Símbolo musical de Itapira

Existe uma diferença crucial entre Memorialista e Historiador: a compreensão do macro-contexto que envolve a rotina das pessoas. Assim o Memorialista, reproduz e valoriza o conhecimento das gerações passada, enquanto que o Historiador, analisa e traduz esse conhecimento para o presente.
Embora com profundas diferenças ideológicas, admiro muito o trabalho do Memorialista Marcio Carlos quando atuante no Museu de História de Itapira. Até hoje consulto muito o http://marciocarlosblog.blogspot.com/, recomento muito, é um resumo legal de muita coisa, com referências documentais interessantes e importantes sobre esses 200 anos de Itapira. No dia 10 de junho de 2011 ele escreveu sobre o hino de Itapira:

“Uma coisa que me chama sempre a atenção é que a conjugação do verbo “unificar”, pela cópia apensa ao projeto de lei 16/75, diz “unificamos” e em outras publicações, sai como “unificado”.”

Marcio Carlos, 2011.

Na publicação ele revela que, o hino escrito por José Marella e composto por Ivahy Baptista Nascimento, no século XIX, somente foi oficializado em 1975 a pedido da Banda Lira Itapirense. A municipalidade institui armas em 1956 e bandeira em 1970. O texto ainda revela uma disparidade entre a letra cantada e a letra registrada quanto a conjugação do verbo UNIÃO, a primeiro sentimento do símbolo musical itapirense. A letra original registra o termo UNIFICAMOS, cantamos e está disponível nas plataformas de cifras o termo UNIFICADO.
Em matérias jornalísticas no começo dos anos 2000 o Memorialista Arlindo Bellini lembra que os Hinos Municipais tem ligação com o surgimento e difusão do Futebol, no início do século XX. Itapira tem um ritmo agradável e empolgante, letra simples e de fácil compreensão, se não foi criada para a torcida se encaixa bem nos critérios.
O início do Século XX é marcado pelo saturamento do pensamento de guerra. Por milênios os homens lutam entre si por qualquer coisa, as causas mais comuns sempre foram terras, alimentos, medicamento, mulher e rota comercial, nesta ordem. A válvula de escape é sempre a “defesa do modo de vida”. Na primeira metade do século foram guerras globais, e na segunda metade a superação dos discursos de ódio para os discursos de Paz. Assim é natural que o termo UNIÃO ganhe destaque, em oposição as separações provocadas pela violência da guerra.
No século XXI ainda é difícil para boa parte de nós entendermos que basta viver, e deixar as pessoas serem elas mesmas. Falam tanto em “tradição da família brasileira”, mas na primeira oportunidade largam nossa língua mãe para usar termos estrangeiros, em tudo… Segundo o Presidente do Brasil o EUA sempre será o melhor. Na outra ponta aumentam presídios e fecham escolas. Quem é o real inimigo do modo de vida brasileiro?! Eu trabalho para que o Brasil supere e muito esses gringos sem sal, nem açúcar… Começando pela cidade mais Linda do Brasil: Itapira. Então vamos voltar aos nossos símbolos, para que as próximas gerações possam escolher símbolos melhores para suas lojas e não copiar e colar do coleguinha loiro, di zóiozul.
Comemoramos na realidade 200 de domínio cristão. A aglomeração de pessoas dada mais de 5.000 anos. Evidências arqueológicas já comprovaram que a Mandioca tem pelo menos 22.000 anos de domesticação no norte do Brasil. Mas somente no ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1820 é que foi fundada a primeira colônia cristã de Itapira, no sudeste de São Paulo. Este ano marca a mudança do povo de Itapira para o povo da Penha. A narrativa começa com João de Moraes e Manuel Pereira autorizando a derrubada de um mato, no alto de um espigão, para dar início a construção da capela em honra a Nossa Senhora da Penha. A primeira missa se deu em 19 de março de 1821, pelos sacramentos do padre António de Araújo Ferraz,
Entre 1500 a 1800 os europeus (quase todos cristãos) já haviam dizimado quase toda a população das Américas do Sul, estimados em mais de 15 milhões de seres humanos, assim como tinha incorporado e aprimorado o escravismo por mais de 300 anos, dizimando todo o continente africano indiretamente e destruindo o futuro de bilhões de famílias pelo mundo. Até em 1888 os cristãos da Penha exageram tão feio que, se sentem obrigados a devolver a localidade ao menos o seu nome legítimo: Ytapirá.
1950 parece marcar a renovação. Ruas começam a serem pavimentadas, a cidade “pós-guerras” parece progredir. É justo que símbolos comecem a ser pensados. A História não deixa esquecer certas coisas, mas os Homens são empenhados em tentar apagar, ou desdizer, ou ainda justificar o injustificável. Então falamos Ytapirá, mas escrevemos Itapira, conforme já ensaiei no aniversário de 199 anos.
O pensamento superior-branco-cristão é doutrinação no inconsciente. Em primeira instância somos filhos de nossa própria época, é natural reproduzir um pensamento ignorante e/ou intolerante. No caso do Hino de Itapira imortalizamos o pensamento cristão para justificar o genocídio de qualquer pensamento contrário. Lembrando que os Tupi estão sempre alerta, pois se bobear na Floresta a Onça pega. Então oficialmente deveríamos cantar:

UNIFICAMOS povo sempre alerta
Pela santa glória deste torrão
Berço do sonho assim disse o poeta
Linda, linda disse um coração
Será sempre o brasão

José Marella (*? – +1951)

Pessoas notaram a questão e buscaram melhorar o termo, para ficar menos pretensioso, mas mantendo a intenção coletiva, então cantamos:

UNICADO povo sempre alerta
Pela santa glória deste torrão
(…)

adaptação popular do Hino de Itapira – posterior a 1950

Quando um pedido para rever o Hino modificando o termo, o poder local lembra de seu passado e não autoriza a mudança de algo que não encomendaram. nas razões do veto de 4 de agosto de 1975 foi registrado:

“(…) os autores foram sabidamente excelentes e ilustres em sua arte”.

Antonio Carlos Martins, 1975

Assim como na versão oficial sobre o nome de Ytapirá a gráfia é a correta, em relação ao sentimento cultural restante desses povos, o sentimento passado pela letra oficial está igualmente correto.
Que permanecemos UNIFICADOS, entendendo cada vez mais que tentar mudar/apagar o passado não resolve os problemas presentes ou do futuro. Conhecimento e sabedoria são as chaves de ouro e prata de São Pedro. Violência e ódio são chaves de outros portões.

JM 7-2-20 – T.I. 9-2-20

O drama político policial de muitos pais e mães

Em manifestação política, 23-1-20, acabei colocando alguns GCMs em posição complicada. Era preciso afrontar as esferas de poder e infelizmente muitos políticos covardes usam  a Segurança Pública de escudo. Eu jamais me sentaria no meio de uma sessão da Câmara se eles tivessem pagando o aluguel devidamente e/ou se fosse para votar melhorias públicas reais. Caberia ação judicial sobre os servidores públicos que forçaram saída de meu próprio patrimônio imobiliário. Mas não o farei e já pedi perdão diretamente as pessoas envolvidas pela situação criada por mim. Entendo que o responsável pela situação seja o presidente com sua incapacidade política, e o desrespeito de 5 dos outros 9 vereadores com a coisa pública. No mesmo dia e local, acabei por gritar também fortes críticas às formas da Segurança Pública em geral. Quero aproveitar o momento para explicar minhas posições frente a essa esfera do Serviço Público.
A chave está no dia-a-dia das pessoas e da cidade. E fato é que nenhum agente de segurança é odiado pelo seu ofício. Pelo contrário, gostamos de autoridades, ainda mais as fardadas (eu gostaria de ser Coronel do Exército). Os poucos odiados sãos os poucos que tem ligações obscuras com setores criminosos da cidade, e/ou que abusa da posição social que ocupam. Todos, mesmo os grandes traficantes, ao se dirigir a qualquer agente da Segurança Pública, abaixa a cabeça e o trata como “Senhor” em qualquer situação.  Mas sempre tem aquele colega que dá um chute sem necessidade, um pata só mostrar quem manda. Piadinhas infames e abordagens ostensivas e desrespeitosas aos direitos humanos em locais públicos movimentados não reflete apenas a falta de profissionalismo como também compõem fator que leva populares a temer mais que respeitar a farda. Esses tipos de agentes, a minoria (insisto), quando colocados na linha de frente contra o crime são os primeiros a ser abatidos. Mas não é sobre esse tipo que estamos falando. Nosso trabalho é para livrar todas as corporações dessas manchas por caminhos institucionais, sem barbárie. Pessoas que evitam violência são chamadas de “Civilizadas”.
O tipo mais comum de agente de segurança pública, é o pai, ou mãe  de família civilizada, que busca formas de proporcionar melhor condição de vida para sua família. Durante o expediente atendem os chamados com vigor e disposição. Quando solicitei apoio contra ameaças de bolsonaristas em 2018, a GCM me atendeu de pronto. Mesmo durante minha manifestação no Circolo, não tenho do que reclamar da postura dos profissionais, mantiveram a calma e me respeitaram, mesmo comigo fazendo um carnaval exagerado. Esses são nossos agente de Segurança, pessoas dedicadas e esforçadas, capacitadas e preparadas. No entanto, mal remuneradas e com condições precárias para o trabalho.
O salário de soldado da Polícia Militar de São Paulo não chega a R$ 3.000,00. GCMs costumam ter inícios de carreiras muito menores. Se denunciar abuso do seu chefe, pode ser acusado de “motim” e ser demitido a “bem do serviço”. O DIEESE apresentou em janeiro de 2019 cálculos sobre o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas,  R$ 3.928,73. A base no cálculo consta custo com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e Previdência Social. O salário mínimo de 2020 está oficializado em R$ 1.045,00. Lembrando que 8h de trabalho diário equivale à ⅓ da vida dos adultos economicamente ativos.
Um familiar próximo atuou como soldado temporário da PMSP. Foi orientado a não divulgar essa informação, assim como não deixar farda e uniformes secarem em local de fácil visão e acesso de transeuntes e vizinhos. Sabemos que sempre existe um querendo ser o mais espertão de todos, e esse sempre acaba atrapalhando todo mundo, não importa o lado da corda. Mas esses cuidados adicionais não entram em nenhuma conta sobre salários mínimos. Não demora muito ao pai, ou mãe de família, agente da Segurança Pública, se ver na necessidade de ir contra as normas, valores e moral, para iniciar bicos como segurança particular.
Que mal há de acontecer em ficar 2 ou 3 horas na frente de uma loja, supermercado ou empresa? Ou 15 minutos com as sangrias dos caixas debaixo do braço? Quem ousaria assaltar um agente de segurança pública? Sempre há um espertão, sempre. E se foi mais um pai de família. Não foi o primeiro, tão pouco será o último. E o governo segue subestimando o poder da influência do mercado e permite que seus agentes sejam marionetes nessa dança de poucos passos e muitos riscos. No discurso o inimigo é sempre  outro.
Na outra ponta do sistema os “empregadores” sempre podem contratam empresas de segurança privativa especializada. No entanto, especulações sobre o destino de assassinos de policiais cria a falsa ideia que um agente de segurança pública pode lhe proporcionar uma prevenção ao roubo mais efetiva. Assim os valores ofertados para agentes públicos são diferenciados e tornam ainda mais difícil ao pai ou mãe de família recusar o bico. A vinculação trabalhista não pode ser caracterizada, uma vez que a prática é ilegal e pode levar a exoneração do servidor público, dando mais uma vantagem unilateral ao “empregador” e mesmo assim ainda se gasta menos com o bico. A Segurança Pública que mais mata é a que mais morre, e boa parte morre na defesa de bens privados, fora das funções públicas.
Acredito na potencialidade de cada qual sem a necessidade de submissão ao superior hierárquico. No trabalho efetivo precisamos de compreensão e entendimento para concluir a empreitada, não de continências, filas e uniformes impecáveis. Precisamos entender que a Ordem Unida só é bonita e ritmada quando não é uma obrigação. A desmilitarização da Segurança Pública eleva o nível de ação das forças públicas, sem necessariamente comprometer as escalas de comando e ninguém fala em desuniformização. Queremos que os profissionais sejam livres para denunciarem colegas e superiores cujo comportamento  não condiz e não estimula o moral da tropa. Queremos profissionais que não precisem trabalhar quando deveriam estar educando seus filhos, cuidando de familiares impossibilitados, e/ou se divertindo com amigos e familiares. Queremos profissionais vivos e atuantes, agindo com inteligência, com equipamentos condizentes com a realidade que nos cerca e bem relacionados com toda a comunidade, num grande sistema de informação e monitoramento. Com o menor risco possível a integridade física e vida dos profissionais da Segurança Pública.

JM 31-1-20 – T.I. 2-2-20

Una breve storia della Comunità Italiana di Itapira

Quanto aqui os portugueses chegaram queriam a propriedade porém sua utilidade efetiva era de posto de abastecimento das rotas de comércio luso-indianas. O método do saque era comum no processo de adquirir ervas, temperos e outras especiarias. No entanto na primeira tentativa de saque aos Tupi, 1517 próximo a Salvador, os Guarani saiam de todos os lados da mata, e parafraseando alguns registros de viagens “como fumaça saindo do chão, sem chance de defesa”. Assim a relação voltou a ser de posto de abastecimento português e administração Tupi.
A relação foi rompida quando Portugal investe contra o comércio de madeira Tupinambá com a França por mar e passa a estabelecer alianças bélicas com os Tupi-Guarani contra seus inimigos milenares: os Tupinambá; no continente todo. O objeto mais desejados pelos Tupi eram as machadinhas de ferro europeu, a tecnologia mais avançada da época. Graças a elas é que eram possíveis construir as grandes embarcações. No entanto o avanço do sistema Capitalista pela Europa exigia uma produção de matéria prima muito mais rápida e em maior quantidade da que os Tupi desejavam comercializar. Neste ponto a discussão se encerra com respeito às tradições Tupi, que como já escrevi em outros ensaios representam instruções de como manter o ciclo de vida das matas e florestas do mundo. Em 2018 o sistema de manutenção da vida na Terra chegou no limite da auto sustentabilidade, ou seja, toda a matéria prima que estão sendo extraídas da Terra não estão mais sendo recriadas. O Ciclo da Vida foi rompido.
Neste ponto da História, Portugal financia as Bandeiras num verdadeiro genocídio dos povos Tupi. Busque pela Histórias das Missões Jesuíticas do Sul do Brasil.
Então foi introduzida a mão-obra escrava. Milhares de africanos foram trazidos à força para trabalhar em tudo. Por 300 anos. O que aconteceu com todos os negros escravizados após a Abolição da Escravatura em 1888 ainda é objeto de estudos históricos, sendo ainda “cedo” para um resumo assim.
Nada acontece do dia para a noite. Em 1877 embarcações financiadas pela Inglaterra e São Paulo, a primeira vez que uma Província negocia diretamente com outro Império que não o Império do Brasil, deixam portos italianos com destino ao Santos. Provavelmente subiram a serra amontoados na Maria Fumaça, menos de 20 anos o Imperador Dom Pedro II havia passado pelo mesmo caminho, mas a pé ou, quando seguro, no lombo de Jumentos pelas trilhas de fila única tradicional da logística Tupi.
Os Italianos de nada  tiveram culpa sobre o sangue com essa Terra foi lavada, seja indígena ou negra. Embora alguns de nós, perdidos nas muitas verdades das histórias que nos circulam, acabam por reproduzir algumas fórmulas para serem aceitos socialmente, ma so che parliamo tutti molto e urliamo molto, insistiamo poco, a volte, ma non facciamo mai appello alla violenza e pochissimi di noi tentano deliberatamente di combattere la Vita.
A unificação italiana devastou o povo. Eram guerras entre nobres que não tinha fim. Campos de trigo eram queimados, aldeias saqueadas, centenas de famílias eram obrigadas a se mudarem, ou jurar fidelidade a outros senhores fora de suas tradições nativas. O Brasil prometia vida nova, terra vermelha e a liberdade Americana. Meus ancestrais compreendem engraxates dos arredores de Roma, coroinhas de Veneto, caixeiros viajantes, e outros trabalhos que sobram aos mais pobres. E minha descendência é quase a mesma de cerca de 70% da população. Tem primo que nunca nem conheci. Então minha família é Itapira, pra facilitar.
De Santos, os italianos foram espalhados pela Província. Campinas, Jundiaí, Amparo, Sorocaba, Piracicaba entre outros estações férreas. Os proprietários de terras exigiam uma produtiva ainda maior ainda a exigida dos negros, afinal agora “to pagando”. Os italianos então viviam das cadernetas nas vendas locais. Guardavam qualquer moeda que sobrece nas bolsas e trabalhavam debaixo de Sol e Chuva, comendo o mesmo prato típico italiano sopa de legumes e pão. Como ainda eram minoria e todo o resto da população exigia uma alimentação mais farta, e os grandes senhores capitalistas só plantavam cana, café e boi, a crise no abastecimento era inevitável, a fome levou os proprietários de terra a crises financeiras. Então inicia uma “reforma agrária” com venda de terras.
Histórias do meu avô, Elbe Marquezini, falam de seu pai adquiriu na ocasião terras da divisa de Serra Negra até próximo ao bairro do Istor Luppi (José Marquezini foi casado com Rosalina/Rosina (não lembro) Luppi, irmã de Istor). Isso correu com todas as famílias italiana, e mantiveram alianças matrimoniais internas até os anos 1980. Meu pai é um dos primeiro cujo nome representa outras origens territoriais, sendo um Machado (espanhol… Mas somos caboclos de fato, não é tão simples assim essas linearidades). Eu só entendi o tamanho do prejuízo da escravidão, quando entendi que os negros não conseguem contar esse tipo de História. Por isso é um erro pensarmos que a causa Italiana é uma causa racista e elitista, por mais que alguns de nós pensem somente na exclusividade.
Tem muita coisa para contar, se for entrar na História de outras famílias, como a dos Marcatti, cujo um dos familiares foi executado por se posicionar politicamente contra a Ditadura de Vargas em 1932,  onde ainda hoje liga Machadinho ao Barão. Mas só quero falar de mais um Italiano, Walter Ricciluca.
Ele me contou mais de um vez sobre como ele, filho de sapateiro, fora expulso de dentro do Clube VX, pelas mãos de um serviçal de origem africana, de luvas brancas, a mando do “presidente” pois ali só entrava as elites portuguesas. Na ocasião a Comunità se chamava Società Italiana e se reuniam em sua sede, nas adjacências do perímetro urbano, na João de Morais. Lá escutavam Mussolini, era o único canal de comunicação com a Itália. Estudei o fascínio, pelas letras italianas, mesmo Mussolini negava a presença crescente do nazismo, embora o fascismo seja igualmente discriminatório, mas como dizia o Wand, Hitler fez o holocausto, Mussolini dava umas palmadas e o povo foi trabalhar nos campos de trigo fascistas de livre vontade. O final de Mussolini foi condizente a de qualquer outro tirano, fuzilamento em praça pública, em Giulino, depois o corpo foi apedrejado por mais de 5000 populares, o ano era 1945.
Quando finda a 2 Guerra Mundial, todas as instâncias se fecharam aos Italianos, foram ligados diretamente às ideologias fascistas e nazistas, por terem ficado do lado da nação mãe num conflito que por aqui ninguém entendia direito. Eram poucas informações intercontinentais. Ricciluca contava que um belo dia foi chamado pela direção da escola, ele e outros haviam sido dispensados mais cedo. Os pais já haviam sido comunicados anteriormente e todos se recolheram em suas casas. No final da tarde começou apedrejamentos nas residências dos Italianos. Falava  de 2 dias trancados em casa, até que tudo se acalmou. Desde então a Società não se reuniu mais, a origem ítalo passou a ser vergonha e sua sede, sem demais explicações passa a abrigar as sessões da Câmara Municipal de Itapira até hoje.
Assim como no passado, somos humanos, e estamos perdidos e confusos. A História sempre ajuda na caminhada.

JM 24-1-20 – T.I. 26-1-20

Mister Brown

Quando iniciei a idealização do marquezini.com, a sessão MBAE (coisa) deveria ser para assuntos aleatórios, fora dos eixos principais: Cultura, História, Política, Tupi, Agropecuária e Religiosidade. Mas na prática, gostei mais da aparência de todas as publicações juntas, sendo o único local que podemos apreciar os diversos visuais abordados para cada ensaio publicado. Pois tudo é carinhosamente pensado para melhor transmitir a mensagem que desejo passar, tanto como peças únicas quanto no conjunto da obra toda.
Se esse foi o rumo que melhor finalizou os 7 pilares, não havendo intenção de se criar mais um, o desejo por sair das formas começa a martelar a mente. É chegada a hora que criar uma gaveta, caixa. Para manter a causa da divulgação do Tupi: Karamemûã.
Um espaço para peças que não compõem um interesse sem objetivos, sem metas, sem princípios. Fechando o ciclo de intenções originários para a plataforma.
Esse espaço, poderá eventualmente servir para apresentar temas trabalhados por amigos, assim divulgação de iniciativas que eu acredito e gosto.
Para começar, abriremos com um retrato que fiz em 2003, aos 14 anos de idade. Comecei a desenhar antes de falar, e sempre tentei suprir as dificuldades de leitura com arte (sintomas da cegueira das letras, a dislexia). Não se iludam, esse é o melhor desenho daquela época. É preciso treinar, errar, e corrigir muita coisa antes de concluir um trabalho neste nível de qualidade aos 14 anos de idade.
Mister Brown nasceu em Itapira, criação de Apaloosa’s do médico Milton Santana. Por não atingir os padrões de pelagens da raça, acabou saindo do círculos mais elitizados e pude conhecê-lo aprender muito sobre sua espécie. Quando fiz esse retrato, já dominava técnicas da chamada “doma racional”, uma forma de comunicação Homem-Equino que funciona muito. Então esse desenho representa essa ligação minha com o Brown. A melhoria do seu comportamento melhorou muito a medida que eu e ele nos entendemos cada vez mais. Uma série de alongamentos e exercícios diários provocaram aumento do rendimento e deixaram ele mais tranquilo para executar sua parte nas provas cronometradas. Tenho uma gratidão muito grande, ao Piano, que me provocou neste sentido, uma vez que ele próprio não havia muito tempo para se dedicar ao Brown.
Viajamos sul de Minas e centro-leste de São Paulo. Até que recusei uma proposta para trabalhar remunerado como treinador west para me dedicar aos estudos. De toda forma 2004 não iria mais trabalhar com Brow. Ingressei na EAFI-MG. Sem a devida atenção Brown voltava a irritar-se facilmente. Foi vendido logo. Só fiquei sabendo de sua passagem meses depois, segundo informado não resistiu mais que um mês longe de Itapira, mesmo estando na flora da idade e no auge do vigor físico.

JM 17-1-20 – T.I. 19-1-20

Já é bicentenário itapirense na Austrália!

Estive presente no lotado lançamento oficial das comemorações dos mais de 200 anos de Itapira, ocorrido em 8-1-20. O ponto alto da sessão cívica foi a apresentação da marca comemorativa. O conceito elaborado pelos profissionais da Secretaria de Cultura ganhou forma com cuidados artísticos de Tiago. No quesito arte, fica meus comprimentos ao Tiago pelo toque pop na tradição e nas cores de Itapira. Destaque para o vermelho e azul, em tons elegante, mais adequado aos gostos do século XXI. É uma boa marca, captura a gente, provocando a religação que se pretende.
Apesar da forte ressalva por 2 ou 3 nomes, devo confessar que é muito bom ver alguma busca por melhor representar nossos irmãos conterrâneos, é um cordão umbilical que não se corta. O local de nascimento é sempre a primeira informação individual, depois vem nascimento e se já fez a passagem, só então a filiação, formação e profissão, fechando o primeiro parágrafo biográfico de qualquer ser humano.
Não foram divulgados os critérios seletivos para os cidadãos lembrados com a marca, no entanto devemos louvar e bendizer a decisão da equipe de trabalho pela busca por nomes alternativos. Especialmente entre os descendentes africanos, trazendo um pouco mais de luz sobre as partes ainda muito sombrias do nosso passado recente.
Entre os presentes na cerimônia se destacou a presença de um dos lembrados neste momento comemorativo, o eterno professor Barreto. Exemplo de dedicação aos esportes e de um vigor físico invejável, se destaca entre atletas de alto rendimento desde sua juventude ao apogeu de seus atuais 84 anos completos. Boa parte dos itapirenses adultos passaram pelas mãos do professor Barreto, muitos outros participaram dos inúmeros jogos que ele já auxiliou e/ou organizou. Eu o escuto quando cedinho volto para casa, ele começando suas caminhada e catação de latinhas de alumínio para ajudar em projetos sociais. Barreto ainda é autor da obra literária: A força e a beleza dos Ideais. Além de vigor físico, amor ao esporte e a vida, Barreto e esposa são só sorrisos e risadas.
A marca também relembra a vida de:

Fia Preta e Preto Nabor com seus imensos valores sociais para a continuidade das tradições e saberes africanos. Representam mais de 60% da nossa população brasileira que descendem de africanos, que foram fortemente violentados ao longo de mais de 300 anos. Trazidos contra vontade, aos ferros e na ponta do chicote para servir aos caprichos de latifundiários. Muitas vezes recebendo um tratamento pior e ainda mais violento que os animais de trabalho dos nobres grileiros de terras Tupi. Fia e Nabor são lembrados pelo seu povo, seus familiares e ancestrais, pela bela capacidade em transformar toda essa dor e sofrimento em festa. A nossa festa do 13, a festa de Maio, guardando nas congadas as grandezas, belezas e segredos de suas tradições resistentes. Que Fia e Nabor nós lembrem que a Cultura é viva  e presente, e que a Congada precisa de atenção o ano inteiro.

Joaquim Firmino o delegado que quase transformamos em mártir da abolição, após mais de 200 invadiram a casa e executaram Joaquim, na madrugada de 11 de fevereiro de 1888, poucas horas depois de ser destituído do cargo de Delegado da vila da Penha do Rio do Peixe. O processo criminal foi arquivado por falta de provas. Especula-se que Dr. Boi, um confederado derrotado, tenha orquestrado a campanha que culminou no assassinato de um servidor público que recusava gastar recursos públicos para captura de escravos fugitivos. Além da violência em que se deu o episódio, os carrascos de Joaquim não pouparam esposa e filhas dos fatos. A garantia da Liberdade para negros se deu em 13 de maio de 1888, provocando a volta da denominação local às origens Tupi com o termo “Ytapirá” em 8 de fevereiro de 1890. A mudança de nome se deu oficialmente para tentar esquecer erros do passado.

Américo Firmino Machado. Médium, se dedicou aos trabalho no campo doutrinário espírita e assistencial. Esteve engajado em campanhas de assistência a idosos, mendigos, órfãos e obsediados, que resultou na construção do maior Hospital Psiquiátrico do Brasil, fundado em 1914. Instituição que tomou o nome “Américo Bairral” em homenagem póstuma. “Bairral” é por nascimento, por problemas com a família ele passou a usar o sobrenome “Firmino Machado”. Espero estudar mais profundamente esse itapirense, penso que pode ser uma chave importante da História de Itapira.

Henricão, respeitado sambista atuou até no cinema. Foram 12 filmes e 14 discos. Falecido no Rio de Janeiro em 1984, deixou um importante legado para as marchinhas de carnaval do Brasil com… Ai ai ai ai, tá chegando a hora / O dia já vem raiando, meu bem / Eu tenho que ir s’imbora… Lançada em 1942 pela cantora Carmen Costa.

Irmã Angélica foi consagrada católica Calvariana, retornando a casa do grande Pai no ano passado. Muito lembrada pelo mais de 50 anos de Santa Casa de Misericordia de Itapira, foi ainda uma das fundadoras do Lar São José, para acolher e educar crianças e enfermos. Que irmã Angélica nos lembre que Deus não está no sucesso econômico, mas na dedicação aos mais necessitados.

Paulo Menotti Del Picchia, um poeta errante. Chegou em Itapira aos 5 anos, em 1897, falecido em 1988. Seu escritório pessoal está preservado e disponível para visitação no Parque Municipal Juca Mulato (entrar em contato com a Cultura de Itapira). Juca Mulato é o nome de um dos poemas mais conhecidos de Menotti, um belo lamento apaixonado de um itapirense.

Hideraldo Bellini, o primeiro a erguer sobre a cabeça a taça Jules Rimet. E mais, capitão da seleção brasileira de 1958, a sexta participação do Brasil em uma copa do Mundo, sendo a segunda vez que chegou numa final. Mas desta vez, contra Suécia, tivemos nosso primeiro título Mundial, dos 4 acumulados hoje.

Regina Vieira, Miss São Paulo e segunda colocada no Miss Brasil de 1956.

Virgolino de Oliveira, fundou a Usina de Cana-de-açúcar Nossa Senhora Aparecida. Falecido em 1962 em acidente aéreo.

João Estevanato (in memoriam) e Ogari Pacheco, executivos fundadores dos Laboratórios Cristália.

Outra iniciativa bacana para o bicentenário de Itapira é a pasta pública disponível em <https://drive.google.com/drive/folders/1vSE4FT6DaB8wRt6yrzJrfz3vgfphOzfp&gt;, onde já contem informações mais completas e oficiais da biografia de cada lembrado, assim como os detalhes do conceito da marca. Creio que durante as comemorações mais informações e materiais serão acrescentados.

JM 10-1-20 – T.I. 12-1-20

Mapa dos lembrados na marca oficial de 200 anos de Itapira

E mais uma vez: Cadê o Projeto? Cadê a Política Pública?

Para sanar problemas de preguiça dos eleitos itapirenses, segue os 2 capítulos mais importantes da legislação sobre Unidade Móvel de Esterilização e Educação em Saúde. Aguardo ansioso tomar conhecimento e visitar a nossa base técnica local de apoio ao CastraMóvel, assim como seu plano para educação e acompanhamento dos animais que passarão pelo procedimento cirúrgico (dentro de uma lata fechada no Sol de 40º).
Texto completo em http://portal.cfmv.gov.br/lei/index/id/298


RESOLUÇÃO Nº 962, DE 27 DE AGOSTO DE 2010

O CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA – CFMV -, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelos artigos 7º, 8º e 16, alínea “f”, da Lei 5.517, de 23 de outubro de 1968:

(…)
CAPÍTULO I
CONSIDERAÇÕES GERAIS

Art. 2º Compete ao Plenário do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) da respectiva jurisdição a aprovação do projeto para a realização dos Programas de controle populacional de cães e gatos.
Art. 3º É obrigatória a homologação de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) junto ao CRMV da respectiva jurisdição do Médico Veterinário responsável pelos Procedimentos de Contracepção de Cães e Gatos em Programas.
Art. 4º Os Programas com a finalidade de controle populacional deverão ter por base a Educação em Saúde e Guarda Responsável, e não apenas o fluxo de esterilizações.
§ 1º A perfeita realização dos procedimentos pré, trans e pós operatórios devem ser prioridade do Programa, nunca colocando em risco a vida e o bem-estar animal e tendo importância secundária o número de intervenções por fase do procedimento.
§ 2º O Responsável Técnico é obrigado a encaminhar ao CRMV de sua jurisdição relatório sobre cada Programa realizado, contendo, no mínimo, informações do proprietário e dados de identificação e condições do animal atendido.

CAPÍTULO II
DAS INSTALAÇÕES

Art. 5º Os procedimentos de contracepção em cães e gatos devem ocorrer em ambiente fechado, restrito, de tamanho compatível com o número e fluxo de animais a serem atendidos por fase do procedimento, de acordo com a Resolução CFMV nº 1015, de 9 de novembro de 2012, e outras que a alterem ou substituam ¹.
Art. 6º Os procedimentos de contracepção em cães e gatos também poderão ser realizados em Unidade Móvel de Esterilização e Educação em Saúde (UMEES), devidamente regularizada perante o CRMV e demais órgãos competentes, tais como registro no Departamento de Trânsito e Prefeitura Municipal.
§ 1º A UMEES deve estar, obrigatoriamente, vinculada a uma instituição pública ou privada e, se possível, a uma instituição de ensino superior em Medicina Veterinária².
§ 2º Toda UMEES deve estar vinculada a uma base técnica local de apoio previamente definida, se possível a um Hospital Veterinário Escola de instituição de ensino superior em Medicina Veterinária.
§ 3º Deve ser determinado um estabelecimento médico-veterinário para encaminhamento de ocorrências de urgência e/ou emergência que não possam ser resolvidas no local definido para realização dos procedimentos, se possível, um Hospital Veterinário Escola da instituição de ensino superior em Medicina Veterinária.
Art. 7º As instalações para a realização do Programa, incluindo a base técnica local de apoio, deve contemplar ambientes para pré, trans e pós-operatório, recepção dos responsáveis pelos animais, além de sanitários para uso da equipe e do público.
(…)

(¹) O caput do art. 5º está com a redação dada pelo art. 3º da Resolução nº 1158, de 23-06-2017, publicada no DOU de 04-07-2017, Seção 1, págs. 237 e 238.
(²) O § 1º do art. 6º está com a redação dada pelo art. 2º da Resolução nº 1080, de 13-05-2015, publicada no DOU de 26-
05-2015, Seção 1, pág. 55.

JM 3-1-20 – T.I. 5-1-20

Quem puxará o castramóvel?

A real diferença entre populismo e políticas públicas se vê com o que vem ocorrendo no Brasil com a questão animal.
Se por um lado tal luta vem trazido grandes avanços sobre o trato com animais, e tenho muita competência para afirmar tal mudança pois a vivi, sendo um dos primeiros em Itapira a estudar e aplicar conceitos e práticas da chamada Doma Racional de equinos. Uma profunda e completa mudança comportamental e de mentalidade humana sobre esses importantes seres que sempre foram judiados demais pelo progresso humano. Em minha memória é fresca lembrança das pessoas deixando de chamar a carrocinha para esconder os cachorros de rua em casa, quando a carrocinha passava, para não virar sabão.
No entanto sou um humanista. Não creio na Vida na Terra pós-Homem e atribuo a manutenção vegetal a ação humana, especialmente, graças às seleções de alimentos e bancos de sementes de povos perdidos no tempo que resistiram às profundas mudanças climáticas. Penso que os primeiros homens lutaram muito para conhecer o funcionamento desta Terra e para equilibrar aspectos que possibilitam uma menor variação de temperatura do globo. Contribuindo assim para um despertar revolucionário da vida. Darwin vai chamar esse movimento de seleção natural das espécies. Os cristão espalham o Conto da Arca de Noé. Os pagãos têm milhares de centenas de fórmulas para explicar tais mudanças, sendo a mítica luta dos Homens contra Titãs e Deuses furiosos. Assim nenhum cachorro ou gato, periquito ou papagaio, nem mesmo moscas ou onças, existiriam se não fosse o surgimento ou chegada do Homem neste planeta.
Não à toa os gatos se adaptam a nossa vida rapidamente, se aproveitando de cada luxo humano. Assim como os camundongos. Os cães se entregam às personalidades humanas como nenhum outro, estudos seguiram até sugerir que alguns cães podem sofre um transtorno de não se sentir um cão, se reconhecendo mais como humano. Cavalos são seres muito nobres para se misturar de verdade com os Homens, é preciso falar a línguas deles para conquistar a confiança ou quebrar ele na pancada (como foi comum há menos de 30 anos). No entanto todos eles não sobrevivem mais naturalmente e com a melhoria das condições da vida humana tiveram suas próprias condições de vida melhoradas. Obviamente que não podemos voltar, e deve evoluir.
Quero dizer que a responsabilidade dos Homens sobre os animais é algo muito sério.
No entanto estamos nos esquecendo as diferenças básicas entre humanos e animais. Falamos tantos que também somos animais, com mais de 90% dos genomas idênticos que, acabamos esquecendo que 2% muda tudo. A começar pelo polegar e movimento de pinça. Como agravante a grande maioria dos políticos, desesperados por votos, acabam aderindo certos discursos infundamentados de pessoas que, (com todo o respeito aos sentimentos alheios) “amam os animais”, em tempos que só o amor não resolve mais quase nada. É preciso estudo, aprofundamento, dedicação e profissionalismo. Colocar pessoas que somente “amam” algo a frente dos interesses públicos é um risco para o futuro da humanidade, em decorrência limita o futuro da vida na Terra também. É uma irresponsabilidade.
Com discursos fáceis o populismo político rola solto. Mas nenhuma ação real é tomada. O próprio castramóvel é uma aberração, é jogar dinheiro público no lixo. Seria mais barato e eficiente o poder público gastar o mesmo valor com contratos com clínicas particulares já existem, com equipamentos e pessoas treinado já trabalhando. Agora compraram um equipamento que nem poderá ser utilizado, pois o CRMV não regulamenta esse tipo de clínica móvel que tende ao açougues de antigamente. Na prefeitura nem existe médico veterinário qualificado para tal tarefa.
No Conselho Regional de Medicina Veterinária – CRMV do Brasil existem 124.253 profissionais inscritos e atuantes, a maior parte deles trabalham no Estado de São Paulo, sendo 33,6 mil veterinários paulistas (20 mil são mulheres) https://www.crmv-pr.org.br/noticiasView/5399_Parabens-aos-medicos-veterinarios-brasileiros.html. E o mercado vem se estabelecendo de todas as formas. Em Itapira temos 2 médicos veterinários públicos em funções que envolvem saúde animal, um mais preocupados com as zoonoses mais urbanas (especialmente transmitida por roedores, morcegos, moscas, alimentos mal produzidos ou armazenados, além dos problemas com envenenamento por cobras e aranhas), e outro voltado para a produção, preocupado com animais de grande porte como cavalos, gado, búfalos, cabras e ovelhas. O Estado de São Paulo colabora com mais 2 técnicos em agropecuária, para auxiliar o município na agropecuária, um com atribuição quase que exclusiva para saúde dos animais de produção, sou eu (marquezini.com/funcional). A União colabora com as campanhas de vacinação anti-rábica, uma confluência de diversos segmentos públicos municipais, estaduais e federais, integrando ainda a Saúde com a Agricultura. Na setor privado temos desde profissionais liberais, passando por aluguel de salas ou horas de laboratórios (necessário regulamentação), clínicas pequenas independentes e grandes clínicas que já funcionam quase como um Hospital Veterinário. Gosto da cultura de Hospitais, penso que a troca de informação e cuidados são maiores, uma vez que temos Veterinários pensando a administração, outros pensando nos clientes humanos, outros pensando nas acomodações para os animais, outro pensando em receber e coletar informações, todos pensando em como tratar melhor e mais rápido os problemas. O sistema de plantões ajudam a manter o serviço sem judiar do profissional e mantém os locais limpos e adequados as boa práticas clínicas que podem salvar o animal de estimação ou matá-lo. O castramóvel vai na contramão de tudo isso, e o CRMV está correto em dificultar esse tipo de tratamento que eu jamais submeteria o Ragnar a ser vítima. Até mesmo pelo motivo de que a castração é um procedimento barato, não sendo muito mais caro que os vermífugos semestrais para cães grandes.
É preciso informar as pessoas sobre as responsabilidades com animais de estimação, que vão muito além da castração. Estou falando tanto de doenças como de comportamento. Pois sabemos que animais têm certos comportamentos naturais da espécie, assim como o homem insiste no individualismo egoísta, como a questão da proteção territorial. Já tivemos casos de óbitos em Itapira, onde profissionais avaliaram o ataque do cão a sua dona motivado pelo desentendimento territorial do cão com a humana. Uma questão que poderia ser evitada com mais informação sobre como deve ocorrer a comunicação cão-homem. Sou um conhecedor das comunicação equino-homem. Cada animal tem uma própria forma de se expressar e entender os humanos.
Outra questão seria criar formas para auxiliar recém-formados na sua entrada no mercado de trabalho. Uma vez que de 2001 a 2016 passamos de 100 para mais de 340 cursos superiores para formação de Médicos Veterinários no Brasil. Todos com salas cheias.
Investir em linhas de pesquisas que possibilitem desenvolver técnicas menos invasivas de castração ajudaria mais. Mas o primordial, ao meu ver, é estender a rede pública Sanitária com regulamentação democrática e profissionalizada, e maior fiscalização dos estabelecimentos, tanto para animais de produção quanto para estimação. Para garantir que os casos de maus tratos dentro de ONGs ou clínicas sejam cada vez mais raras.
Castramóvel, além inútil, é populismo e assistencialismo. Se não for compra de votos.

JM 27-12-19 – T.I. 29-12-19

A serviço do interesse público

Uma História focada nos “grandes nomes” não possibilita compreender a belezas da Humanidade, uma vez que sua maior preocupação é dar ênfase nos feitos individuais. Governos tiranos ão sempre de arrumar mais problemas que soluções, além das tentativas de justificar atos, falas e comportamentos injustificáveis. Então se arruma a desculpa da “tradição cultural”, quando na realidade a moral e valores humanos nunca saíram de circulação entre os trabalhadores do mundo. Mas cegos pelo brilho das jóias não enxergamos nosso próprio valor. Isso não se limita ao Brasil, é um movimento das relações humanas. Pois quando engrandecemos a subjugação da Cultura de Roma sobre a Cultura Celta, deixamos de enxergar as permanências que fazem parte das bases do que chamamos hoje de Estado. Na prática deixamos de entender a invenção e aprimoramento do Ferro/Aço, assim como toda a tecnologia que envolve os vários níveis da manufatura e utilização,  assim como a construção de um nacionalismo saudável e aceitável; para se dedicar a guerra e justificativas vazias sobre a tirania. Sendo o Estado, uma materialização de parte dos aspectos do nacionalismo popular [ainda quero escrever sobre o quadrinhos “Asterix”, mas aqui um pouco sobre os povos Celtas numa visão mais histórica que sobre identidades nacionais: <encurtador.com.br/jrUV4>].
É compreensível que para alguns de nós o Estado seja entendido como algo pouco necessário. Um efeito colateral de uma sociedade fundamentada na liberdade individual fortemente influenciada pelo interesse econômico. Um discurso ideológico, muito ligado às pessoas que pouco perguntam: “de onde vem a água da minha torneira? Para onde vai a água da torneira?”. Como braço desse tipo de racionalização é comum se deparar com indivíduos que pensam o Estado como “entidade de caridade”. E em todos os setores da sociedade brasileira encontramos os que pensam no Estado apenas como “politicagem”. Essas pessoas não estão totalmente erradas, temos muitas coisas a serem melhoradas, talvez alguns setores devam até deixar de ser considerado interesse público. No entanto a negação, desvalorização e desmonte dos Serviços Públicos não vai melhorar a qualidade da água da torneira, do chuveiro e da piscina.
O Estado não nasceu por tratados e decretos, nem mesmo por imposição pura e simplesmente, tão pouco é natural. O Estado é ferramenta humana, nascido sob as Estrelas, no calor do Fogo, quando jovens e anciãos se reuniam para trocar experiências e decidir os rumos da tribo, ou clã. Sinceridade e consenso são fundamentais para a sobrevivência em comunidade. Assim, no presente, o Estado é entendido como a organização e execução de demandas e necessidades do interesse público.
Os primeiros serviços públicos foram construções e manutenção de ambientes para as reuniões e descanso dos familiares; áreas comuns como salões [cultural Celta] ou oka [cultura Tupi], buscavam sempre proporcionar todos os confortos e tecnologias disponíveis, da arquitetura a alimentação. Os Homens trataram de levantar as primeiras fortificações para proteger seus alimentos [neste aspecto o caso Tupi se difere do Celta]. Logo se busca proteger os meios de produção contra intempéries climáticas e possíveis aproveitadores. Os castelos foram uma junção de tudo isso, numa mesma construção, mais os aposentos pessoais das lideranças e suas famílias e uma novidade: os calabouços. Dada a curta vida dos Antigos pareceu lógico que a regra hereditária fosse imposta pelo bem da manutenção dos saberes acumulados. Com a evolução das escritas, das tintas e dos papéis, espaços exclusivos para a administração do interesse público passaram a ser cada mais necessários. Títulos passaram a ser cargos e funções, estamos agora no Feudalismo Europeu, sua permanência se chama “Concessionárias e permissionárias de Serviço Público”; Tal como a ciência fatiou a vida em dezenas de matérias e disciplinas, a Política destrinchou os interesses públicos em diversos segmentos e especialidades, inclusive entendendo melhor interesses partidários.
Os Castelos deixando de resguardar os trabalhadores e sua produção, passaram a resguardar a administração institucional, então foram chamados de Palácios; sem esquecer do magnífico trabalhos dos pedreiros. Neste momento a Humanidade passa a discutir e a entender os limites entre o Público e o Privado. Logo os títulos, cargos e atribuições divinas e/ou sobrenaturais, deixaram de ser considerados critérios relevantes ao interesse público. A Revolução Francesa marca a História por colocar em prática, da maneira mais cruel, o despejo dos parasitas “de sangue azul” dos imóveis públicos do Povo da França. Considero a guilhotina o símbolo da República-Terror dos Jacobinos (de 1793 a 1794); pois a mesma lâmina que corta a mão do ladrão, corta a cabeça do mal gestor do interesse público; No Brasil em 1889, quando Dom Pedro II tomou ciência sobre o golpe republicano em curso, se exilou na França, deixando os brasileiros com o mínimo de intervenção e influência. Essa foi a real independência do Brasil.
Os saberes adquiridos nas escolas, num processo de ensino e aprendizagem em vigor e em melhoramento, há pelo menos 200 anos no mundo e pouco mais de 100 anos no Brasil, provoca a vontade popular de testar as ferramentas sociais disponíveis, perceber sua eficácia e poder de transformação. A democracia, como busca pela sistematização da manifestação do interesse público, se mostra factual no absurdo da eleição de tiranos. Graças ao interesse público, cada mandato presidencial dura apenas 4 anos.
Os Serviços Públicos são essenciais. Países de primeiro mundo, considerados politicamente liberais, funcionam empregando mais de 30% da mão-de-obra nos quadros públicos. Os Servidores Públicos Brasileiros são 12% dos trabalhadores em 2015, conforme mostra o estudo da  Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE [Organisation for Economic Co-operation and Development – <encurtador.com.br/hwxJL>]. O Governador eleito do Estado de São Paulo em 2018, prometeu reduzir os servidores estaduais pela metade. O Presidente eleito tem metas e objetivos semelhantes. Itapira já funciona há ao menos uma década sob mão-de-obra terceirizada. Apenas nos últimos 2 meses, 5 contratos foram rompidos; as chances do Estado de Itapira ser restituído dos prejuízos dos golpes empresariais são mínimas. Para fechar a conta: cortam Serviços Públicos ainda vigentes e em pleno funcionamento, que por sua vez passam a taxar, extra, o contribuinte para manter o serviço necessário. Esse ciclo não somente afeta a qualidade, eficiência e eficácia do Serviço Público, como também acaba por afetar a vida privada do Trabalhador/Servidor Público.
Vivemos numa era de plena usufruição das liberdades individuais e com amplo acesso às informações. Agora compete a todos fazer escolhas mais criteriosas sobre os gestores do Serviço Público e sua observância aos interesses públicos.

* Serviços de Interesses Públicos *

O presente ensaio é parte da ação pública em favor de reformas administrativas do Serviço Público. Como objetivos indiretos, se espera reavivar centelhas de uma sociedade mais harmônica, possibilitando mais oportunidades na construção de um amanhã melhor que hoje.

JM 14-12-19 – T.I. 22-12-19

Precisamos conversar sobre História e Serviços Públicos

“(…) as habitações do povoado eram humílimas. As “melhores” eram construídas de madeiras e as inferiores de bambu. O forasteiro [Comendador João Batista de Araújo Cintra] recém chegado [1840] tinha “ideias bastantes avançadas para a época”, e assim sendo, para o pasmo geral, mandou construir um prédio (uma casa comum para os dias atuais) inteiramente de taipas, destinado à sua residência, deixando o povo boquiaberto com tamanha novidade e loucura… O “prédio” mandado construir pelo comendador é o que se encontrava ao lado do Club XV de Novembro, tendo servido como Prefeitura e Câmara Municipal até pouco antes de ser demolido, isso por volta de 1940.”

Jacomo Mandatto, 1959

Escritor, se fez jornalista para ganhar a vida e poeta para registrar a escolha pela esperança e pela alegria, Jácomo Mandatto nasceu em 1933 e morreu em 2009. Apesar de conterrâneos e contemporâneos de 1988 a 2009, nunca nos conhecemos. É inegável que o orgulhoso descendente de italianos promoveu uma grande divulgação da História de Itapira. Cabe aos Historiadores investigar cada indício resistente ao tempo, e Mandato nos deixou um bastião de indícios bem organizados. Todo o acervo está sob tutela do Circolo Italo-Brasiliano, os quais tive amplo acesso entre os anos de 2012 a 2016.
Obviamente que não somente ele, mas outros memorialistas como João Caldeira, Sérgio Freitas, e contemporâneos Marcio Carlos, Arlindo Bellini, Humberto But, Eric Apolinário, entre outros que se dedicam a curiosa História de Itapira. Também devemos lembrar os meios que sempre se abriram e publicaram nossos estudos como o Jornal Tribuna de Itapira.
Há menos de 50 anos toda a nossa História era limitada ao conhecimento de poucos indivíduos. A democratização dos saberes é a maior revolução que a humanidade poderia desejar. Bem ou Mal essa revolução está em curso e a todo vapor. É preciso entender melhor as escolhas que estamos tomando frente ao futuro que está se desenhando no horizonte de nossa sociedade. para que possamos tirar o melhor proveito possível para melhoramos a vida em Itapira.
No ofício de Historiador estou me colocando à disposição da comunidade para conversar sobre todas estas questões e outras mais diretas ao nosso dia-a-dia de Itapira. A partir desta semana algumas casas estarão recebendo uma carta convite à conversa, com uma texto e ilustração especialmente criados por mim para este momento. Depositadas somente nas caixas de correios.
A intenção é reunir pessoas para que juntos possamos dialogar sobre aspectos da nossa sociedade, relembrando o passado na busca por soluções para o futuro de Itapira. Tais encontros podem ser mais reservados, no entanto devem ocorrer preferencialmente em grupos, para a conversa ter mais vozes e caminhos sobre questões ligadas aos Serviços Públicos. Embora tenha minhas ideias não se trata de apresentar verdades ou soluções perpétuas, afinal cada momento pede uma postura assim como cada trabalho exige uma ferramenta. É preciso entender os princípios e este é um momento mais adequado.

Os encontros estão previstos para se realizar:

de Janeiro a Abril de 2020

em dias úteis, das 18 às 22h

e demais dias a consultar

Se o leitor também desejar esse encontro, estou igualmente a disposição. Entre em contato com a proposta de data e hora. Salientando a importância da correta destinação de resíduos sólidos. Aconselha-se buscar orientações juntos dos profissionais da ASCORSI.
Itapira merece ser mais justa, respeitosa e participativa. Promovendo oportunidades e uma melhor qualidade de vida para todos nós.

JM 12-12-19 – T.I. 15-12-19

Celtas: Europeus esquecidos contra César

Li em algum lugar, algo sobre a escolha para palavra “Celta” para batizar um modelo de carro popular, montado em Gravataí, no Rio Grande do Sul, foi fabricado de 2000 a 2014; A pesquisa de opinião pública teria apontado que tal palavra é uma das mais “agradáveis” (não recordo o termo exato). De fato, é um termo que traz consigo a impressão de conhecer, para além do automóvel… Mas de onde mesmo?!
Chamamos de “Celta” o estilo de vida indo-europeu comum aos povos: Bretões, Gauleses, Belgas, Escotos, Batavos, Eburões, Gálatas, Trinovantes e Caledônios, entre outros povos menos conhecidos e talvez outros perdidos no tempo. Tal cultura predominou por cerca de 2000 anos solares até a rendição do líder tribal Vercingetórix ao general romano Júlio César, em 3 de outubro de 52 a.C. Podemos dizer com mais certeza que Celta é o que ainda resiste da cultura indo-europeia, assim como termo “Tupi” expressa a resistência das culturas indígenas no Brasil. E muita coisa ainda resiste e há de resistir. Mesmo com as muitas brigas e rixas entre famílias, clãs e tribos, os povos indo-europeus mantinham relações sociais entre si, incluindo o comércio. Foi assim que desenvolveram, e muito, a tecnologia na fabricação de produtos utilitários e artísticos a partir de metais; inaugurando o que chamamos hoje de Idade do Ferro. Marcando o fim da era que se convencionou denominar Pré-História. De lá pra cá tivemos ainda a Idade Antiga, até meados de 500 d.C., Idade Média até meados de 1500, Idade Moderna até 1800, e hoje compomos o que já se convencionou chamar de Idade Contemporânea. Há quem defenda que já estamos em uma nova era: Idade Tecnológica; inaugurada com as invenções das redes sem fio e nanotecnologia posterior aos anos de 1980.
Como qualquer sociedade desenvolvida, não tardaram a iniciar um processo de expansão territorial, em especial dos Gauleses sobre os, hoje chamados, Italianos. Rixas familiares e tribais internas dos Celtas os fragilizam nestas disputas entre tribos fronteiriças. Sendo comum a prática do saque, uma forma de diminuir o poderio do inimigo, impedindo ou prorrogando as guerras. Os Úmbrios, assim como  os Celtas, eram sociedades tribais, não haviam soldados. Guerreiros são camponeses, caçadores, artesãos, ferreiros, bardos, escravos, ou qualquer que, além de suas funções sociais ordinárias, se interesse por assuntos de guerra.
Não muito longe da Úmbria, em Roma, um exército estava se desenvolvendo e aceitaram lutar para expulsar os Sênones do território dos Úmbrios. Uma aliança provoca outra e em 18 de Julho de 390 a.C. Roma é saqueada por guerreiros Celtas.
O aço Celta era mais resistentes e afiado, demorava mais a perder o corte, além de mais leve (Seria verdade que Celtas aprenderam as artes da têmperas do aço com Elfos e Anões?). A qualidade da têmpera do aço Celta possibilitou desenvolver utensílios, ferramentas e ornamentos mais delicadas e resistentes, uma revolução de ferramentas a moda.
A organização centralizada e constante reposição de soldados, frente às sazonalidades e inconstâncias dos guerreiros Celtas levaram o estabelecimento do controle de Roma sobre a Úmbria em 283 a.C., a partir de então se inicia a invasão romana sobre os territórios Celtas. A investida do general Júlio César já durava quase 8 anos, quando sitiou Alésia; era agosto de 52 a.C.  O exército Celta era composto por mais de 80 mil guerreiros liderados por Vercingetórix. Contando o apoio ao exército e os habitantes de Alésia, Júlio César sitiou quase 200 mil celtas.
Com menos de 4 semanas Alesia já estava conhecendo a sede e a fome. Os líderes tribais Celtas se reuniram e decidiram pelo fim definitivo da guerra contra Roma. Ciente de seu destino, sozinho, com armadura e armas, aos 20 anos de idade, Vercingetórix entra no acampamento Romano. Chegando até a tenda de Julio Cesar, desmonta e se desarma. O gesto é claro, os povos Celtas se rendem ao Império de Roma. Desde então nomes são alterados e o passado passa a ser visto apenas como histórias fantasiosas sobre um povo humilde, pacífico e mágico.
A conquista dos territórios celtas mudou o Mundo, pois mudou Júlio César. Em um grande Triunfo o general entra em Roma como um semi-deus, herói, por ter derrotado e aprisionado o mais bárbaro de todos bárbaros, o maior inimigo da paz romana, o líder Gaulês. A popularidade do general cresce tanto que abala as bases Republicanas Romanas, cujo final todos sabemos: – Até tu, Brutus, meu filho! – 70 anos mais tarde Roma crucifica outro líder tribal que começou a unir as pessoas, mas agora na Galileia.
Me desculpem os crentes, mas no meu entender, o homem loiro de olhos azuis, é Vercingetórix. Uma lembrança de um ancestral europeu que se sacrificou para salvar o seu povo e dar fim a uma guerra herdada. Uma resistência artística dentro da obrigação religiosa cristã medieval, imposta sobre os descendentes dos Celtas que hoje se autodenominam nações. Sendo elas a Inglaterra, Escócia, Irlanda, País de Gales, Espanha, França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Áustria, República Tcheca e Eslováquia. Alguns estudos apontam para que o Belgas são os que melhor mantém vivos aspectos culturais Celtas.
Alesia nunca mais foi ocupada. Hoje é sítio arqueológico, terra sagrada para os franceses. Um museu parque de 7.000 hectares, como réplicas das fortificações e benfeitorias, servindo puramente para a perpetuação da cultura Gaulesa e lembranças sobre fatos que são considerados marcos para a formação da identidade do povo Francês. É preciso compreender que Desde 53 a.C. as menções aos povos Celtas foram ficando cada vez mais raros, somente a partir do Século XIX com o avanço do pensamento acadêmico científico e estruturação de disciplinas como a História e a Arqueologia, assim como a Antropologia e Ciências Sociais, é que a humanidade pode voltar a lembrar e falar livremente sobre os Celtas e outros tantos povos que tentaram resistir à romanização. Pois de 400 d.C. até o século XIX toda resistência cultural Céltica era dada como demoníaca e profana, e deveriam ser purificadas com fogo para a glória de Deus. Assim, em especial, as Druidesas foram queimadas vivas em praças públicas, junto de milhares de livros. A tentativa, sem sucesso, sempre foi para apagar da História qualquer sociedade livre da tirania, onde o interesse coletivo seja superior as vontade de um ser humano sozinho e em guerra contra o Mundo.

JM 29-11-19 – T.I. 8-12-19

Erradicação das Leucenas de Itapira

Fato é que nos últimos anos ocorreram muitas obras na cidade. O recém construído museu de História Natural não aguentou as chuvas e já está fechado, sem previsão de reabertura. Inauguramos 2 ou 3 creches novinhas. Fechamos outras, a da frente de casa tinha uma previsão de 2 meses, segundo a Secretaria de Educação há 1 ano atrás, mas a escolinha ainda está fechada e as ainda reformas nem começaram. O número de vagas, assim como o déficit, continuam os mesmos de todos os anos. Foras obras prometidas: Revitalizar a Praça da Matriz; Revitalização do Parque Juca Mulato; Revitalização do Lazer; Construção de Teatro Municipal; Quantos sonhos não realizados. Mas se alguém colocar na ponta do lápis todas as emendas e recursos, e verbas conquistadas, como dizem com o terno bem alinhado e corados de orgulho: Não dá para pagar tudo o que foi prometido? Precisamos fazer tantos empréstimos mesmo? Cadê os Vereadores de Itapira? Já ouviram falar da Restauração da Casa da Cultura? Algum linguarudo já soltou que novas rachaduras foram notadas. Até às secretarias parecem estar em constante reformas, mas nada muda. Nada faz essa prefeitura decolar.
Então ninguém ficou de fato espantado quando numa manhã as máquinas da prefeitura iniciaram a erradicação das Leucenas em diversos pontos da cidade. As ruas começaram a falar sobre a substituição das Leucenas por árvores nativas. Fiquei feliz. Considero um trabalho necessário. As Leucenas trazem poucas vantagens a nós, humanos. Nem combina com nosso relevo e vegetação natural. Particularmente, sonho com uma cidade com muitas frutíferas. Boa parte de nós pensa assim, por isso ficamos quietos. Observando e esperando.
Uma semana se passou, duas… O silêncio permanecendo.
Devagar, com timidez, profissionais tanto dos ramos produtivos quanto dos ambientais, começaram a comentar sobre possíveis anormalidades na forma com que o trabalho foi realizado. Assim como expressar a estranheza sobre a demora em retomar o trabalho: o replantio com a prometida vegetação nativa.
A rotina da vida urbana moderna moderna impossibilita que, nós da classe trabalhadora, tenhamos condição de adquirir as mudas e plantá-las por nós mesmo. Aos que gostam dos assuntos públicos, mas que não desejam entrar no jogo político, não tem voz. E quando o comando da máquina pública é toda em função de troca de favores pessoais. com pouco ou nenhum compromisso técnico, o povo paga uma conta muito mais alta.
No caso das Leucenas, o movimento popular “Se a cidade fosse nossa: Itapira-SP”, que sempre reuniu profissionais de diversas áreas, começou a circular projetos de outras localidades que executaram o mesmo procedimento e falharam. Porém apontando as falhas e como contorná-las. Pois é para isso que serve a ciência e o conhecimento técnico: Evitar os mesmo erros, superar dificuldades passadas; além de melhorar nossas vidas e facilitar nosso trabalho. Isso quando se tem profissionais sérios envolvidas. Não está sendo o caso de Itapira.
Para entender e explicar todas estas questões técnicas, buscando uma alternativa para se resolver os problemas levantados é o coletivo resolveu chamar uma Audiência Pública. Marcada data, 20-11-2019, e hora, 19h, já habituados a todos os trâmites, no dia 12-11-2019 protocolamos o requerimento para uso da Câmara Municipal. Como já efetuado desde 2016, sem jamais ter passado por uma negativa a presença do Povo em sua própria casa legislativa dessa forma.
Na sexta fomos informados de a Câmara estava em reforma, que ainda não se sabia o que fazer com as sessões. Na segunda teriam uma avaliação melhor. Mentira. Já havia sido negada, o servidor público que estava envergonhado de passar a real informação. Pois se trata de uma decisão vergonhosa para o líder político: vetar um movimento popular que buscava entender melhor para indicar vias para se resolver um problema sério e urgente.
Mesmo assim buscamos por outros lugares. Foi então que descobrimos sobre como boa parte dos prédio públicos municipais estão impossibilitados ao uso do Povo. Na Escola Estadual Antonio Caio uma luz se ascendeu. Mas assim que tornamos público, a Diretoria de Ensino, sempre contra a autonomia das escolas, seguindo a cartilha PSDista, e por telefone usando justificativas legais, subjugou a decisão do Diretor Escolar. Um Diretor que encheu a escola de pais, buscando uma nova consciência de comunidade escolar. É acusado de não respeitar as instâncias burocráticas, já em andamento. E que todos tenham ciência, Itapira não é exceção, é padrão Paulista vetar bons diretores de escola que se colocam em posições de melhorar a qualidade de ensino. As diretoras boas, são as que só recebem os salários e só trabalham para desacreditar os colegas.
Já era dia 20. Todos ficamos perdidos e desacreditados. No dia anterior teve sessão de Vereadores. Na quinta teve reunião lá também. Mas na Terça, estava tudo fechado e apagado. Somos lá na frente conversar com quem pareceu. Outros foram até a Escola.
Esse é o tipo de História que eu não desejo escrever. Mas é preciso que todos saibam que tipo de gene pensa que nos governam. E levam mais de R$ 580.000,00 por ano do nosso suado dinheiro (somados os subsídios dos vereadores em um ano).
A resolução é importante. A prefeitura iniciou o plantio, mas o problema é maior. Cuidados a longo prazo precisam ser garantidos. Por isso marcamos a Audiência em local adequado para desenvolver todo o debate técnico.
A política de churrasco de amigos acabou. Queremos política séria, focada em resolver problemas, não em perseguir opositores.

Toda a população de Itapira está convidada para a Audiência Pública das Matas Ciliares do Córrego Santa Bárbara, Ribeirão da Penha e Rio do Peixe. A se realizar no dia 27 de novembro de 2019, nas dependências da sede da Ordem dos Advogados do Brasil em Itapira.

JM 22-11-19 – T.I. 24-11-1

Resposta da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Itapira

E o gado? Tá vacinado contra Febre Aftosa?

Caminhamos para 4 décadas de Campanhas de Vacinação contra Febre Aftosa bem sucedidas no Brasil, mas com especial eficiência no Estado de São Paulo. Doença que pode ser umas das causas, não consideradas pela História, para explicar o grande êxodo rural brasileiro. Não existem dados seguros, mas sabemos que na década de 1980 (os primeiros dados mais próximos da realidade) tivemos perdas de até 88% em determinadas regiões do Estado.
Somos um Estado que cresceu como o café, mas que era puxado por bois. Nossa especialidade: o transporte da boiada. Por aqui passavam as comitivas cuiabanas, rumo litoral e ao sul. Gaúchos raramente vinham, nossas comitivas levavam bezerros paulistas e do norte e nordeste, voltavam com gado gordo, cavalos, ervas, queijos e cereais. Muito dos animais criados aqui ainda viajavam para recria no norte e nordeste. Se tínhamos os barões do café, também havia “Doutor Boi”. Em Ytapirá, na época chamada Penha do Rio do Peixe, em 11 de fevereiro de 1888, um criador de gado, confederado norte americano, sulista (derrotados na guerra civil americana em 1865, efetivamente a abolição da escravatura lá), foi indicado como mandante do “crime da penha”: o frio e cruel assassinato de Joaquim Firmino, na frente da mulher e das filhas; Fora acusado de ser abolicionista. A Lei Áurea foi assinada em 13 de maio do mesmo ano de 1888.
Nas nossas belas paisagens, prados verdes as montanhas azuis, não faltam pastagens. O gado permeia a História de São Paulo tão ou mais que o café, mais carioca. Pois o Paulista, trazendo na testa o pó da viagem, amarra em cada pé de café um boi da invernada, garantindo que ainda reste, no pasto, uma boiada; Segundo registrado por Tião Carreiro (*1934 +1993), “O Rei do Gado” (composição de Teddy Vieira, 1961), tem sua corte em Andradina – SP, rota para o Pantanal e ponto de parada para quem vem pelo Rio Paraná. Foi com os pantaneiros que os Paulistas aprenderam a levar gado por água. Hoje setores da política conservadora lutam para facilitar ainda mais o transporte de animais vivos pelo Atlântico, saindo de Santos. Acredito que o corte fino, especialmente preparado pras churrasqueiras gringas sejam um retorno melhor que enviar nossa matéria prima e genética para o estrangeiro. Para além das questões econômicas, é desumano submeter nossos bovinos há esse tipo de trânsito. Não há mais nada a comentar sobre.
Nunca havia percebido como estamos ligados ao gado? Somente os paulistas metropolitanos, da nossa capital, consomem cerca de 11% de toda produção nacional de carne bovina. E 80% de toda nossa produção é para o consumo interno. Salvo as grandes marcas, toda a carne encontrada no mercado do bairro é produzida na própria cidade ou em cidades circunvizinhas.

“Vale lembrar, contudo, que o pico de importação de carne bovina pelo Brasil aconteceu no ano de 2013, quando as compras alcançaram o equivalente a US$ 388,69 milhões.”

Ivan Formigoni [matéria completa], 2019

Há quem diga que havia crise durante o Governo PT. Não vamos falar de política. Estamos falando da capacidade produtiva e consumo no Estado de São Paulo. Que, segundo o próprio governo, tanto produção, quanto o consumo, da carne bovina vem reduzindo nos últimos anos; dados disponíveis pelo Instituto de Economia Agrícola – IEA /SAA/SP. Cabe nos questionarmos, sobre a redução: Por força de crise econômica? Ou pela readequação alimentar das pessoas?
O avanço do motor de combustão interna, aliada a epidemia da Febre Aftosa, ao meu ver, compõem as principais causas do rápido fim da cultura caipira de São Paulo. Pois ao ponto que as comitivas iam sendo substituídas por caminhões, seus antigos padrões estavam queimando e enterrando o gado doente, limitando cada vez a oferta de trabalho para carreiros e boiadeiros. Momento histórico também registrado na voz de Tião Carreiro, na música “Nelore Valente” (Sulino e Antonio Carlos, 1886). Hoje temos além de registro histórico da cultura caipira de São Paulo, temos o melhor método do Mundo para se aprender a tocar instrumentos de cordas: o Método Tião Carreiro, do ponteio de viola. Insuperável e com forte influência das rodas de jongo africanos.
Tudo isso para tentar expressar a importância quanto a erradicação da Febre Aftosa em nosso Estado. Superamos a crise produtiva e hoje temos o 2º maior rebanho bovino do Mundo. Sendo interesse público desde a instituição da Campanha de Combate a Febre Aftosa pela Lei nº 49, de 25 de abril de 1969.
Já escrevi um pouco sobre a superação da crise epidemiológica por intervenção pública nas propriedades nas décadas seguintes [ensaio citado]. Hoje já não há mais a intervenção, porém há obrigatoriedade legal de comunicação de informações sobre o rebanho e sobre as vacinações ao Governo do Estado de São Paulo.
No entanto alguns produtores, em geral pessoas que nem dependem do gado, se alimentam com carne importada, pensam estar acima das obrigações civis e colocam toda nossa comunidade em risco. Pois além do controle e erradicação da Febre Aftosa, as CEFA’s possibilitam uma série de ações coordenadas e coletar informações seguras para ação rápida e práticas em mais de uma dezenas de programas sanitários e epidemiológicos do Brasil. Os profissionais que que colocam a vida em risco em cavernas para observar a população de morcegos hematófagos, principal causa de Raiva (vírus mortal) que, não raro, infecta humanos, colhem informações dentro da estrutura criada no combate da Febre Aftosa. A vigilância sobre Itapira para o combate a Raiva é importante para o todos animais e humanos, pois locais pedregosos existe maior incidência de morcegos que se alimentam de sangue. Por isso a tolerância é zero para qualquer produtor que “esquecer” de vacinar, e a multa é pesada.
O calendário de vacinação é um entendimento técnico, considerando diversos órgãos independentes de vigilância sanitária, oficiais ou não, assim como conselhos de classe e sempre com base em pesquisas sobre as prevalências. Nesta análise entram: o período que não temos ocorrência da doença; condições gerais das propriedades; eficiência das campanhas passadas; a qualidade da vacina fabricada e aplicada; a eficiência dos agentes imunológicos naturais e biotecnológicos; o calendários de vacinação nas territorialidades vizinhas; focos em territórios vizinhos; observação sobre sintomas em campo; o tempo de respostas dos órgãos em caso de emergências sanitárias; e entre outras coisas, também temos de prever até mesmo a parcela que imagina que tudo isso é conspiração governamental, e a parcela que se acha superior até mesmo sobre conspirações governamentais.
Esse ano a dosagem no Estado de São Paulo, buscando a certificação internacional de Livre de Febre Aftosa Sem Vacina, foi reduzida de 5 para 2 ml por cabeça. Seguindo o calendário:

Etapa de Maio:
01 a 31 de maio

– obrigatório vacinar o rebanho todo, de mamando a caducando –

Etapa de Novembro:
01 a 30 de novembro

– obrigatório vacinar os animais de até 24 meses, 2 anos, de idade –

Até 7 de dezembro para declarar o rebanho (mesmo os não vacinados) e para registrar a vacinação via GEDAVE:

https://gedave.defesaagropecuaria.sp.gov.br/

Ou presencialmente na unidade de atendimento da Defesa Agropecuária mais próxima da propriedade rural. Para consultar os endereços e formas de contato acesse:

https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/enderecos/

Obs.: Brucelose
Os lotes de fêmeas que se encontram neste semestre entre 3 a 8 meses devem ser vacinadas contra Brucelose até 30 de novembro também.

JM 5-11-19 – T.I. 17-11-19

Nem esquerda, nem direita: Socialismo e Liberdade

Não precisa ficar histérico e gritar #BolsoDoria. Teve deputado que conheceu Fidel Castro (*1926 +2016) e não mudou nada, logo não será um ensaio simples e limitado que vai mudar. Desejo apenas fazer algumas pontuações que julgo serem importantes para colocar luz sobre alguns pontos das ideologias políticas que, em geral, as pessoas tendem a confundir.
Um segundo ponto importante é compreender que, apesar de estar ousando escrever sobre teorias marxistas, não me considero representante desta linha de pensamento. Marxistas tendem a não se alinhar com os pensamentos culturalistas, e meu esforço e preferência se encaixam melhor no pensamento Culturalista, apresentado pela revista científica francesa: Annales d’Histoire Économique et Sociale (Anais de História Econômica e Social); editado por Lucien Febvre (*1878 +1956) e Marc Bloch (*1886 +1944) em 1929. Penso que Eric Hobsbawm (*1817 +2012) seja um bom representante da mediação e renovação dos métodos para análise histórico-social considerando aspectos Materialistas e Culturalistas (ainda pouco estudado por este que vos escreve).
Gosto muito de Bloch especialmente por ter cunhado explicações simples sobre a História e o Historiador, em sua obra póstuma: Apologie de l´histoire (Apologia da História); organizado por Febvre e publicado em 1949:

“a História é o estudo do Homem no Tempo.”

“O historiador é como o ogro da lenda. Onde fareja carne humana sabe que ali está a sua caça.”

Marc Bloch, 1944

Até o Século XIX a História não era do Homem, mas apenas de uma pequena parte dos homens, geralmente do sexo masculino, cútis branca e possuidor de muito ouro. Eram narrativas das elites, nobrezas e da grande burguesia. O ofício de historiador era limitado a exaltar (exagerando e muito, muitas vezes omitindo ou mesmo mentindo) as ações e importância de seus contratantes. Não considerava o cotidiano dos trabalhadores como parte da História. Ainda hoje dizemos que foi JK quem construiu Brasília (Patrimônio Cultural da Humanidade, pelo conjunto arquitetônico moderno, idealização do comunista arquiteto Oscar Niemeyer (*1907 +2012) e pelo engenheiro estrutural Joaquim Cardozo (*1897 +1978)). Pouco ou nada  se fala e se escreve sobre a vida dos que assentam os tijolos, ou dos que limpam e lustram os grandes e fabulosos palácios e mansões, ou mesmo dos que costuram as bandeiras das grandes nações mundiais. Pessoas que não se limitam a obedecer ordens, mas criam e desenvolvem formas de trabalho, inventam equipamentos e ferramentas, além de contribuir com a identidade nacional. A exemplo, temos a já clássica bandeira no carpete azul do Senado do Brasil, desenhada voluntariamente desde 1998 pelo faxineiro Clodoaldo Silva (*1970) que, em 2015 deixou de escrever “ordem e progresso” como forma de protesto político.
Karl Marx (*1818 +1883) rompe com a barreira elitista da História e inicia sua democratização. Busca explicar a trajetória humana pela real força motriz do desenvolvimento das sociedades humanas: os Trabalhadores. Daí a alcunha atual Materialismo Histórico, rompendo com mais uma personificação e provando que o movimento macro histórico materialista não nega críticas, aplica autocrítica e não deixa se levar pelo fervor emocional caloroso e nostálgica ancestral, além do ardor revolucionário. Marx teve sua vida dedicada ao trabalho de compilar e explicar a lógica do mercado desde o florescer da civilização egípcia antiga, sua principal obra um conjunto livros: Das Kapital; cujo autor só viveu para ver publicado o 1º volume em 1867; o 2º volume foi publicado em 1885 e o 3º em 1894. Temeroso pelo futuro opressor que vislumbrou em suas análises, apelou já em 1848: Trabalhadores do mundo, uni-vos!
Os trabalhadores ainda têm dificuldade em se enxergarem nas teorias marxistas, dadas como radicais pelos radicais capitalistas, e é possível que o trabalhador brasileiro nem tenha tomado ciência sobre o culturalismo. A realidade social humana, vista de longe, pode parecer distorcida, sombria e irracional. Assim não houve união das classes trabalhadoras e como previsto na teoria dialética, surge o fascismo e seu aprimoramento, o nazismo como oposição ao Comunismo de Marx.  O Exército Vermelho, teve que se mobilizar, junto ao grande capital (materializados especialmente nos impérios Britânico e Norte Americano), formando a Aliança para libertar Berlim. A ofensiva militar das Repúblicas Socialistas Soviéticas aconteceram do dia 16 de abril a 2 de maio de 1945. Mesmo assim não ocorre união dos trabalhadores e é mantida a divisão. Ninguém tem orgulho das coisas que circulam essa parte da História.
Impossível estudar tudo, menos possível ainda é explicar tudo. Sempre ficam lacunas, e pontos cegos. Muitos dos inspirados por Marx buscaram estudar e analisar as breves histórias dos “vencidos”, na intenção de complementar e colocar a prova o método de pesquisa humanista, e assim nasce o Culturalismo Histórico, que ganhou o Mundo pela Escola dos Annales. Tal movimento deu voz e eternizou centenas de povos, representando incontáveis seres humanos que já passaram pela experiência de viver neste planeta.
Marc Bloch  (*1886 +1944) foi bolsista, efetuou doutorado sobre o fim da escravidão. Era professor de economia em Sorbonne e a partir de 1919 já era considerado um dos grandes especialista em Idade Média francesa. Condecorado militarmente por ferimento em batalha na 1ª Guerra Mundial, voltou a lutar na resistência francesa durante a 2ª Guerra Mundial, junto aos franco-atiradores. Foi preso e torturado pelos Nazistas na França, sendo fuzilado em Lyon, no dia 16 de junho de 1944. O filho mais velho, Étienne Bloch (*1921 +2009), foi pra linha de frente junto da 2ª. Divisão Blindada do General Leclerc, libertando Paris do Nazismo 2 meses depois da execução de seu pai. Depois, Étienne, se dedicou a política em defesa das vítimas sobreviventes do Nazismo, e nos últimos anos de sua vida foi guardião da memória libertária e revolucionária do pai, lançando textos inéditos.
Só a título de curiosidade: Não temos uma grande evolução do pensamento capitalista (cada um por si, contra todos) desde Adam Smith (*1723 +1790). Por isso liberais tendem a se aliar a conversadores, e raramente se posicionam ao lado de progressistas.
O termo Comunismo remonta aos primórdios da humanidade. Quando sem grande tecnologias toda a produção era manual, poucas coisas eram possíveis de ser realizadas individualmente. Camponeses, mesmo que com demarcação de terras, trabalhavam todos juntos, em todas as propriedades, como comunidade. Os líderes políticos e religiosos auxiliavam na regulagem sobre o que, como e quanto se produziria de determinados produtos, assim como efetivam o comércio do excedente e buscavam inovações e melhorias. Jamais se falou em repartir as coisas sem trabalho. Pelo contrário, o Comunismo é a exaltação máxima do trabalho e arte humana. Sua propaganda sempre priorizou em mostrar belezas naturais e os trabalhadores em comunhão. O desenvolvimento econômico é mais lento, porém mais igualitário. A prioridade é exterminar a miséria e possibilitar mais oportunidades.
O termo Capitalismo está ligado a cabeça, principal, mandante, dominante. A prioridade: O lucro. O problema é que sem a compreensão do coletivo não há motivação individual para uma adequada execução do trabalho. E para muitos seres humanos, como eu, a motivação financeira não é suficiente. Lembrando que na nossa realidade Brasileira, a motivação financeira raramente é tentadora pelo seu mísero montante. Com as atuais reformas do Direito Trabalhista e Previdenciário, até mesmo o salário mínimo está comprometido. As oportunidades estão cada vez mais raras. Lembrando que sempre tem um profissional disposto a executar o mesmo serviço por um valor menor que o praticado no mercado. A qualidade é relativa ao que se pretende com o serviço. Como falta motivação comum, a economia é na base  da porcaria.
O Socialismo e Liberdade, como movimento político, está ligado ao grande bloco político central do espectro Político Histórico. Em muitos lugares pelo Mundo é conhecido como Social Democracia, que por aqui ficou marcado pelas secretas e obscuras correntes conservadoras, individualistas e plutocráticas do PSDB. Por isso a necessidade de reafirmar a Livre Sociedade dos Trabalhadores do Brasil.

JM 31-10-19 – T.I. 3-11-19