada acontece. Então só fica a frustração.
A maior mentira da humanidade é “ninguém apanha de graça”. Mulheres, negras, pobres e a maior parte da população apanha diariamente, é executada a sangue frio e é sequestrada a todo minuto. Não isso não pode ser normalizado. Poucas vezes um homem branco, mas sempre preferi ser vitima a agressor, mesmo com força física e psica superior. Nunca busquei reforçar liderança individual, mas sim motivar reconhecer, incorporar e compartilhar a liderança. Isso é necessário para uma política mais saudável, uma forma de trazer mais justiça a todos. Sarrar as feridas da Humanidade.
Eu sou novo, vamos aprendendo pelo caminhos. Aprendi muito na vivencia com os camaradas do PSOL 50. É um trabalho muito serio, bonito e que ainda não atingiu seu apogeu, é meu mais profundo desejo ver a manutenção da caminhada de todos nós, Socialistas Libertos. Espero que meu ultimo ato, um Fechamento, provoque a Abertura de caminhos que o PSOL de Itapira precisa para assumir sua posição de direito na Sociedade Itapirense.
Não sou um líder, sou um alucinado pela vida e pela política. Sou um louco alucinado que está disposto a muita coisa para construir uma Itapira de Irmãos. Que as diferenças de pensamentos sejam entendidas como experiencias e conhecimento. Que a violência sejam fitas de cetim vermelhas de uma trupe que se apresenta na praça, na hora de pico… e que a pessoas parem para ver e aplaudir. E nenhum grito “vagabundo” seja proferido, não é a farda que muda o respeito pelo oficio.
Sou um trabalhador, e meu trabalho coletivo se dá aqui, por hora, neste espaço de reflexão e devaneios ilimitados. Sem representar conjunto de ideias regidas e fixas, como as teorias explicadas pelas academias… de braços dados com as contradições da vida… Gótica-Tupi… Xé rekóaé arekó

JM 15-3-20

Fechamento do PSOL de Itapira

João Marquezini, presidente do Diretório Municipal do Partido Socialismo e Liberdade de Itapira, cancelou todas as atividades abertas ao público em geral. especialmente a visita de Deputados Estaduais e lideranças regionais, e vetou a participação de seus membros nas Eleições 2020.
Encontros individuais, em residências e entidades, não serão afetadas. Todos os membros poderão continuar com seus trabalhos de militância, por meio de suas correntes e ou em outros municípios. No entanto todas as questões partidárias do PSOL de ITAPIRA somente serão debatidas em reuniões estabelecidas pelo Diretório Municipal do PSOL de Itapira, com participação exclusiva de filiados.
As devidas justificativas serão apresentadas logo no início (17h) da reunião do dia 14 de Março de 2020 (Marielle presente!), será garantido o direito de fala de no mínimo 2 minutos para cada filiados presente. Será o único momento que a Diretoria do PSOL de Itapira ouvirá sobre o tema, com posterior debate de possibilidades. No entanto a participação nas Eleição 2020 somente irá para votação se atingirmos o quorum de DOIS terço dos filiados presentes, considerando a lista oficial do 7º Congresso Nacional do PSOL, disponível em psol.org.br, e somente será readmitida com DOIS terço de votos favoraveis. Todo o Diretório Municipal do PSOL de Itapira poderá ser substituído em Plenária agendada para o dia 11 de abril de 2020, segundo consta em agenda oficial do 7º Congresso Nacional do PSOL.
A construção de uma sociedade mais justa, igualitária e respeitosa, está longe das disputas de poder que estamos vivenciando. É preciso retomar reflexões internas e reavaliar todas as posições neste momento caótico da nossa política, tanto local quanto estadual e federal. Consideramos que nossos membros são pessoas íntegras demais para se sujarem neste cenário. Deixemos os abutres se alimentarem das carcaças velhas e pobres.
Aos PSOListas que desejam de todo coração e vontade participar como candidatos das Eleições 2020 tem até 3 de abril para mudarem de partido sem incorrer em infidelidade partidária.
Mais informações pelo WhatsApp 19 99621 5387

JM 11-33-20

Carolina Maria de Jesus

15 mil mulheres tomaram as ruas de New York, EUA, em 26 de fevereiro de 1909, por melhorias das condições de trabalho. Além da redução na diferença salarial de homens para mulheres, ainda presente no mercado de trabalho brasileiro, elas pediam redução da jornada de trabalho que chegava, a 16 horas diárias de trabalho, com folga apenas aos domingos. Desde então as manifestações políticas chamadas de Dias das Mulheres se multiplicaram pelo Mundo.
Essa não foi a primeira manifestação políticas das mulheres unidas. No Século XVIII, especialmente na Europa, ocorreram diversas passeatas e atos pelo direito das mulheres votarem. Citamos o caso norte americano, por ser mais próximo da realidade brasileira, tanto historicamente quanto socialmente.
Em 1975 a Organização das Nações Unidas – ONU, oficializou o 8 de Março como Dia das Mulheres e assim o Mundo passa a dedicar tal data para reforçar a História das Mulheres e lembrar dos direitos humanos esquecidos pelas sociedades. Servindo também como grande tribuna para dar voz e angariar apoio para ações realizadas durante todo o ano. Um dia de comemoração a todos os outros de luta e trabalho.
Neste 8 de Março de 2020, O Chopinho, um estabelecimento que conhece bem as dificuldades das trabalhadoras de Itapira homenageia todas as mulheres do Brasil divulgando um pouco do trabalho de uma das maiores e mais esquecidas escritoras brasileiras, Carolina Maria de Jesus.
Nascida em Sacramento, Minas Gerais, em 14 de Março de 1914, com o passado escravagista ainda fresco, toda família da escritora dependia dos duros trabalhos no campo a troco de menos que o mínimo necessário para sobreviver. Indícios mostram que era a única alfabetizada da família, graças aos trabalhos de caridade de Espíritas, por meio do Colegio Escola Allan Kardec.
Após a morte de sua mãe, em 1937, grávida se muda para a favela do Canindé, na capital Paulista e começa coletar recicláveis. Com a catação de recicláveis ela construiu sua própria casa, as faxinas ajudaram a criar seus 3 filhos. Era na catação de papel que ela encontrava os livros e começa a ler com mais intensidade, logo passa a usar os cadernos encontrados para registrar o que via e o que vivia por meio de poesias e crônicas.
Quarto de Desejo é nome de sua primeira obra publicada, no ano de 1960. Os 10.000 exemplares se esgotaram na primeira semana de vendas e foi traduzido para pelo menos 14 línguas, ao final do primeiro ano o livro já havia sido lançado em cerca de 40 países e vendido 100.000 cópias. Um sucesso. No entanto, Carolina não recebeu toda sua parte por direito das vendas. Mesmo assim conseguiu mudar para um casa melhor, num pequeno sítio às margens da Capital Paulista. Depois foram publicados: Casa de Alvenaria: Diário de uma ex-Favelada (1961); Pedaços de Fome (1963); e Provérbios (1963).
Vitimada pela asna, de nascença, desencarnou aos 13 de fevereiro de 1977. Suas obras ainda são publicadas: Diário de Bitita (1977); Um Brasil para Brasileiros (1982); Meu Estranho Diário (1996); Antologia Pessoal (1996); Onde Estaes Felicidade (2014); e Meu sonho é escrever – Contos inéditos e outros escritos (2018).
A homenagem do Chopinho conta com ilustração de João Marquezini e trás um trecho da página 167 do “Meu estranho Diário”:

“O livro… me fascina. Eu fui criada no mundo. Sem orientação materna. Mas os livros guiou os meus pensamentos. Evitando os abismos que encontramos na vida. Bendita as horas que passei lendo. Cheguei a conclusão que é o pobre quem deve ler.
Porque o livro, é a bussola que ha de orientar o homem no porvir (…)”

Carolina Maria de Jesus

JM 3-3-20 – T.I. 8-3-20

Confederação dos Tamoio

Tamoio, é uma palavra de origem Tupi. Queria saber colocar o “~” no “u” para escrever da forma mais correta: Tam[u~]îa; Até lá vamos escrevendo a forma aportuguesada mesmo: Tamoio. Traduzido para o português é avó, ancestral; mas não é qualquer avô, tem uma importância de liderança comunitária no termo, representa respeito e admiração a um ancião, seja da casa, do “clã”, da tribo ou importante representante da Nação.
Não vou escrever sobre o principal caminho entre o litoral e as planícies e planaltos do norte de São Paulo. Para ser mais exato: o antigo caminho Tupi que liga até hoje as cidades de Caraguatatuba com São José dos Campos. Hoje a Rodovia SP-99 é administrado pelo Grupo Queiroz Galvão. Sim a mesma dos escândalos. E ainda tem gente que acredita em pedágio. Ainda, se usa erroneamente o termo no plural: Rodovia dos Tamoios. No Tupi Antigo não existe plural, logo a grafia correta deveria ser Rodovia dos Tamoio. Como curiosidade: o termo Tupi Antigo para estrada, caminho, é o sufixo a-Pé. Tatuapé, é caminho dos tatus. Sim, temos muito do Tupi Antigo na língua Brasileira em uso.
Tamoio também é o nome de uma Nação que habitava da Baía de Guanabara ao Vale do Paraíba. A rodovia dos Tamoio é no Vale do Paraíba. Mas também não vamos falar dessa Nação, mas sim de uma organização internacional contra a colonização portuguesa que nasceu na mesma região em 1554: A Confederação dos Tamoio.
No ensaio “Caminhada Ancestral” escrevi sobre as 3 grandes Culturas conhecidas que habitavam o que chamamos hoje de Brasil: os Tupi Guarani que dominavam o interior centro-sul; os Tupinambás que dominavam o litoral; e os Tapuia, que em 1500 estavam cercados no centro-noroeste da América do Sul. Os Tupi falando derivações do tronco Macro-Tupi e os Tapuia falando derivações do tronco Macro-Jê. Lembrando que cada uma dessas 3 generalizações representa centenas de formas de viver e de falar, de beleza, de alimentação e pensar. Muitas dessas formas foram extintas antes de 1800. Hoje os indígenas brasileiros são muito mais semelhantes entre si, mesmo mantendo suas ligações com seus ancestrais a seu próprio modo.
A tradição Tupi revela que nas proximidades de Salvador, em meados de 1517, os portugueses atacaram, de surpresa, uma importante aldeia litorânea. Os Portugueses foram expulsos neste primeiro conflito. Não encontrei mais a carta para fazer uma referência mais segura, mas é fresco na minha memória o relato sobre nativos saindo do chão como fumaça, sem chance de defesa ao invasores. Documentos oficiais da coroa Portuguesa revela que a partir de 1518 inicia investidas sobre nosso território, abrindo caminho e eliminando as Nações litorâneas para início da colonização que ocorre a partir de 1530. Lembrando que mesmo vencendo as batalhas os indígenas não resistiram às doenças, e cada ataque europeu encontrava um número menor de guerreiros.
Enquanto isso outros portugueses estabeleciam comércio com os povos do Sul. Assim a rincha ancestral entre Tupi Guarani e Tupinambás foram agravadas, prejudicando ainda mais a resistência nativa contra os europeus. Afinal Tupinambás foram atacados por Portugueses enquanto que, estes se aproximavam cada vez mais dos Tupi Guarani. Esse jogo perigoso dos portugueses não contavam com a organização das nações Tupi. Somente em 1550, pelas cartas de Anchieta e Nóbrega é que o Rei de Portugal toma conhecimento da Confederação dos Tamoio, fundada por uma grande reunião de grandes lideranças, especialmente chamada e liderada pelos Tupinambás, com apoio Francês.
A dominação portuguesa de nada tinha haver com avanços tecnológicos para os povos Tupi. A ideia sempre foi dominar toda a costa para controlar todo o comércio de especiarias, alimentos, madeira e toda gama de suprimentos e água para o reabastecimento das embarcações que faziam as rotas entre Europa e a Ásia por mar. Entre os franceses havia muito interesse pela madeira, agravada pela má vontade de pagar as taxações abusivas da alfândega portuguesa. Não demorou para que os maquiados de peruca branca começarem a buscar líderes Tupinambás para acordos e contratos diretos, bem como ajuda no combate aos portugueses nos domínios Tupi.
Se entendemos que a Confederação dos Tamoio foi criada em 1554, logo em 1555 desembarca na Baía da Guanabara, o Diplomata Francês, cavaleiro da Ordem de Malta e vice-Almirante da Bretanha, Nicolas Durand de Villegagnon. Nascido em 1510 em Provins, 90 Km de Paris; falecido em 1571; lembrado como “maior marinheiro de seu tempo”. Mesmo com todas as evidências históricas e documentais apontando para que a iniciativa da Confederação foi Tupi, até hoje a narrativa oficial registra que se tratavam de povos selvagens inocentes e manipulados, caracterizando a Confederação dos Tamoio como consequência da estratégias de sedução de Villegagnon. É preciso dizer que o “feche francês” também esteve no encontro em 1554, secretamente (o que indica que não havia forças militares franceses, apenas a boa e velha diplomacia de peito aberto e cara limpa), no entanto acho que é inocência demais pensar que ele foi o principal articulador de tal movimento Tupinambá. Fato é que a França Antártica existiu de 1555 a 1570, sendo invadida e completamente destruída pelo fidalgo português Mem de Sá (1500 + 1572) após 1560. São Sebastião do Rio de Janeiro tem sua fundação registrada em 1º de Março de 1565. O famoso Estácio de Sá (1520), sobrinho de Mem, foi morto durante a Batalha de Uruçumirim pela “multidão de flechas” dos Tamoio em 1567, quando se deu a consolidação do domínio português na Baía da Guanabara. As baixas incluíram o Tamoio Aimberê junto de centenas de guerreiras Tupinambás e 5 oficiais franceses. Marcando também o fim da Confederação dos Tamoio.
A História da Confederação dos Tamoio não é simplesmente registro da força e habilidades de resistências dos povos Tupi, também é demonstração da capacidade de diálogo com as Nações europeias quando o trato era vantajoso para ambas as partes. Assim como os Jesuítas tiveram sucesso na convivências com os Guarani no Sul, na chamada de Missões ou reduções, que também foram vítimas da sede de sangue e morte da coroa portuguesa, após o queda total da resistência dos Tupinambás.
Tal História também registra a milenar rixa entre Paulistas e Cariocas, e de como a violência não traz avanços para ninguém.

JM 28-2-20 – T.I. 1-3-20

PSOL inicia ciclos de encontros no Parque Juca Mulato

Com ação desde 2008 em Itapira, o PSOL chama interessados para um encontro aberto no Parque Juca Mulato. A reunião pretende apresentar as bases do partido, bem como sua ação na cidade e na região, além de abordar a importância e viabilidade de sistemas Democráticos descentralizado. Havendo espaço para participação de populares, com o intuito de sanar possíveis dúvidas. O principal objetivo é criar momentos para que os cidadãos conheçam o PSOL, um partido que sofre muito com as campanhas anti-esquerdas, dentro do movimento das “fakenews”.
Até o momento existem 4 datas definidas, sujeitas a alterações: 29 de fevereiro, 14 e 21 de março de 2020. Esta última se trata de um encontro regional, com presença de Deputados Estaduais e representantes de diretórios municipais locais, com apoio prévio de Amparo, Serra Negra e Monte Sião.
Para a participação não é necessário filiação, nem comprometimento com os ideias e políticas defendidas pelo PSOL ou qualquer movimento dito como das esquerdas, embora os participantes devam entender que o foco do encontro é divulgar os ideais e ações progressistas em Itapira.
Entendendo que a briga de egos entre velhos políticos é o fator que mais contribuiu para o agravamento dos problemas de Itapira, é necessário buscar alternativas de superação do coronelismo local. Cada vez mais o PSOL 50 vem aglomerando pessoas e ações que provocam essas mudanças de comportamento com relação ao Serviço Público Municipal, consolidando cada vez o Partido Socialismo e Liberdade como alternativa para uma reforma política real no Brasil. Lembrando que desde sua fundação o PSOL vem influenciando fortemente a Política com ações efetivas.

JM 27-2-20

Desenho

Desenhar é secundário.
Primeiro temos que conhecer o tema a ser representado. A origem do tema pode ser livre e original, política, encomendada e até mesmo, e mais rotineiramente cópia, cópia e mais cópias.
Todos desejam ser e fazer original. Precisamos da cópia, pois os dias também são cópias, as pessoas são cópias. Um desenho é sempre uma cópia, mesmo que por vezes faça o papel de impressora da imaginação humana.
Mas cada cópia, é um original. Às vezes a diferença é o erro. Um quadrado não muito quadrado, aquele risco que o artística não sabe como apareceu mesmo depois de finalizado. O olhar…. Não dá pra pegar aquela boca e aquele fundo, com esse tom de Azul? Copiemos mais uma vez, na busca pela utópica perfeição.
Assim o Artista se eleva para a posição de Criador. Se Deus pode tentar uns dilúvios, o Artista tem direito de descartar tudo no primeiro traço. Das mesma forma ambos criadores tem a plateia mais exigente, crítica e insensível. Afinal ninguém jamais entende um sentimento a ser transmitido durante o trabalho de criação, melhor que o próprio inventor. Por isso original, mesmo que cópia. Assim somos nós, Artistas, Humanos e Divinos; mesmo os alguns de nós tenham parado de desenhar assim que perdida a infantil inocência.
Mas a vida não está ganha, o tempo urge… é mais simples desconsiderar que letras também são desenhos, Desenho é trabalho? O “porquês” não se usa, não há tempo… Trabalhe… Copie… Não pense… Não olhe… Não palpite… Apenas trabalhe!!! Nada impede o olhar e o pensar, assim como a nada impede hipóteses de um sorriso. Uma cor, uma forma, um sorriso, ou mesmo uma lágrima, não atrapalha a vida de ninguém. A arte pode vingar a vida, aprendi isso com a trupe teatral itapirense, Talagada.
Penso na Política como uma Arte, antiga e necessária à sobrevivência e evolução da espécie. É tudo o que importa, se manter vivo e manter viva nossa espécie. Melhorias não são uma opção. Já é sabido que tivemos mais mudanças [para melhor viver] genéticas e morfológicas nos últimos 3000 anos que nos milhões anteriores. Estamos mais altos, mais fortes, nossa longevidade está aumentando e estamos ficando velhos por mais tempo. Tudo está cada vez mais automático e os saberes mais profundos e amplos. A Arte registra o que nenhum livro registra, mais do que pelo boca-a-boca, de ouvido-em-ouvido. Os livros são fundamentais para a reciclagem dos conceitos que envolvem uma vida humana. Graças e Louvores se deem a todo momento, aos digníssimos e santíssimos Monges Copistas! Amém… Afinal a Arte de tais monges possibilitaram a manutenção de incontáveis saberes antigos, menos com a Europa queimando livros e pessoas na grande noite da História da Humanidade mais recente.
Já viram o trabalho de um Monge Copista? Antes do .PDF, havia a impressora. Antes ainda haviam as imprensas e as editoras, que utilizavam prensas para carimbar os códigos, desenhados e depois estúpidos ou fundidos, no papel. O produto final dobrado, chamamos jornal, e o encadernado chamamos de livro. Antes disso, cada folha havia de ser desenhada a mão, letra por letra. Mais a ilustração. Eu, João Marquezini, sou um Amanuense também, uma continuação dos monges copistas, cujo sacerdócio é copiar, reproduzir, analisar, arquivar e por vezes eliminar. Para o ganha pão desenho só letras, para formar palavras e entendimentos sobre a necessidade das boas práticas sanitárias e epidemiológicas no Estado de São Paulo. Elimino com o mesmo trabalho, sabedoria e dedicação. Por ser humano copio o que vejo ou que imagino, tentando transmitir o que sinto com risco que não se encaixem em códigos preestabelecidos.
É essencial ao Humano usar métodos de comunicação onde o risco isolado não representa quase nada, é preciso de uma coletividade de formas, cores, traços, sombras, brilhos, texturas e volumes. Assim se forma um Humano e uma sociedade em que o sangue dos mártires seja somente uma cor de bandeira, nada mais e nada além disso.
Desenhar é primordial.

JM 29-2-20 – T.I. 23-2-20

Caminhada ancestral

Didaticamente penso que os Tupi eram três grandes famílias. Os Tupinambá ocupavam em especial o litoral, os Guarani caminhavam pelo Centro-Sul e os Tapuia viviam cercados no Centro-Noroeste, considerando como ponto central o atual Distrito Federal do Brasil. Apesar de independentes, e “inimigos” milenares, possuíam base cultural e linguística comum, diplomacia e amplo comércio.
Tapuia é forasteiro, aquele que não fala nossa língua. No caso a “nossa língua” refere-se ao Tupi Antigo, no Português usa-se o termo Macro-Jê. Então temos dois grandes troncos linguísticos nativos, o Macro-Tupi e o Macro-Jê. Cada tronco tem diversas famílias, comumente chamamos de dialetos e sotaques. Também são conhecidas 19 famílias linguísticas que não se encaixam nos padrões Jê e Tupi, e algumas línguas isoladas (faladas por único grupo, sem ligação fonética externa).
Em 1500 os Tupinambá, da Bahia, conhecem Pedro Álvares e Pero Vaz, e passam a designar todo branco de Peró. Os escribas do Rei informam sobre os novos aliados, e como estavam ávidos por trocar erva-Mate por machadinhas de ferro. Com informações sobre maiores possibilidades ao Sul, os Portugueses passaram a aprender o Tupi e alianças comerciais e matrimoniais dão origens a vila de São Vicente em 1532, a administração do Porto de Santos pelos Peró em 1536 e a fundação do Colégio Jesuíta que marca a fundação de São Paulo em 1554.
Tapuia se embrenharam ainda mais mato a dentro. Peró e Guarani construíram no Sul vilas estruturadas e organizadas, na busca pelo ideal de agregar os benefícios da civilização europeia livre dos vícios. Em 1594 é publicado a obra Arte de Gramática da Língua mais Usada na Costa do Brasil, do Jesuíta José de Anchieta. Se trata do registro mais genérico e puro da língua e cultura dos povos que habitavam essas terras antes de 1500, sendo a principal base teórica para aprender Tupi Antigo atualmente. A partir de então Peró e Tupi passam a compor músicas, escrever histórias e fazer teatros misturando aspectos culturais de ambas formas de viver. É o nascimento do Brasil marcado com o surgimento e ampla utilização da Língua Geral.
Com o novo modo de vida surgem novas culturas, mas também novas doenças, o primeiro contato com a sífilis matou boa parte dos Tupi rapidamente por todo o continente. Lembrando que os Tupi eram povos seminômades, sempre em circulação, vezes por migrações sazonais, mas mais frequente para visitar parentes distantes. As reduções Jesuítas era por vezes uma chance de sobreviver livre das guerras, mudar costumes era o menor dos problemas.
Com franceses cobiçando o comércio de madeira, ao passo que Portugueses evitavam comercializar ferramentas que pudessem se tornar armas, líderes Tupinambá de toda a costa se reúnem em assembleia para firmar alianças com os franceses, contra Guarani e Portugueses, por volta de 1554. Chamamos essa organização de Confederação dos Tamoio.
O período de 1554 a 1567 da História do Brasil também é conhecido como a Guerra dos Tamoio. Guarani e Portugueses lutavam contra Tupinambá e Franceses, desde então tudo ficou ainda mais difícil. Até 1800 não restaria mais quase nenhum indivíduo Tupi ligado diretamente aos seus ancestrais, grande parte da Cultura se perdeu no tempo. Sonia Guajajara, liderança indígena e agente político do PSOL, fala da redução de 5 para 1 Tupi de 1500 aos dias atuais. Sabemos que a maior redução da população nativa foi durante o século XVIII, pelos Bandeirantes. Os Charrua, inventores do churrasco, foram dados como extintos em 1831. Após o massacre de Salsipuedes, os 4 últimos Charruas: Senaqué, Tacuavé, Vaimaca e Guyunusa; foram levados para apresentações públicas num zoológico humano em Paris, onde morreram. Atualmente no Uruguai famílias estão reivindicando alcunha e tradição cultural Charrua.
Em 1670 o Império Português reconhece as Bandeiras Paulistas como instrumento de defesa das reduções portuguesas e missões jesuítas pelo Sul das Américas, contra nativos considerados hostis (todos fora das aldeias europeias). Logo essas aldeias europeias passaram a contar com suas próprias manifestações culturais e comércio independente. O pequeno povo português conhecia os risco caso a sociedade brasileira superasse a metrópole europeia, e em 1759 os jesuítas foram expulsos do Brasil, acusados de controlar um “Estado dentro do Estado” e de insuflar os Guarani contra o domínio Português. Importante salientar que além da busca por ouro, os Bandeirantes já eram utilizadas também para escravizar e destruir brutalmente tanto aldeias quanto Quilombos. A quem diga que luta de classes não existe.
Do Século XV ao XIX a língua Tupi sofreu alterações, estabelecendo o Nhe’engatu, a fala [Nhe’en] boa [Gatu], se tornando a língua mais falada pelos habitantes das bacias Amazônicas e, especialmente, do Rio Negro. A partir de então os povos Tupi e Jê vem se reencontrando e se reconhecendo, podemos dizer que estamos vivendo uma grande reconstrução de suas bases culturais, adaptadas às novas realidades tanto no contexto urbano quanto nas aldeias, chegando nas universidades e outros continentes.
No último século demarcarmos e protegemos reservas, criamos o Parque do Xingu e a FUNAI trabalha para manter o isolamento de mais de centena de povos da Floresta Amazônica.  Manter acordos e zelar pela paz e harmonia entre os povos é uma obrigação de qualquer grande Nação que se diga civilizada. Quando a nação Sapanawa foi atacada por traficantes  peruanos, alguns indivíduos buscaram no Acre apoio Brasileiro e obtiveram. Registrando assim o primeiro contato entre indígenas e brancos sem mortes em 2014. Sobreviventes Sapanawa relatam que restaram apenas 30 dos mais de 130 guerreiros, comprometendo a sobrevivência de todos os povos isolados.
Os descendentes dos Guarani, Tupinambá e Tapuia que permaneceram em contato com os Peró se misturaram no Xingu, se espalharam novamente e tentam manter como podem suas características migratórias e aldeias para o culto religiosos coletivo, em honra aos ancestrais.
Na fala dos líderes durante as grandes festas Kuarup, no Xingu, é reafirmado a superação da violência entre indígenas, no desejo de divulgar a união dos povos e promover uma vida melhor para todos, além de honrar ancestrais comuns.

JM 7-2-20 – T.I. 16-2-20

Evidencias arqueológicas e estudos demográficos sugerem que, viviam nas Américas, Central e do Sul, algo entre 15 a 20 milhões de humanos. Cada grande Nação com suas próprias subculturas, assim havia milhares de modos de vida em comunhão com a Floresta, com culturas distintas, sem conhecer a fome. Sobre o tema sugeri-se conhecer o trabalho do Professor e Arqueólogo, Eduardo Goes Neves.